As mudanças climáticas elevaram a temperatura média global com previsões de aquecimento de até 2,9°C até o fim do século caso as emissões de gases de efeito estufa não sejam drasticamente reduzidas. Este intensifica ondas de calor, duplicando sua frequência desde os anos 1980 e triplicando a duração em comparação com a década de 1960. Estudos mostraram que mais de um terço das mortes relacionadas ao calor podem ser atribuídas a emissões humanas, com impacto desproporcional em populações vulneráveis. Por isso, Bel e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo de resumir evidências sobre os riscos à saúde decorrentes do calor e explora estratégias para mitigar esses efeitos.
| Exposição ao calor e riscos à saúde |
A exposição ao calor representa um risco substancial à saúde humana, com efeitos que vão desde problemas agudos como exaustão por calor e insolação até complicações crônicas que incluem aumento da mortalidade cardiovascular, respiratória e renal. Temperaturas extremas também elevam os riscos de complicações na gravidez, como partos prematuros e natimortos, e estão associadas a transtornos mentais, incluindo ansiedade e comportamento agressivo. Estudos mostraram que períodos de calor extremo resultaram em aumentos significativos de visitas a pronto-socorro e hospitalizações por várias causas, incluindo doenças cardíacas e renais. Em 2022, temperaturas elevadas na Europa foram responsáveis por aproximadamente 61.672 mortes, destacando o impacto devastador do calor extremo.
> Populações de alto risco
Grupos marginalizados racial ou socioeconomicamente, pessoas socialmente isoladas, extremos de idade, e aqueles com condições crônicas são especialmente vulneráveis aos efeitos adversos do calor. Assim como, indivíduos mais velhos enfrentam risco elevado devido à termorregulação comprometida, uso de medicamentos que dificultam a dissipação de calor e limitação de acesso a ambientes climatizados. A combinação desses fatores internos e externos intensifica os impactos do calor nessas populações.
| Intervenções a nível individual e populacional |
Para reduzir os efeitos adversos do calor, além da mitigação das mudanças climáticas, são necessárias intervenções que vão desde medidas individuais, como limitar a exposição, manter-se hidratado, usar roupas leves e protetor solar, até intervenções populacionais. Em nível populacional, é fundamental promover a educação pública sobre os riscos do calor e estratégias de prevenção, especialmente para comunidades vulneráveis. Políticas de saúde pública devem ser adaptadas às condições locais, incluindo alertas de calor, centros de resfriamento e programas de identificação de grupos de alto risco. Além disso, mudanças na infraestrutura, como superfícies reflexivas e arborização, podem ajudar a reduzir a temperatura ambiente.
Estudos adicionais são necessários para avaliar os benefícios de intervenções contra o calor, tanto individuais quanto comunitárias, que frequentemente trazem "cobenefícios," como maior atividade física e saúde mental. Por fim, pesquisas multissetoriais são urgentes para entender as consequências de um mundo mais quente e desenvolver estratégias adaptativas eficazes, especialmente para populações em maior risco, como comunidades marginalizadas e de baixa renda.
Publicado el 4 de diciembre de 2024
Artigo de revisão
Mudanças climáticas, calor extremo e saúde
As alterações climáticas levaram a um aumento de 1,1°C na temperatura média global desde a Revolução Industrial
Autor/a: Bell, M. (2024)
Fuente: NEJM Climate Change, Extreme Heat, and Health
As mudanças climáticas elevaram a temperatura média global com previsões de aquecimento de até 2,9°C até o fim do século caso as emissões de gases de efeito estufa não sejam drasticamente reduzidas. Este intensifica ondas de calor, duplicando sua frequência desde os anos 1980 e triplicando a duração em comparação com a década de 1960. Estudos mostraram que mais de um terço das mortes relacionadas ao calor podem ser atribuídas a emissões humanas, com impacto desproporcional em populações vulneráveis. Por isso, Bel e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo de resumir evidências sobre os riscos à saúde decorrentes do calor e explora estratégias para mitigar esses efeitos.
A exposição ao calor representa um risco substancial à saúde humana, com efeitos que vão desde problemas agudos como exaustão por calor e insolação até complicações crônicas que incluem aumento da mortalidade cardiovascular, respiratória e renal. Temperaturas extremas também elevam os riscos de complicações na gravidez, como partos prematuros e natimortos, e estão associadas a transtornos mentais, incluindo ansiedade e comportamento agressivo. Estudos mostraram que períodos de calor extremo resultaram em aumentos significativos de visitas a pronto-socorro e hospitalizações por várias causas, incluindo doenças cardíacas e renais. Em 2022, temperaturas elevadas na Europa foram responsáveis por aproximadamente 61.672 mortes, destacando o impacto devastador do calor extremo.
> Populações de alto risco
Grupos marginalizados racial ou socioeconomicamente, pessoas socialmente isoladas, extremos de idade, e aqueles com condições crônicas são especialmente vulneráveis aos efeitos adversos do calor. Assim como, indivíduos mais velhos enfrentam risco elevado devido à termorregulação comprometida, uso de medicamentos que dificultam a dissipação de calor e limitação de acesso a ambientes climatizados. A combinação desses fatores internos e externos intensifica os impactos do calor nessas populações.
Para reduzir os efeitos adversos do calor, além da mitigação das mudanças climáticas, são necessárias intervenções que vão desde medidas individuais, como limitar a exposição, manter-se hidratado, usar roupas leves e protetor solar, até intervenções populacionais. Em nível populacional, é fundamental promover a educação pública sobre os riscos do calor e estratégias de prevenção, especialmente para comunidades vulneráveis. Políticas de saúde pública devem ser adaptadas às condições locais, incluindo alertas de calor, centros de resfriamento e programas de identificação de grupos de alto risco. Além disso, mudanças na infraestrutura, como superfícies reflexivas e arborização, podem ajudar a reduzir a temperatura ambiente.
Estudos adicionais são necessários para avaliar os benefícios de intervenções contra o calor, tanto individuais quanto comunitárias, que frequentemente trazem "cobenefícios," como maior atividade física e saúde mental. Por fim, pesquisas multissetoriais são urgentes para entender as consequências de um mundo mais quente e desenvolver estratégias adaptativas eficazes, especialmente para populações em maior risco, como comunidades marginalizadas e de baixa renda.