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/ Publicado el 18 de marzo de 2026

Saúde

Acúmulo de pigmento celular pode agravar apneia do sono, apontou estudo

Acúmulo irreversível de lipofuscina sugere relação entre estresse oxidativo e enfraquecimento dos músculos das vias aéreas.

Autor/a: Jean Silva

Fuente: Jornal da USP

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP identificaram que o acúmulo de lipofuscina, pigmento ligado ao envelhecimento celular, nos músculos da faringe pode estar associado ao agravamento da apneia obstrutiva do sono (AOS), mesmo em pessoas jovens e não obesas.

A AOS é marcada por interrupções repetidas da respiração durante o sono e está associada a sonolência diurna, hipertensão e risco cardiovascular aumentado. Apesar de frequentemente relacionada ao excesso de peso, seus mecanismos fisiológicos ainda são pouco compreendidos.

A equipe analisou amostras musculares profundas de 13 pacientes jovens, sete com ronco primário ou apneia leve e seis com casos graves. Usando técnicas histológicas e microscopia de fluorescência, os cientistas observaram maior quantidade e concentração de lipofuscina nos pacientes com AOS grave, especialmente nas bordas dos feixes musculares responsáveis por manter as vias aéreas abertas durante o sono.

Como células musculares não se dividem, a lipofuscina se acumula de forma irreversível. O pigmento está relacionado à disfunção mitocondrial e ao estresse oxidativo, sugerindo um ciclo de enfraquecimento muscular que pode piorar a apneia ao longo do tempo.

Impacto no tratamento

As amostras foram obtidas graças à técnica cirúrgica de faringoplastia lateral, desenvolvida pelo otorrinolaringologista Michel Burihan Cahali, que permite a retirada segura de fragmentos musculares.

Atualmente, o tratamento mais utilizado para AOS é o uso de um aparelho que mantêm as vias aéreas abertas por meio de pressão positiva contínua (CPAP). Em quadros leves, aparelhos intraorais e exercícios orofaríngeos podem ajudar a melhorar a função muscular. Cirurgias são indicadas para casos mais graves.

Riscos e próximos passos

Os pesquisadores destacaram que distúrbios do sono têm sido cada vez mais associados a doenças crônicas como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Entender se o acúmulo de lipofuscina é causa ou consequência da apneia será essencial para desenvolver novas abordagens terapêuticas.


Fonte: Indicador de envelhecimento celular pode estar associado ao desenvolvimento de apneia grave – Jornal da USP