O Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla (EM), celebrado em 30 de agosto dentro da campanha Agosto Laranja, reforça a importância do reconhecimento precoce dos sinais da doença e do acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento. No Brasil, a prevalência estimada é de 8,6 casos por 100 mil habitantes, com maior concentração na Região Sul, afetando principalmente mulheres entre 20 e 50 anos.
A doença ocorre quando o sistema imunológico ataca a mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas do sistema nervoso central, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o restante do organismo. Como consequência, os pacientes podem apresentar sintomas como alterações visuais, fadiga intensa, fraqueza muscular, dormência, formigamentos, perda de equilíbrio e dificuldades de coordenação motora. Embora ainda não tenha cura, os avanços no diagnóstico e nas terapias modificadoras da doença têm permitido melhor controle da progressão da enfermidade, reduzindo a frequência dos surtos e contribuindo para a manutenção da funcionalidade e da qualidade de vida dos pacientes.
Apesar desses avanços, o diagnóstico precoce ainda é um desafio no Brasil. Pesquisa realizada pela HSR Health em parceria com a Roche Farma, e divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), revelou que 56,8% dos pacientes receberam pelo menos um diagnóstico incorreto antes da confirmação da doença. O estudo também mostrou que 26,6% dos entrevistados aguardaram mais de cinco anos para obter o diagnóstico definitivo, enquanto 14,1% levaram dez anos ou mais entre o surgimento dos primeiros sintomas e a confirmação da esclerose múltipla. Segundo especialistas, a semelhança dos sintomas iniciais com os de outras condições clínicas frequentemente atrasa o diagnóstico da doença, favorecendo o acúmulo de danos neurológicos irreversíveis e aumentando o risco de progressão da incapacidade ao longo do tempo.
Além dos sintomas físicos, a esclerose múltipla também traz repercussões emocionais, sociais e profissionais importantes. A pesquisa da ABEM apontou que 73,4% dos pacientes deixaram de realizar atividades que gostariam devido a dificuldades emocionais, enquanto 41,6% relataram evitar eventos sociais com frequência. No ambiente de trabalho, 72,8% afirmaram que a doença impactou sua renda ou oportunidades de crescimento profissional. O estudo ainda mostrou que 32,6% optaram por não revelar o diagnóstico por medo de preconceito ou discriminação.
> Jornada do paciente no SUS
No Sistema Único de Saúde (SUS), o diagnóstico é baseado na avaliação clínica, especialmente neurológica, associada a exames complementares como ressonância magnética e análise do líquido cefalorraquidiano (líquor). Como não existe um teste único capaz de confirmar a doença, o diagnóstico depende da combinação de critérios clínicos, radiológicos e laboratoriais, além da exclusão de outras enfermidades com manifestações semelhantes.
Após a confirmação diagnóstica, os pacientes são acompanhados conforme as diretrizes do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da esclerose múltipla. O cuidado envolve assistência multiprofissional e pode incluir neurologistas, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e equipes de reabilitação, além de centros especializados em doenças raras.
Atualmente, o SUS disponibiliza nove medicamentos modificadores do curso da doença:
- Acetato de glatirâmer;
- Alentuzumabe Betainterferona 1A;
- Betainterferona 1B;
- Cladribina oral;
- Fingolimode;
- Fumarato de dimetila;
- Natalizumabe;
- Teriflunomida;
A escolha terapêutica é individualizada e considera fatores como atividade da doença, perfil clínico e resposta ao tratamento.
Os avanços registrados nos últimos anos têm mudado significativamente a perspectiva dos pacientes diagnosticados com esclerose múltipla. Especialistas destacaram que o tratamento precoce reduz o risco de incapacidade física permanente e permite que muitos pacientes mantenham suas atividades profissionais, familiares e sociais.
Por fim, especialistas reforçaram a importância de ampliar o conhecimento sobre a esclerose múltipla entre a população e os profissionais de saúde. O reconhecimento precoce dos sintomas, associado ao acesso oportuno ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento multidisciplinar ofertados pelo SUS, é fundamental para reduzir a progressão da doença, preservar a funcionalidade e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes.
Publicado el 30 de agosto de 2026
Doenças raras
SUS oferta exames de diagnóstico, tratamento e acompanhamento multidisciplinar para esclerose múltipla
Campanha Agosto Laranja reforça importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento para reduzir a progressão da doença e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
Fuente: Ministério da Saúde SUS oferta exames de diagnóstico, tratamento e acompanhamento multidisciplinar para esclerose múltipla
Apesar desses avanços, o diagnóstico precoce ainda é um desafio no Brasil. Pesquisa realizada pela HSR Health em parceria com a Roche Farma, e divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), revelou que 56,8% dos pacientes receberam pelo menos um diagnóstico incorreto antes da confirmação da doença. O estudo também mostrou que 26,6% dos entrevistados aguardaram mais de cinco anos para obter o diagnóstico definitivo, enquanto 14,1% levaram dez anos ou mais entre o surgimento dos primeiros sintomas e a confirmação da esclerose múltipla. Segundo especialistas, a semelhança dos sintomas iniciais com os de outras condições clínicas frequentemente atrasa o diagnóstico da doença, favorecendo o acúmulo de danos neurológicos irreversíveis e aumentando o risco de progressão da incapacidade ao longo do tempo.
Além dos sintomas físicos, a esclerose múltipla também traz repercussões emocionais, sociais e profissionais importantes. A pesquisa da ABEM apontou que 73,4% dos pacientes deixaram de realizar atividades que gostariam devido a dificuldades emocionais, enquanto 41,6% relataram evitar eventos sociais com frequência. No ambiente de trabalho, 72,8% afirmaram que a doença impactou sua renda ou oportunidades de crescimento profissional. O estudo ainda mostrou que 32,6% optaram por não revelar o diagnóstico por medo de preconceito ou discriminação.
> Jornada do paciente no SUS
No Sistema Único de Saúde (SUS), o diagnóstico é baseado na avaliação clínica, especialmente neurológica, associada a exames complementares como ressonância magnética e análise do líquido cefalorraquidiano (líquor). Como não existe um teste único capaz de confirmar a doença, o diagnóstico depende da combinação de critérios clínicos, radiológicos e laboratoriais, além da exclusão de outras enfermidades com manifestações semelhantes.
Após a confirmação diagnóstica, os pacientes são acompanhados conforme as diretrizes do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da esclerose múltipla. O cuidado envolve assistência multiprofissional e pode incluir neurologistas, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e equipes de reabilitação, além de centros especializados em doenças raras.
Atualmente, o SUS disponibiliza nove medicamentos modificadores do curso da doença:
A escolha terapêutica é individualizada e considera fatores como atividade da doença, perfil clínico e resposta ao tratamento.
Os avanços registrados nos últimos anos têm mudado significativamente a perspectiva dos pacientes diagnosticados com esclerose múltipla. Especialistas destacaram que o tratamento precoce reduz o risco de incapacidade física permanente e permite que muitos pacientes mantenham suas atividades profissionais, familiares e sociais.