Artículos

Publicado el 4 de diciembre de 2024

Dados do estudo ELSI-Brasil

Sintomas depressivos e autoavaliação de saúde entre idosos brasileiros

Sintomas depressivos associado à autoavaliação negativa de saúde mesmo na ausência de doença

Introdução

A autoavaliação de saúde (AAS) é um indicador amplamente utilizado para avaliar a saúde geral, refletindo a percepção que o indivíduo tem de sua própria condição de saúde. Essa pode ser aferida através de uma pergunta simples: “Como você descreveria sua saúde geral?”. Essa abordagem permite ao indivíduo refletir sobre uma percepção integrada de sua saúde, incluindo aspectos objetivos (como o estado físico atual), comportamentos relacionados à saúde, avaliação subjetiva de sintomas e fatores psicológicos, ou seja, interpretações e percepções individuais sobre seu estado de saúde.

No entanto, em contextos clínicos, percepções positivas de AAS em indivíduos com condições médicas podem ser interpretadas como um mecanismo de negação. Por outro lado, uma percepção negativa em pessoas saudáveis pode estar associada a sintomas depressivos. A depressão, comum entre idosos, está associada à perda significativa de função física e qualidade de vida, impactando negativamente tanto o paciente quanto sua família e a sociedade em geral. Diante disso, Ito e colaboradores (2023) realizaram um estudo para verificar se sintomas depressivos estão significativamente associados a uma pior percepção do estado de saúde, independentemente da presença de morbidades físicas, além de investigar outros fatores associados à AAS entre idosos brasileiros.

Métodos

A revisão foi baseada em uma análise secundária dos dados do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), conduzido entre 2015 e 2016, utilizando uma amostra nacional representativa de 9.412 indivíduos com 50 anos ou mais. A autoavaliação de saúde foi categorizada em duas categorias: "ruim ou muito ruim" e "muito boa ou excelente, boa ou média". Os sintomas depressivos foram mensurados pela Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos (CES-D8). Adicionalmente, foram incluídas variáveis sociodemográficas, dados sobre comportamentos não saudáveis e o número de condições crônicas para análise.

Resultados

Após a análise, os autores observaram que a presença de sintomas depressivos esteve fortemente associada a uma AAS classificada como ruim ou muito ruim, tanto na análise bruta quanto na ajustada. A magnitude dessa associação diminuiu ao incluir o número de doenças crônicas na análise multivariada, juntamente com outras variáveis sociodemográficas e comportamentos não saudáveis, resultando em uma razão de chances (OR) de 1,35 (IC95% 1,31-1,39).

Conclusão

A revisão demonstrou que a AAS é uma ferramenta multidimensional, influenciada por condições crônicas, variáveis demográficas, socioeconômicas e comportamentos não saudáveis. Além disso, a presença de sintomas depressivos mostrou-se fortemente associada a uma percepção mais negativa da saúde, independentemente da existência de condições crônicas e outros fatores, evidenciando o impacto dos sintomas depressivos na percepção da saúde geral. Considerando que sintomas depressivos em idosos são uma condição potencialmente modificável e prevenível, os resultados desta análise apoiam a implementação de estratégias de intervenção precoce, visando promover uma percepção mais positiva da própria saúde.