| Introdução |
Pacientes com doenças cardiovasculares estão em risco aumentado de complicações relacionadas à gripe. A vacinação é uma estratégia eficaz para reduzir esses eventos adversos. Embora a sua proteção seja atenuada em idosos ou pessoas com comorbidades devido à resposta reduzida de anticorpos, formulações com concentrações mais altas de hemaglutinina podem melhorar a eficácia e a imunogenicidade nesses grupos.
No estudo Influenza Vaccine to Effectively Stop Cardio Thoracic Events and Decompensated Heart Failure (INVESTED), a vacina inativada contra a gripe trivalente de alta dose não reduziu a mortalidade por todas as causas nem as hospitalizações cardiopulmonares em comparação com a vacina quadrivalente de dose padrão. No entanto, eles não investigaram se a resposta humoral pode diferir em pacientes com doenças cardiovasculares de alto risco e se essa está associada a eventos clínicos. Por isso, Peikert e colaboradores (2024) analisaram a resposta de anticorpos de acordo com a dose da vacina e suas associações com desfechos clínicos.
| Métodos |
Os pesquisadores fizeram uma análise secundária do estudo INVESTED. Esse foi um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado ativamente, de vacina inativada contra influenza trivalente de alta dose (60 μg de hemaglutinina por cepa) ou contra influenza quadrivalente de dose padrão (15 μg de hemaglutinina por cepa), realizada em 157 locais nos Estados Unidos e Canadá, entre setembro de 2016 e janeiro de 2019. Os critérios de elegibilidade incluíam infarto agudo do miocárdio (IAM) dentro de 1 ano ou hospitalização por insuficiência cardíaca (IC) dentro de 2 anos da inscrição e pelo menos um fator de risco adicional.
Os títulos de anticorpos para antígenos da gripe foram medidos no início do estudo e quatro semanas após. As concentrações foram medidas por ensaio de inibição de hemaglutinação realizado em duplicata usando técnicas padrão de microtitulação.
Os principais desfechos analisados foram mudança média nos títulos de anticorpos, soroproteção (nível de título de anticorpo ≥1:40) e soroconversão (aumento ≥4 vezes no título) em 4 semanas, e a associação entre o status de soroconversão e o risco de desfechos clínicos adversos.
| Resultados |
Dados de anticorpos estavam disponíveis para 658 dos 5.260 participantes randomizados (idade média de 66,2 anos; 77,1% homens; 348 com insuficiência cardíaca). A vacina de alta dose foi associada a um aumento na magnitude dos títulos de anticorpos para os antígenos A/H1N1, A/H3N2 e B, em comparação com a dose padrão. Mais de 92% dos participantes atingiram soroproteção para cada um dos antígenos contidos, enquanto as taxas de soroconversão foram maiores nos que receberam a vacina de alta dose.
Sendo assim, a vacina de alta dose resultou em um aumento nos títulos de anticorpos e maiores taxas de soroconversão.
Embora a vacina de alta dose tenha resultado em uma resposta imunológica mais robusta, níveis mais altos de soroproteção e status de soroconversão não se traduziram em benefícios na mortalidade por todas as causas ou nas hospitalizações cardiopulmonares, independentemente do grupo de tratamento.
| Conclusão |
Em pacientes com IC ou IAM prévio, a vacina de alta dose desencadeou uma resposta humoral mais robusta em comparação com a de dose padrão, sem associação entre o status de soroconversão e o risco de hospitalizações cardiopulmonares ou mortalidade por todas as causas. Sendo assim, a imunização continua sendo fundamental para a prevenção da gripe em populações de alto risco.