Uma investigação realizada em colaboração com 70 institutos especializados de diferentes países descobriu uma variante genética responsável pela deterioração da esclerose múltipla (EM), segundo um artigo publicado pela revista especializada Nature. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de um novo medicamento contra a progressão dessa doença.
Mais de 2,8 milhões de pessoas em todo mundo sofrem de EM, uma doença em que o sistema imunológico degrada a cobertura protetora dos nervos e esse dano interrompe a comunicação entre o cérebro e o corpo, causando uma variedade de sintomas, incluindo problemas de visão, movimento e equilíbrio. Embora existam tratamentos que ajudem a controlar os sintomas, não há cura para a doença.
O estudo foi resultado de uma ampla colaboração de mais de 70 institutos nos quais os pesquisadores primeiro combinaram os dados genéticos de mais de 12.000 pessoas com EM para estudar quais variantes eles compartilhavam e com que rapidez a doença progredia.
De sete milhões de variantes, apenas uma foi associada à rápida progressão da doença, e é aquela que "se encontra entre dois genes chamados DYSF e ZNF638, que até agora não foram relacionados com a EM", detalhou o estudo, informou pela agência AFP. Enquanto o primeiro gene trabalha para reparar células danificadas, o outro ajuda a controlar infecções virais.
Esses genes são muito mais ativos no cérebro e na medula espinhal do que no sistema imunológico, onde a pesquisa de drogas se concentrou até agora, descreveu o artigo.
"Herdar essa variante genética de ambos os pais avança em quase quatro anos o tempo em que uma pessoa precisará de ajuda para andar", disse o pesquisador americano e coautor do estudo, Sergio Baranzini, em comunicado.
O fato de a pesquisa ter como alvo o sistema nervoso, e não o sistema imunológico, "abre um novo caminho potencial para tratamentos, o que é realmente empolgante", disse Ruth Dobson, neurologista da Queen Mary University of London, que não participou da pesquisa.
Resumo traduzido
Com objetivo de fornecer informações sobre os mecanismos potenciais envolvidos na progressão da esclerose múltipla, pesquisadores realizaram um estudo de associação do genoma da pontuação de gravidade da EM relacionada à idade em 12.584 casos e replicaram as descobertas em outros 9.805 casos. Identificaram uma associação significativa com rs10191329 no lócus DYSF-ZNF638, cujo alelo de risco estava associado a um tempo mediano reduzido para a necessidade de auxílio para caminhada de uma média de 3,7 anos em portadores homozigotos e com um aumento da patologia cortical e do tronco cerebral no cérebro tecido. Também identificaram uma associação sugestiva com rs149097173 no lócus DNM3-PIGC e um significativo enriquecimento de herdabilidade em tecidos do SNC. As análises de randomização mendeliana sugeriram um potencial papel protetor para maior nível educacional. Em contraste com a suscetibilidade impulsionada pelo sistema imunológico, esses achados indicaram um papel fundamental para a resiliência do SNC e reserva potencialmente neuro cognitiva na determinação do resultado na EM.