Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP identificaram que o acúmulo de lipofuscina, pigmento ligado ao envelhecimento celular, nos músculos da faringe pode estar associado ao agravamento da apneia obstrutiva do sono (AOS), mesmo em pessoas jovens e não obesas.
A AOS é marcada por interrupções repetidas da respiração durante o sono e está associada a sonolência diurna, hipertensão e risco cardiovascular aumentado. Apesar de frequentemente relacionada ao excesso de peso, seus mecanismos fisiológicos ainda são pouco compreendidos.
A equipe analisou amostras musculares profundas de 13 pacientes jovens, sete com ronco primário ou apneia leve e seis com casos graves. Usando técnicas histológicas e microscopia de fluorescência, os cientistas observaram maior quantidade e concentração de lipofuscina nos pacientes com AOS grave, especialmente nas bordas dos feixes musculares responsáveis por manter as vias aéreas abertas durante o sono.
Como células musculares não se dividem, a lipofuscina se acumula de forma irreversível. O pigmento está relacionado à disfunção mitocondrial e ao estresse oxidativo, sugerindo um ciclo de enfraquecimento muscular que pode piorar a apneia ao longo do tempo.
Impacto no tratamento
As amostras foram obtidas graças à técnica cirúrgica de faringoplastia lateral, desenvolvida pelo otorrinolaringologista Michel Burihan Cahali, que permite a retirada segura de fragmentos musculares.
Atualmente, o tratamento mais utilizado para AOS é o uso de um aparelho que mantêm as vias aéreas abertas por meio de pressão positiva contínua (CPAP). Em quadros leves, aparelhos intraorais e exercícios orofaríngeos podem ajudar a melhorar a função muscular. Cirurgias são indicadas para casos mais graves.
Riscos e próximos passos
Os pesquisadores destacaram que distúrbios do sono têm sido cada vez mais associados a doenças crônicas como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Entender se o acúmulo de lipofuscina é causa ou consequência da apneia será essencial para desenvolver novas abordagens terapêuticas.
Fonte: Indicador de envelhecimento celular pode estar associado ao desenvolvimento de apneia grave – Jornal da USP
Publicado el 18 de marzo de 2026
Saúde
Acúmulo de pigmento celular pode agravar apneia do sono, apontou estudo
Acúmulo irreversível de lipofuscina sugere relação entre estresse oxidativo e enfraquecimento dos músculos das vias aéreas.
Autor/a: Jean Silva
Fuente: Jornal da USP
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP identificaram que o acúmulo de lipofuscina, pigmento ligado ao envelhecimento celular, nos músculos da faringe pode estar associado ao agravamento da apneia obstrutiva do sono (AOS), mesmo em pessoas jovens e não obesas.
A AOS é marcada por interrupções repetidas da respiração durante o sono e está associada a sonolência diurna, hipertensão e risco cardiovascular aumentado. Apesar de frequentemente relacionada ao excesso de peso, seus mecanismos fisiológicos ainda são pouco compreendidos.
A equipe analisou amostras musculares profundas de 13 pacientes jovens, sete com ronco primário ou apneia leve e seis com casos graves. Usando técnicas histológicas e microscopia de fluorescência, os cientistas observaram maior quantidade e concentração de lipofuscina nos pacientes com AOS grave, especialmente nas bordas dos feixes musculares responsáveis por manter as vias aéreas abertas durante o sono.
Como células musculares não se dividem, a lipofuscina se acumula de forma irreversível. O pigmento está relacionado à disfunção mitocondrial e ao estresse oxidativo, sugerindo um ciclo de enfraquecimento muscular que pode piorar a apneia ao longo do tempo.
Impacto no tratamento
As amostras foram obtidas graças à técnica cirúrgica de faringoplastia lateral, desenvolvida pelo otorrinolaringologista Michel Burihan Cahali, que permite a retirada segura de fragmentos musculares.
Atualmente, o tratamento mais utilizado para AOS é o uso de um aparelho que mantêm as vias aéreas abertas por meio de pressão positiva contínua (CPAP). Em quadros leves, aparelhos intraorais e exercícios orofaríngeos podem ajudar a melhorar a função muscular. Cirurgias são indicadas para casos mais graves.
Riscos e próximos passos
Os pesquisadores destacaram que distúrbios do sono têm sido cada vez mais associados a doenças crônicas como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Entender se o acúmulo de lipofuscina é causa ou consequência da apneia será essencial para desenvolver novas abordagens terapêuticas.
Fonte: Indicador de envelhecimento celular pode estar associado ao desenvolvimento de apneia grave – Jornal da USP