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Publicado el 22 de junio de 2026

Doença de Alzheimer

A gravidez e a amamentação podem proteger contra o declínio cognitivo?

Evidências longitudinais sugeriram possível efeito neuroprotetor da maternidade no envelhecimento cognitivo feminino.

Introdução

A doença de Alzheimer afeta desproporcionalmente as mulheres, e essa diferença não é totalmente explicada por fatores como maior longevidade. Evidências sugeriram que aspectos biológicos específicos do sexo feminino, como diferenças em biomarcadores, fatores genéticos e manifestação clínica, podem influenciar o risco e a progressão da doença.

A gravidez e a lactação promovem adaptações no cérebro feminino, com efeitos cognitivos transitórios no período gestacional e pós-parto. No entanto, seus impactos a longo prazo ainda não são totalmente definidos. Estudos em humanos sugeriram que maior número de gestações pode estar associado a melhor desempenho cognitivo, enquanto os efeitos da amamentação são inconsistentes. Por outro lado, em modelos animais, a maternidade foi associada a benefícios cognitivos duradouros e redução do declínio associado ao envelhecimento.

Nesse contexto, o estudo de Fox e colaboradores (2025) investigou a relação entre a duração cumulativa da gravidez e da amamentação e o declínio cognitivo na vida tardia, além de explorar o impacto dessas experiências na trajetória do envelhecimento cognitivo feminino.

Métodos

A análise utilizou dados do Women’s Health Initiative Memory Study (WHIMS) e do WHI Study of Cognitive Aging (WHISCA), incluindo mulheres pós-menopausa sem comprometimento cognitivo inicial.

As participantes responderam a entrevistas detalhadas sobre história reprodutiva e foram acompanhadas longitudinalmente com avaliações anuais de cognição global por até 13 anos, além de testes cognitivos multidomínio, incluindo memória verbal e visual, por até 8 anos.

As principais exposições foram o tempo cumulativo de gravidez e de amamentação ao longo da vida, além de variáveis como ter engravidado ou amamentado alguma vez e a razão entre ambos. Os desfechos incluíram cognição global, memória verbal e memória visual, avaliados por testes padronizados.

Resultados

No total, 6083 participantes (65–79 anos) foram incluídas nas análises, com idade média da menopausa de 48,5 anos. Dentre elas, 7,1% nunca haviam engravidado e 9,0% não tiveram gestações a termo. O número médio de gestações foi de 3,8, correspondendo a 30,5 meses cumulativos de gravidez ao longo da vida. A amamentação variou amplamente: 44,1% nunca amamentaram por mais de 1 mês, e entre as que amamentaram, a média foi de 11,6 meses cumulativos.

Na primeira avaliação cognitiva (idade média de 70,1 anos), todas estavam livres de demência. O seguimento médio foi de 10,4 anos no WHIMS (cognição global) e 8,4 anos no WHISCA (memória).

Os dados indicaram que o tempo cumulativo de gravidez e, sobretudo, de amamentação associaram-se a menor declínio cognitivo ao longo do seguimento. Cada mês adicional de amamentação esteve relacionado a melhor desempenho em cognição global, memória verbal e memória visual, enquanto a maior duração da gravidez mostrou associação positiva apenas com cognição global.

Mulheres que já engravidaram ou amamentaram apresentaram melhores desempenhos cognitivos em comparação às que nunca tiveram essas experiências. Além disso, uma maior proporção entre tempo de amamentação e gravidez associou-se à melhores pontuações cognitivas em todos os domínios cognitivos avaliados.

Conclusão

O estudo de Fox e colaboradores (2025) sugeriu que a gestação e, principalmente, a amamentação podem estar associadas a menor declínio cognitivo na vida tardia, indicando um possível efeito neuroprotetor da maternidade. Pesquisas futuras são necessárias para elucidar os mecanismos biológicos e sociais envolvidos, bem como para avaliar como essas associações podem ser incorporadas em estratégias de prevenção e promoção da saúde cognitiva em mulheres.