Um ensaio clínico de fase III (TALAPRO-3) demonstrou que a combinação de talazoparibe e enzalutamida pode reduzir significativamente o risco de progressão da doença ou morte em pacientes com câncer de próstata metastático sensível à castração com alterações genéticas específicas.
O estudo, liderado por Neeraj Agarwal (Huntsman Cancer Institute, Universidade de Utah), avaliou 599 pacientes com doença metastática e mutações como BRCA1 e BRCA2, associadas a pior prognóstico. Os participantes foram randomizados para receber enzalutamida isolada (tratamento padrão) ou em combinação com talazoparibe, um inibidor de PARP.
Após mais de três anos de seguimento, a terapia combinada reduziu o risco de progressão ou morte em 52% e apresentou maior sobrevida livre de progressão radiográfica: 77% versus 56% no grupo controle. Os benefícios foram consistentes em subgrupos com mutações genéticas.
A enzalutamida atua bloqueando o receptor de andrógenos, enquanto o talazoparibe impede a reparação do DNA em células tumorais, potencializando o efeito antitumoral. A estratégia visa retardar a evolução para doença resistente à castração, estágio em que a terapia hormonal perde eficácia.
Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine e apresentados na ASCO, reforçaram a importância dos testes genéticos na prática clínica para identificação de pacientes candidatos ao tratamento personalizado. Além disso, a combinação não mostrou impacto relevante na qualidade de vida em comparação ao tratamento padrão.
O TALAPRO-3 ampliou evidências anteriores (TALAPRO-2) e fortaleceu o uso precoce da terapia combinada em pacientes com alterações em genes de reparo do DNA, representando um avanço no manejo do câncer de próstata metastático.