Uma investigação liderada pela Universidade de Stanford sobre a campanha de vacinação contra a COVID-19 estimou que foram evitadas aproximadamente 2,533 milhões de mortes e 14,8 milhões de anos de vida em todo o mundo entre 2020 e 2024. Em meio a muita controvérsia na esfera pública, uma campanha global de vacinação foi realizada para conter o vírus novo e mortal da COVID-19, à medida que ele se espalhava por todos os cantos do planeta. Com o avanço da pandemia, também se disseminaram desinformação, informações falsas e atualizações em tempo real sobre riscos e prevenção, que por vezes mudavam conforme os eventos se desenrolavam.
Cerca de 7 milhões de pessoas morreram como resultado direto do vírus. Estimar o impacto humano evitado pelas vacinas continua sendo uma questão crucial, tanto para a educação pública quanto para o planejamento futuro em saúde pública. No estudo “Estimativas Globais de Vidas e Anos de Vida Salvos pela Vacinação contra a COVID-19 entre 2020 e 2024”, publicado no JAMA Health Forum, os pesquisadores realizaram uma análise de efetividade comparativa para quantificar os efeitos salvadores atribuíveis à vacinação entre dezembro de 2020 e 1º de outubro de 2024.
Quase 8 bilhões de indivíduos (população mundial em 2021) compuseram a coorte do estudo, dividida em sete faixas etárias, considerando residência comunitária versus institucional (long-term care) e os períodos pré-Ômicron versus Ômicron.
Os pesquisadores estimaram as mortes evitadas multiplicando a população de cada estrato, a proporção projetada de infecção, a taxa de letalidade por infecção e a efetividade da vacina. Os ganhos em anos de vida combinaram esses resultados com a expectativa de vida e um fator de ajuste relacionado ao estado de saúde. Os resultados mostraram 2,533 milhões de vidas salvas, o que equivale a uma morte evitada a cada 5.400 doses de vacina administradas. Os ganhos em anos de vida chegaram a 14,8 milhões, ou um ano de vida salvo a cada 900 doses.
Cerca de 82% das mortes evitadas ocorreram entre indivíduos vacinados antes de qualquer infecção, e 57% durante o período Ômicron. Pessoas com 60 anos ou mais representaram 89,6% das vidas salvas, enquanto crianças e adolescentes contribuíram com apenas 0,01%. As análises de sensibilidade indicaram uma faixa de 1,4 a 4,0 milhões de mortes evitadas e 7,4 a 23,6 milhões de anos de vida salvos.
Os benefícios em anos de vida seguiram um padrão semelhante, com 76% dos anos salvos entre pessoas com mais de 60 anos, e contribuições negligenciáveis (<0,5%) entre indivíduos com menos de 30 anos. Residentes de instituições de longa permanência, que representaram 11,8% das mortes evitadas, contribuíram com apenas 2% dos anos de vida salvos.
Os autores concluíram que a vacinação ofereceu um benefício claro em termos de mortalidade entre 2020 e 2024, especialmente entre adultos mais velhos, e descreveram suas estimativas como conservadoras.