A terapia hormonal da menopausa (TH) é eficaz para o alívio dos sintomas vasomotores, mas permanece controversa quanto à segurança a longo prazo, especialmente em mulheres com mais de 65 anos. Apesar de diretrizes recomendarem o início antes dos 60 anos, uma proporção considerável de pacientes continua ou inicia a TH mais tardiamente. Para compreender quais os efeitos da terapia, Carney e colaboradores (2026) compararam os desfechos de saúde da TH em mulheres com 65 anos ou mais, especialmente aquelas que iniciaram a terapia após os 65 anos, em comparação com usuárias mais jovens e não usuárias.
Para isso, eles realizaram um estudo de coorte retrospectivo que incluiu 83.147 mulheres com 50 anos ou mais, inscritas na Clalit Health Services (2000–2022). Elas foram categorizadas de acordo com a idade de início da TH: nunca usuárias, iniciantes entre 50–65 anos, iniciantes aos 65 anos ou mais, ou iniciantes após os 50 anos que continuaram o uso além dos 65 anos. Os desfechos incluíram neoplasias, eventos cardiovasculares, osteoporose e demência. As diferenças entre os grupos foram avaliadas por meio de testes χ², e as associações tempo‑até‑evento foram examinadas utilizando modelos de riscos proporcionais de Cox, com a idade como escala temporal subjacente.
O uso de TH foi associado a riscos aumentados de diversas neoplasias, incluindo cânceres hormônio‑dependentes e não hormônio‑dependentes. Nas análises brutas, mulheres que iniciaram a TH entre 50–65 anos apresentaram menor prevalência de doença cardíaca isquêmica/infarto do miocárdio, porém maior de hipertensão. Nos modelos de Cox ajustados, o início da TH aos 65 anos ou mais foi associado a maior risco de qualquer câncer e acidente vascular encefálico.
Em suma, o início da TH após os 65 anos foi associado a aumentos significativos no risco de câncer e de eventos vasculares, corroborando as diretrizes atuais que desestimulam o início tardio da terapia. Embora a TH possa oferecer alguns benefícios cardiovasculares quando iniciada precocemente, o uso em mulheres mais idosas deve envolver avaliação individualizada da relação risco‑benefício e monitoramento rigoroso. Esses achados reforçaram a necessidade de alinhar a prática clínica às evidências emergentes e às recomendações das diretrizes.