| Introdução |
As doenças autoimunes são caracterizadas pela desregulação imunológica, que resulta em danos aos tecidos do próprio organismo. A prevalência dessas vem aumentando globalmente, impulsionada por fatores ambientais e de estilo de vida. A inatividade física é um fator de risco significativo para a progressão dessas doenças, e, portanto, recomenda-se o treinamento físico para esses pacientes, em conjunto com medicamentos e cuidados clínicos, para melhorar a qualidade de vida, a capacidade cardiorrespiratória, a força muscular e aliviar sintomas como dor e depressão.
Estudos demonstraram que o exercício físico regular tem efeitos anti-inflamatórios, promovendo a liberação de hormônios (como cortisol e adrenalina) e miocinas que reduzem a produção de citocinas pró-inflamatórias. Além disso, a atividade física mobiliza células T reguladoras (Treg), Natural Killer e outras células imunológicas que liberam a citocina anti-inflamatória IL-10. O exercício também está associado à redução do tecido adiposo visceral, importante para controlar a inflamação sistêmica, uma vez que o aumento desse tecido está relacionado à proliferação de células imunológicas inflamatórias.
Luo e colaboradores (2024) realizaram uma revisão sistemática para sintetizar os efeitos anti-inflamatórios de diferentes intervenções de exercício físico, tanto agudas quanto regulares, em pacientes com doenças autoimunes.
| Métodos |
Para a revisão sistemática, os autores realizaram uma busca abrangente nas bases de dados PubMed, Web of Science e Embase, incluindo estudos publicados entre 1º de janeiro de 2003 e 31 de agosto de 2023. Foram incluídos estudos que abordavam ensaios clínicos randomizados e não randomizados sobre intervenções de exercícios em participantes com doenças autoimunes, desde que avaliassem biomarcadores relacionados à inflamação. A qualidade das evidências foi analisada utilizando a escala Tool for the Assessment of Study Quality and Reporting in Exercise e a ferramenta de avaliação de risco de viés da Cochrane.
| Resultados |
A revisão identificou inicialmente 14.565 registros. Após a triagem de títulos, resumos e textos completos, 87 estudos foram considerados elegíveis para a análise sistemática. Esses estudos foram conduzidos em 25 países e incluíram um total de 2.779 participantes com doenças autoimunes, alocados em grupos de exercícios ou controle. No geral, as evidências indicaram que intervenções regulares de exercícios reduziram marcadores inflamatórios, como proteína C-reativa, interleucina 6 e fator de necrose tumoral α. Intervenções que combinaram diferentes modalidades de exercícios foram associadas a benefícios ainda maiores.
| Conclusão |
A revisão demonstrou que a atividade física regular em pacientes com doenças autoimunes exerce um efeito anti-inflamatório significativo. O estudo reforçou a importância de promover e desenvolver programas de intervenção baseados em exercícios clínicos para esses pacientes. Conclui-se que a maioria dos pacientes com doenças autoimunes pode adotar com segurança protocolos de exercícios de intensidade moderada.