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/ Published on July 17, 2022

Atualização médica

Varíola dos macacos

O surto atual ilustra a disseminação de pessoa para pessoa por contato direto e/ou sexual.

Author: Jeannette Guarner, Carlos del Rio, Preeti N. Malani

Fuente: Monkeypox in 2022What Clinicians Need to Know

Introdução

A varíola dos macacos, transmitida pelo vírus monkeypox pertencente ao gênero orthopoxvirus, foi relatada em mais de 30 países ao redor do mundo.

O vírus foi descrito pela primeira vez em 1958, isolado em macacos; no entanto, o hospedeiro natural também inclui outros animais, como ratos e esquilos da floresta. Tal como acontece com muitas zoonoses, este poxvírus é acidentalmente transmitido aos seres humanos quando encontram animais infectados. O primeiro caso humano conhecido foi relatado em 1970 na República Democrática do Congo.

Antes de 2022, casos humanos raramente foram observados fora do continente africano. Em 2003, houveram relatados nos EUA quando um carregamento de ratos infectados posteriormente infectou cães alojados na mesma instalação, eventualmente infectando 71 humanos que adotaram esses como animais de estimação.

Em 2018, 2 pessoas que viajaram para a Nigéria trouxeram a doença de volta ao Reino Unido e uma infecção secundária por varíola foi documentada em um profissional de saúde. Nos últimos 5 anos, centenas de casos de varíola dos macacos foram relatados na Nigéria, sendo a maioria entre homens, alguns com lesões genitais, sugerindo transmissão sexual.

O surto da varíola de 2022

O surto atual ilustra a fácil transmissibilidade pelo contato direto e sexual com lesões contendo o vírus.

Desde o início de maio de 2022, casos de varíola dos macacos foram relatados em vários países onde a doença não era endêmica. Em 9 de junho de 2022, mais de 1.350 casos foram relatados em 31 países não endêmicos, com aproximadamente 60% dos casos relatados em Portugal, Espanha e Reino Unido. Em 9 de junho de 2022, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA relataram 45 casos em 15 estados e no Distrito de Columbia.

A maioria não tem vínculo relacionado a viagens a um país endêmico, e a grande parte dos casos ocorreram entre homens homossexuais, aumentando a possibilidade de transmissão sexual. Embora a varíola não tenha essa transmissão tipicamente, pode ser facilmente transmitida durante o contato sexual e íntimo. A inoculação do vírus na pele e superfícies mucosas ocorre por contato direto, sexual ou pele a pele, e pode até incluir a transmissão por meio de fômites, como toalhas, roupas de cama e brinquedos sexuais.

Clados virais e patologia

Existem 2 clados distintos conhecidos do vírus da varíola dos macacos, um endêmico da África Ocidental e outro da Bacia do Congo. Historicamente, o segundo causou doenças mais graves e acredita-se que seja mais transmissível. O atual surto de varíola dos macacos parece ser causado pelo primeiro clado.

A sua patologia, como de todos os poxvírus, é caracterizada por inclusões eosinofílicas intracitoplasmáticas proeminentes nas células epiteliais. Outras alterações observadas na epiderme podem incluir degeneração em balão, necrose de queratinócitos e hiperplasia. A derme está edemaciada linfocítica e, à medida que a ulceração ocorre, há infiltração de neutrófilos, eosinófilos e células gigantes multinucleadas. Há também inflamação ao redor dos vasos (vasculite).

Sintomas clínicos

A doença tem um longo período de incubação que varia de 5 dias a 3 semanas. Os pacientes geralmente apresentam febre, calafrios, fadiga, dor de cabeça, dores musculares, dor de garganta, linfadenopatia e lesões na pele.

As lesões cutâneas progridem de máculas e pápulas para vesículas e pústulas que ulceram e formam crostas antes de cicatrizar ao longo de várias semanas. As lesões iniciais são geralmente no local da inoculação, o que pode explicar porque no surto atual as lesões foram localizadas na genitália ou ânus.

Na maioria das vezes, a infecção por varíola dos macacos é autolimitada, geralmente com duração de 2 a 4 semanas.

As complicações podem incluir pneumonia, encefalite e infecções oculares, que ocorrem principalmente em crianças menores de 8 anos, grávidas ou pessoas imunossuprimidas. A taxa de mortalidade varia entre 1% e 11%.

Durante o surto americano de 2003, uma família que adquiriu um cão infectado demonstrou todo o espectro da doença: um menino de 6 anos foi hospitalizado com encefalite; a mãe da criança era sintomática e apresentava múltiplas lesões cutâneas; e o pai, que havia sido vacinado contra varíola, apresentava apenas 2 lesões na pele e sintomas leves de gripe.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico deve ser confirmado por métodos laboratoriais. Nos Estados Unidos, é detectado através da reação em cadeia da polimerase e os casos positivos são encaminhados ao CDC para confirmação da infecção.

As amostras devem ser coletadas com swab de nylon, poliéster ou Dacron e preferencialmente obtidas de uma lesão cutânea aberta. Após a coleta, deve então ser colocada em um recipiente seco e estéril e mantida refrigerada ou congelada até o teste.

Prevenção

A prevenção pode ser um desafio para pessoas que têm contato próximo com um paciente infectado. Evitar o contato direto com lesões de pele ou materiais usados ​​por esses (como roupas, roupas de cama e toalhas) é essencial para reduzir o risco de infecção.

Os médicos que cuidam de pacientes com lesões de pele devem usar equipamentos de proteção individual que incluem jaleco, luvas, proteção para os olhos e uma máscara N95 bem ajustada.

Um paciente com infecção suspeita ou confirmada deve ser mascarado imediatamente, cobrir as lesões com um avental ou lençol e ser colocado em isolamento em um quarto individual. Não é necessário nenhum tratamento de ar especial, mas se for internado no hospital, ele deve ser colocado em uma sala de pressão negativa, se disponível.

Para o controle da infecção ambiental, acredita-se que a vacinação contra a varíola forneça até 85% de proteção cruzada contra a varíola, embora a duração da proteção seja desconhecida. Alguns especialistas em saúde pública sugeriram que o ressurgimento da varíola dos macacos se deve em parte ao fim da vacinação de rotina contra a varíola depois que a doença foi erradicada em 1980.

Atualmente, existem 2 vacinas licenciadas disponíveis para prevenir a varíola nos EUA: ACAM2000 e JYNNEOS (também conhecida como Imvamune ou Imvanex), que é uma vacina viva, não replicante e modificada do vírus vaccinia Ankara. Embora JYNNEOS seja a única vacina atualmente aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para prevenir a varíola dos macacos, o Comitê Consultivo em Práticas de Imunização recomenda que pessoas com exposição ocupacional ao ortopoxvírus (por exemplo, pesquisadores que trabalham com amostras de vírus da varíola dos macacos) recebam ACAM2000 ou JYNNEOS vacina para profilaxia pré-exposição.

A vacinação pós-exposição com JYNNEOS também pode ser administrada a pacientes que tiveram contato próximo com uma pessoa infectada com o vírus da varíola dos macacos. O CDC recomenda a vacinação dentro de 4 dias após a exposição para prevenir a doença ou até 14 dias após a exposição para reduzir a gravidade da doença. Atualmente, mais de 36.000 doses da vacina JYNNEOS estão no Estoque Nacional Estratégico dos EUA.

Tratamento

O tratamento da varíola do macaco é principalmente sintomático, uma vez que atualmente não há tratamento antiviral específico. Pessoas com doença grave, pacientes imunocomprometidos, crianças menores de 8 anos e grávidas devem ser consideradas para tratamento antiviral após consultar o CDC.

Atualmente, existem 2 medicamentos antivirais que podem ser usados ​​para infecções por varíola dos macacos: tecovirimat e brincidofovir. O primeiro previne a formação do envelope viral ao inibir a p37, uma proteína altamente conservada em todos os ortopoxvírus. O segundo é uma pró-droga do cidofovir, um medicamento aprovado para o tratamento da retinite por citomegalovírus (CMV) em pacientes com AIDS. Nenhuma toxicidade renal grave ou outros eventos adversos graves foram observados com brincidofovir durante o tratamento de infecções por CMV, portanto, pode ter um perfil de segurança melhor do que o cidofovir, mas a experiência clínica é limitada.

A imunoglobulina intravenosa pode ser considerada para pacientes com infecção grave por varíola dos macacos ou como profilaxia em indivíduos expostos com imunodeficiência de células T, para os quais a vacinação contra varíola é contraindicada. No entanto, atualmente não se sabe se essas pessoas com infecção por varíola dos macacos se beneficiarão deste tratamento.

Conclusão

O vírus Monkeypox é um ortopoxvírus altamente contagioso que atualmente está causando um surto global, principalmente entre homens homossexuais. O controle desse surto internacional exigirá uma coordenação cuidadosa entre autoridades de saúde pública, médicos e a comunidade para divulgar informações, obter testes de diagnóstico apropriados, implementar o rastreamento de contatos e garantir que os indivíduos afetados e seus contatos tenham acesso a cuidados médicos.