| Introdução |
Os transtornos alimentares são condições psiquiátricas caracterizadas por padrões anormais de alimentação e controle de peso, que podem levar a sérias consequências para a saúde física e mental. Entre os principais transtornos estão a anorexia nervosa, a bulimia nervosa, o transtorno da compulsão alimentar periódica e o transtorno alimentar não especificado, sendo cada um deles definido por sinais, sintomas e níveis distintos de gravidade.
Embora a prevalência varie entre diferentes populações, sabe-se que os transtornos alimentares são comuns em crianças e adolescentes. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a prevalência desses entre jovens de 11 a 19 anos varia de 1,2% entre os meninos a 5,7% entre as meninas, com um aumento significativo nos últimos anos.
Diante desse cenário, López-Gil e colaboradores (2023) realizaram uma revisão sistemática e metanálise com o objetivo de estimar a proporção global de crianças e adolescentes com transtornos alimentares, além de analisar sua distribuição em grupos de risco.
| Métodos |
A pesquisa foi conduzida a partir da busca em bases de dados renomadas, como PubMed, Scopus, Web of Science e Cochrane Library, abrangendo estudos publicados entre 1999 e 2022. Os critérios de inclusão foram: (1) População-alvo: Estudos com amostras comunitárias de crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos. (2) Desfecho primário: Diagnóstico de transtornos alimentares avaliado pelo questionário Sick, Control, One, Fat, Food (SCOFF). Além disso, a revisão sistemática e a metanálise seguiram as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), garantindo rigor metodológico e transparência na análise dos dados.
| Resultados |
Foram incluídos 32 estudos, totalizando 63.181 participantes de 16 países diferentes. A proporção geral de crianças e adolescentes com transtornos alimentares foi de 22,36% (índice de confiança [IC] de 95%: 18,84%-26,09%; P < 0,001). As meninas apresentaram uma prevalência significativamente maior (30,03%; IC 95%: 25,61%-34,65%) em comparação aos meninos (16,98%; IC 95%: 13,46%-20,81%) (P < 0,001). O risco de transtornos alimentares aumentou com a idade (B = 0,03; IC 95%: 0-0,06; P = 0,049) e com o índice de massa corporal (B = 0,03; IC 95%: 0,01-0,05; P < 0,001).
| Conclusão |
Os achados da pesquisa de López-Gil e colaboradores (2023) evidenciaram que aproximadamente 22% das crianças e adolescentes apresentaram sinais de transtornos alimentares com base no questionário SCOFF. O estudo confirmou tendências previamente observadas, como a maior prevalência entre meninas e o aumento da incidência com a idade e o IMC. Esses resultados são alarmantes do ponto de vista da saúde pública, destacando a necessidade urgente de desenvolver e implementar estratégias eficazes para prevenir e detectar precocemente os transtornos alimentares nessa população. O avanço em políticas de educação nutricional, apoio psicológico e intervenções precoces pode desempenhar um papel fundamental na mitigação desse problema crescente.