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/ Publicado el 28 de enero de 2026

Saúde

Anvisa ampliou regulamentação da cannabis medicinal e autorizou cultivo por empresas

Farmácias de manipulação poderão vender produtos à base da planta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no dia 28 de janeiro, uma nova resolução que representa um avanço significativo na regulamentação da cannabis medicinal no Brasil. Entre as principais mudanças estão a permissão para o cultivo da planta por empresas e a liberação da venda de produtos à base de canabidiol (CBD) em farmácias de manipulação.

A nova norma permite que pessoas jurídicas cultivem cannabis em território nacional exclusivamente para fins medicinais, industriais e de pesquisa, desde que vinculadas à produção de medicamentos e produtos aprovados pela Anvisa.
O cultivo será restrito e proporcional à demanda, conforme apresentado pelas próprias empresas à agência, e ocorrerá sob rígido controle sanitário.

Para fortalecer a fiscalização e garantir segurança em todas as etapas produtivas, a agência criará um comitê interministerial com participação dos Ministérios da Justiça, Saúde e Agricultura, que ficará responsável por ações permanentes de monitoramento.

A resolução também ampliou as formas de apresentação dos medicamentos derivados da planta, permitindo preparações de uso bucal, sublingual e dermatológico. Além disso, regulamenta a importação tanto da planta quanto de seus extratos para fins farmacêuticos. A Anvisa definiu como limite máximo a concentração de 0,3% de THC nos materiais importados ou produzidos, índice já adotado em regulamentos internacionais e considerado adequado para produtos de caráter não psicoativo. A atualização das regras atende a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que no fim de 2025 ordenou que a agência regulamentasse o uso medicinal da cannabis de maneira mais ampla e detalhada.

A decisão foi recebida com otimismo por organizações ligadas ao campo da cannabis medicinal. Para representantes de associações de pacientes e juristas especializados no tema, a Anvisa demonstrou abertura inédita ao diálogo e sensibilidade às necessidades clínicas, sociais e jurídicas envolvidas no acesso aos tratamentos. Associações destacaram ainda que a regulamentação tende a reduzir a insegurança jurídica e fortalecer iniciativas comunitárias dedicadas à produção e ao fornecimento de derivados da planta.

Segundo o anuário 2025 da Kaya Mind, o Brasil já contabiliza 873 mil pacientes em tratamento com produtos à base de cannabis, número recorde e em crescimento contínuo nos últimos anos. O país conta com 315 associações que atuam no fornecimento de produtos medicinais, das quais 47 têm autorização judicial para cultivo, totalizando 27 hectares identificados de plantações associativas. O setor movimentou R$ 971 milhões em 2025, um aumento de 8,4% em relação ao ano anterior, refletindo a crescente aceitação médica e social dessas terapias. A estimativa é de que haja cerca de 2,7 médicos prescrevendo derivados de cannabis para cada 10 mil pacientes; por outro lado, menos de 0,2% dos dentistas fazem uso desse tipo de prescrição.

Desde 2015, o poder público já destinou R$ 377,7 milhões ao fornecimento de produtos à base de cannabis, e apenas cinco estados ainda não possuem legislação específica sobre o tema. No âmbito regulatório, 210 pedidos de Autorização Sanitária foram submetidos à Anvisa pela RDC 327/2019 entre 2020 e 2025, dos quais 24 receberam aprovação. O conjunto dessas informações evidencia o rápido amadurecimento do mercado e da pesquisa científica em torno da cannabis medicinal no país, agora impulsionado por um marco regulatório mais robusto e inclusivo.