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/ Publicado el 31 de julio de 2025

Tratamento personalizado

Vigilância ativa com ressonância magnética no câncer de próstata

Estudo de coorte demonstrou segurança e eficácia da abordagem personalizada com RMmp e PSA em pacientes de risco baixo a intermediário.

A vigilância ativa (VA) é uma estratégia amplamente adotada para o manejo do câncer de próstata (CP) de risco baixo a intermediário, com o objetivo de evitar tratamentos invasivos em pacientes com doença indolente. Os protocolos tradicionais incluem monitoramento com antígeno prostático específico (PSA), exame digital retal, biópsias e exames de imagem. Apesar da eficácia, a adesão às biópsias tende a diminuir com o tempo, e muitos pacientes optam por tratamento mesmo sem evidência de progressão. A personalização do tratamento, baseado em parâmetros individuais da doença, pode melhorar a adesão e reduzir o abandono.

Nesse contexto, a ressonância magnética multiparamétrica (RMmp) tem se destacado como uma ferramenta promissora, permitindo decisões mais precisas sobre a necessidade de biópsias — com base em alterações na imagem ou na densidade do PSA — e a identificação de lesões suspeitas. Estudos mostraram que a visibilidade da ressonância magnética (RM), em combinação com a pontuação de Gleason (GS), um sistema usado para classificar o CP com base na aparência das células cancerosas, foram associadas à progressão, reforçando o papel da RMmp na estratificação de risco e na condução segura da VA. Diante disso, Englman e colaboradores (2025) apresentaram uma atualização da coorte, que praticamente dobrou de tamanho desde a análise anterior.

O estudo envolveu 1150 pacientes com câncer de próstata de risco baixo a intermediário que iniciaram vigilância ativa entre 2000 e 2023. Os critérios de inclusão foram: GS (3 + 3 ou 3 + 4) com PSA < 20 ng/ml, concordância entre biópsia e RM, e pelo menos duas RMmp. O acompanhamento incluiu dosagem regular de PSA, exames de RM em intervalos definidos e biópsias conforme indicação clínica. Progressão radiológica ou histológica motivava discussão sobre tratamento ativo. O objetivo principal foi avaliar a sobrevida livre de eventos (EFS), definida como a progressão histológica para GS ≥4 + 3 ou a transição para tratamento.

A mediana de seguimento foi de 64 meses por paciente, totalizando mais de 4.400 exames de RM e 569 biópsias de acompanhamento.

Dos pacientes incluídos, 64% e 36% apresentavam GS 3 + 3 e  3 + 4, respectivamente, na avaliação inicial, sendo que o grupo de menor proporção apresentou uma frequência significativamente maior de lesão visível na RM. Ao longo do tempo, observou-se uma mudança no perfil da coorte, com predominância crescente de casos GS 3 + 4 visíveis na RM entre os que iniciavam VA.

A EFS foi de 87% em 3 anos, 77% em 5 anos e 57% em 10 anos. Os pacientes com GS 3 + 4 visível na RM apresentaram as menores taxas.

A progressão radiológica ocorreu em 59% dos pacientes em 10 anos, sendo mais frequente nos casos com doença visível na RM. A progressão histológica para GS 4 + 3 foi observada em 10% dos pacientes, com forte correlação entre progressão radiológica e histológica.

A taxa de progressão para padrão primário GS 4 foi maior entre os pacientes com GS 3 + 4 visível na ressonância magnética. Especificamente, as taxas de progressão histológica para GS 4 + 3 foram de 1,2% em 5 anos e 6,1% em 10 anos para GS 3 + 3 não visível, comparadas a 17% e 43% para GS 3 + 4 visível, respectivamente.

Ao todo, 375 pacientes iniciaram tratamento: 48% receberam manejo radical (prostatectomia, radioterapia ou braquiterapia), 46% com terapia focal e 6% com bloqueio androgênico isolado. A maioria dos casos tratados apresentava progressão radiológica ou histológica confirmada.

O estudo destacou que apenas 3% dos pacientes iniciaram tratamento com doença estável (sem alterações em PSA, RM ou biópsia), valor significativamente inferior aos 15–25% observados em protocolos tradicionais com biópsias programadas por tempo.

A sobrevida global em 10 anos foi de 97%, sem registros de óbitos por CP. A progressão para metástases foi rara e restrita a pacientes que não seguiram as recomendações clínicas quanto à realização dos exames de monitoramento.

Em resumo, Englman e colaboradores (2025) demonstraram que mesmo em pacientes com perfil de risco elevado, a progressão para doença agressiva foi baixa e a monitorização baseada em RM e PSA mostrou-se segura e eficaz, reduzindo biópsias desnecessárias. Os resultados reforçaram o potencial dessa abordagem personalizada, que será validada em estudos multicêntricos futuros.

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