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Publicado el 29 de julio de 2025

Esquema terapêutico VAS

Vonoprazana: uma nova abordagem terapêutica para erradicação do H.pylori

Estudo clínico demonstrou eficácia e boa tolerabilidade da combinação vonoprazana, amoxicilina e Saccharomyces boulardii em casos refratários e com cepas resistentes.

A Helicobacter pylori (H. pylori) é um patógeno crítico na prática clínica, associado a diversas doenças gastroduodenais, como úlceras pépticas e câncer gástrico.

O tratamento padrão de primeira linha consiste na terapia tripla com dois antibióticos e um inibidor da bomba de prótons (IBPs), que apresenta limitações relevantes, como dependência do pH gástrico para ativação e variações na supressão ácida.

O vonoprazana é um bloqueador competitivo de potássio que atua diretamente na bomba H/K-ATPase, de forma independente do pH, oferecendo supressão ácida mais rápida, potente e duradoura. Estudos demonstraram que esse fármaco mantém o pH intragástrico acima de 4 por períodos mais prolongados, favorecendo a ação da amoxicilina e reduzindo a resistência bacteriana.

Diante disso, o estudo de Yu e colaboradores (2024) propôs um esquema terapêutico inovador: uma terapia dupla com vonoprazana e amoxicilina, associada ao probiótico Saccharomyces boulardii (esquema VAS), como tratamento de resgate em infecções refratárias por H. pylori.

Frente ao aumento global da resistência à claritromicina e ao metronidazol, o esquema VAS obteve taxas de erradicação superiores a 92%, inclusive em cepas multirresistentes. Além disso, apresentou desempenho superior à terapia baseada em IBPs, com melhor perfil de segurança e simplicidade posológica. Evidências também sugeriram que a duração do tratamento influenciou nos resultados, com esquemas de 14 dias mostrando maior eficácia que os de 7 dias.

A inclusão de Saccharomyces boulardii como terapia adjuvante demonstrou benefícios clínicos relevantes, como a redução de efeitos gastrointestinais associados ao uso de antibióticos, diminuição da adesão bacteriana à mucosa gástrica e modulação da resposta imune local. Embora seu impacto direto na taxa de erradicação seja modesto, estudos indicaram que sua ação sobre a microbiota intestinal favoreceu a tolerabilidade do tratamento e contribuiu para o controle da infecção.

Adicionalmente, o estudo identificou a ansiedade como fator clínico associado à falha terapêutica, além de indicar que o estresse psicológico pode favorecer a colonização bacteriana e comprometer a integridade da mucosa gástrica, evidenciando o papel do eixo cérebro-intestino na resposta à infecção por H. pylori. Fatores demográficos e histórico de falhas anteriores não comprometeram os resultados e a eficácia foi mantida independentemente da resistência antimicrobiana, possivelmente devido à supressão ácida estável proporcionada pelo vonoprazana.

O regime apresentou alta tolerabilidade, com poucos efeitos adversos leves ou moderados e nenhuma interrupção do tratamento. Estudos indicaram que sua segurança é comparável ou superior à dos IBPs, com menor frequência de sintomas gastrointestinais e cutâneos. Além disso, meta-análises reforçaram seu perfil terapêutico ao combinar alta eficácia à melhor adesão clínica.

Em resumo, a terapia proposta por Yu e colaboradores (2024) representou uma opção segura, eficaz e racional para a erradicação do H. pylori, especialmente em casos refratários ou diante de resistência antimicrobiana. Seus benefícios incluíram alta taxa de sucesso, baixa toxicidade e melhor adesão ao tratamento. Embora estudos adicionais sejam necessários para confirmar sua aplicabilidade em diferentes populações e otimizar a dosagem probiótica, os dados atuais sustentaram seu potencial como terapia de resgate prática e promissora.