Os transtornos mentais e relacionados ao uso de substâncias representam uma carga significativa para a saúde global, afetando milhões de pessoas em diferentes contextos socioeconômicos. Embora existam diretrizes clínicas bem estabelecidas para o manejo dessas condições, ainda é limitada a proporção de indivíduos que recebem cuidados efetivos e alinhados a essas recomendações.
Diante disso, o estudo de Vigo e colaboradores (2025) avaliou a proporção de pessoas que tiveram acesso a tratamentos consistentes com as diretrizes e identificou os principais obstáculos para disponibilidade e qualidade do cuidado.
O estudo transversal incluiu 56.927 participantes em 21 países com dados de 2001 a 2019, analisados entre fevereiro e julho de 2024. Foram avaliados 9 transtornos mentais — incluindo ansiedade, humor e uso de substâncias — e a qualidade do tratamento recebido ao longo de 12 meses, utilizando a Entrevista Diagnóstica Internacional Composta (CIDI).
Os resultados revelaram que apenas 6,9% dos casos receberam tratamento considerado efetivo, definido por critérios como gravidade do transtorno, tipo de medicação adequada, controle e adesão ao tratamento, e frequência apropriada de psicoterapia.
As principais barreiras identificadas foram: baixa percepção de necessidade de tratamento (46,5%), ausência de busca por cuidado mesmo diante da percepção de necessidade (34,1%) e baixa efetividade mesmo entre aqueles que receberam tratamento minimamente adequado (47,0%). Além disso, os recursos médicos gerais mostraram-se mais relevantes para o acesso ao cuidado do que os específicos de saúde mental.
Em resumo, o estudo destacou a importância de ampliar a percepção de necessidade entre os pacientes, capacitar profissionais da atenção primária para o reconhecimento e manejo dos transtornos mentais, e aprimorar a qualidade do cuidado — especialmente na transição entre tratamento minimamente adequado e efetivo. Também ressaltou a necessidade de reduzir desigualdades no acesso, com atenção especial a homens e pessoas com menor escolaridade.