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/ Publicado el 28 de mayo de 2025

Determinantes sociais da saúde

Solidão na terceira idade: um guia para profissionais de saúde

Estratégias de prevenção, avaliação e intervenção baseadas nas diretrizes da CCSMH para promover o bem-estar de idosos.

A solidão é definida como o sentimento subjetivo de necessidades sociais não atendidas ou a sensação de estar sozinho, enquanto o isolamento social é definido como poucos ou raros contatos sociais. Idosos são particularmente vulneráveis à ambas as condições devido a mudanças nas estruturas sociais, comorbidades médicas e ambientes de vida.

Estimativas europeias e americanas de prevalência de solidão relataram que essa questão afeta até um terço dos idosos. Como as melhores práticas em prevenção, avaliação e gerenciamento do isolamento social e da solidão são fundamentais para os prestadores de serviços de saúde e sociais, a Coalizão Canadense para a Saúde Mental de Idosos (CCSMH) publicou a primeira Diretriz Clínica sobre Isolamento Social e Solidão em Idosos em 2024.

As orientações foram divididas em prevenção, rastreamento e intervenções e elas foram destinadas à todos os contextos de prática clínica, como consultórios, hospitais, clínicas de atenção primária e agências comunitárias e governamentais.

Em relação à prevenção é importante que os profissionais de saúde conheçam os fatores de risco associados ao isolamento social e à solidão. Esses incluem, mas não se limitam a: idade avançada, sexo feminino, identificação como LGBTQIA+ e/ou como minoria étnica, morar sozinho, problemas episódicos de saúde física ou mental e ser cuidador/parceiro de cuidado. Além disso, como os profissionais de saúde e de serviço social são um importante ponto de contato para os idosos, eles devem aproveitar seu papel e conhecimento para educar os pacientes e o público sobre o isolamento social e a solidão.

Quanto à avaliação dos pacientes, é importante utilizar ferramentas de rastreamento baseadas em evidências. Estas podem incluir medidas de item único, como, a Escala de Solidão UCLA e a de Isolamento Social de Lubben. Os profissionais devem reconhecer que cada ferramenta pode não capturar a solidão e o isolamento em sua totalidade. Nos pacientes que forem identificados como tendo isolamento social e/ou solidão, uma revisão completa da história médica e social, fatores precipitantes (por exemplo, eventos da vida), sintomas psiquiátricos, insight e motivação para a mudança deve ser solicitada. Além disso, quando são detectados, estes devem ser documentados nos registros de saúde como um determinante social da saúde.

 Em relação às intervenções, os profissionais de saúde devem garantir que etiologias alternativas sejam gerenciadas inicial ou concomitantemente (por exemplo, condições médicas ou de saúde mental). É importante que os adotem uma abordagem individualizada com a tomada de decisões compartilhada para identificar intervenções que equilibrem os objetivos e preferências do indivíduo com as evidências disponíveis e os recursos locais. As intervenções podem incluir prescrição social, atividade física, terapias psicológicas (por exemplo, terapia cognitivo-comportamental), desenvolvimento de habilidades de lazer, terapia com animais e tecnologia. Embora estas sejam destacadas como potenciais estratégias de gestão, permanece uma importante lacuna de pesquisa em estudos de implementação, custo-efetividade e duração do efeito.

Em conclusão, as diretrizes representam um avanço significativo no enfrentamento do isolamento social e/ou solidão nos idosos. Elas forneceram uma estrutura abrangente para prevenção, avaliação e gerenciamento, enfatizando a importância de compreender os fatores de risco, utilizar ferramentas de rastreamento baseadas em evidências e adaptar as intervenções às necessidades individuais. Ao implementar essas diretrizes, os profissionais de saúde podem desempenhar um papel fundamental na redução do isolamento social e da solidão entre os idosos, melhorando, em última análise, seu bem-estar e qualidade de vida.