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Publicado el 15 de diciembre de 2024

Efeitos colaterais

Associação do uso de cannabis com desfechos cardiovasculares

A substância foi positivamente associada com doenças cardiovasculares entre a população em geral, homens com menos de 55 anos e mulheres com menos de 65 anos e aqueles que nunca usaram cigarros de tabaco e/ou cigarros eletrônicos

Autor/a: Jeffers AM, et al.

Fuente: J Am Heart Assoc. 2024 Mar 5;13(5):e030178. doi: 10.1161/JAHA.123.030178. Association of Cannabis Use With Cardiovascular Outcomes Among US Adults.

Introdução

O uso de cannabis está aumentando na população dos EUA, ao mesmo tempo que as percepções sobre seus danos estão diminuindo. No entanto, pouco se sabe sobre os riscos do uso de cannabis e, em particular, os de doenças cardiovasculares (DCV).

Existem razões para acreditar que o uso de cannabis está associado à doença cardíaca aterosclerótica. Os receptores endocanabinoides são ubíquos em todo o sistema cardiovascular. O tetrahidrocanabinol, o seu composto ativo, tem efeitos hemodinâmicos e pode resultar em síncope, derrame e infarto do miocárdio. Fumar, o método predominante de uso de cannabis, pode representar riscos cardiovasculares adicionais devido à inalação de material particulado.

No entanto, a associação entre o uso de cannabis e desfechos cardiovasculares foram pouco explorados. Por isso, Jeffers e colaboradores (2024) examinaram essa relação na população geral.

Métodos

Foram coletados dados do estudo The Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS) de 2016 a 2020 de 27 estados americanos. O BRFSS é uma pesquisa telefônica que coleta dados de uma amostra representativa de adultos sobre fatores de risco, condições crônicas e acesso a cuidados de saúde.

A amostra incluiu pessoas de 18 a 74 anos (N = 431.104) que responderam à pergunta: "Nos últimos 30 dias, em quantos dias você usou maconha ou haxixe?", excluindo (<1%) aqueles que responderam "Não sei" ou se recusaram a responder. Ademais, foram excluídos adultos com mais de 74 anos porque o uso de cannabis é incomum nessa população.

O uso de cannabis foi quantificado como uma variável contínua, dias de uso de cannabis nos últimos 30 dias dividido por 30. As variáveis demográficas incluíram idade, sexo e raça e etnia autoidentificadas. O status socioeconômico foi representado pelo nível de escolaridade.

Os fatores de risco cardiovascular incluíram o uso de cigarros de tabaco e/ou eletrônico, consumo atual de álcool, índice de massa corporal, diabetes e atividade física.

Os desfechos foram avaliados quando os respondentes foram perguntados: "Algum médico, enfermeiro ou outro profissional de saúde já lhe disse que você teve algum dos seguintes...?". Doença cardíaca coronariana (DAC) foi avaliada por: "Alguma vez lhe disseram que você teve angina ou doença cardíaca coronariana?" A ocorrência ao longo da vida de infarto do miocárdio (IAM): "Alguma vez lhe disseram que você teve um ataque cardíaco, também chamado de infarto do miocárdio?" acidente vascular cerebral (AVC): "Alguma vez lhe disseram que você teve um AVC?" Finalmente, criamos um indicador composto para doença cardiovascular, que incluiu qualquer DAC, IAM ou VC.

Resultados

Entre os 434.104 participantes de 18 a 74 anos que responderam ao módulo de cannabis, a prevalência de uso diário, ocasionalmente e não uso de cannabis foi de 4,0%, 7,1% e 88,9%, respectivamente. A forma mais comum de consumo foi fumar (73,8%). A idade média dos respondentes foi de 45,4 anos. Cerca de metade (51,1%) eram mulheres, e a maioria dos respondentes era branca (60,2%). O uso diário de álcool e a atividade física tiveram uma prevalência de 4,3% e 75,0%, respectivamente. A maior parte da amostra nunca havia usado cigarros de tabaco (61,1%). A prevalência de DAC, IAM, AVC e o desfecho composto de todos os 3 foram de 3,5% (N=20009), 3,6% (N=20563), 2,8% (N=14922) e 7,4% (N=40759), respectivamente.

Houve uma maior prevalência de uso atual de tabaco e de álcool entre adultos que usam cannabis diariamente e ocasionalmente em comparação com os não usuários. Ademais, diferenças significativas na distribuição de DAC, IAM, AVC e o composto dos três foram registradas entre os participantes que relataram uso diário, ocasionalmente e não uso de cannabis, com as menores estimativas pontuais entre os usuários não diários. No entanto, os usuários de cannabis tinham uma menor prevalência de outros fatores de risco cardiovascular (menos obesidade, menos diabetes, menor idade, maior escolaridade), além do uso de tabaco e álcool.

A análise não encontrou uma associação significativa entre o uso diário de cannabis e DAC. No entanto, houve um aumento de 25% nas chances de IAM entre adultos que usam cannabis diariamente em comparação com não usuários, com menores chances para uso menos frequente. Controlando por outros fatores de risco, o uso de cannabis teve relações dose-resposta semelhantes com AVC e o composto de DAC, IAM e AVC.

Entre aqueles que nunca haviam usado cigarros de tabaco e nem cigarros eletrônicos, o uso de cannabis não foi associado com DAC ou IAM, mas foi associado com AVC.

As análises dos respondentes restritas a adultos jovens em risco de doença cardiovascular prematura (homens <55 anos e mulheres <65 anos) demonstraram associações semelhantes entre o uso de cannabis e os desfechos cardiovasculares. Esse foi significativamente associado com DAC, IAM, AVC e o composto desses resultados.

O uso da cannabis fumada foi significativamente associado com IAM e o desfecho composto.

Conclusão

A cannabis tem associações fortes e estatisticamente significativas com desfechos cardiovasculares adversos, independentemente do uso de tabaco e controlando uma série de fatores demográficos e desfechos. Ela foi positivamente associada com doenças cardiovasculares entre a população em geral, homens com menos de 55 anos e mulheres com menos de 65 anos e aqueles que nunca usaram cigarros de tabaco e/ou cigarros eletrônicos. Sendo assim, o uso de cannabis pode ser um fator de risco para doenças cardiovasculares. Pacientes e formuladores de políticas precisam ser informados desses riscos potenciais.