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Publicado el 6 de julio de 2025

Relato de caso

Síndrome de dor regional complexa pós herpes-zóster

Reconhecimento precoce da SDRC após herpes-zóster é essencial para o manejo adequado e diferenciação de outras neuropatias, como a nevralgia pós-herpética.

Autor/a: Preema, S. et al.

Fuente: Indian J Dermatol Venereol Leprol. ;90:794-6. (2024) A case of complex regional pain syndrome post herpes zoster; An underreported condition

Definição

A síndrome de dor regional complexa (SDRC) é uma condição crônica que afeta tipicamente as extremidades e caracteriza-se por dor regional persistente, desproporcional ao evento inicial. Difere-se de outras síndromes de dor crônica pela presença de sinais de alterações autonômicas e inflamatórias proeminentes na região dolorosa, sendo diagnosticada com base nos critérios de Budapeste:

1. Dor contínua desproporcional a qualquer evento desencadeante. 

2. Relato de ao menos um sintoma em três das quatro categorias: 

   • Sensorial: hipersensibilidade e/ou alodínia. 

   • Vasomotora: assimetria de temperatura e/ou alterações de cor. 

   • Sudomotora/edema. 

   • Motora/trófica: diminuição de amplitude de movimento e/ou disfunção motora (fraqueza, tremor, distonia) e/ou mudanças tróficas (pele, unhas, pelos). 

3. Presença de ao menos um sinal em duas ou mais categorias no exame: 

   • Sensorial: evidência de hiper­algesia (picada) e/ou alodínia (toque leve, pressão profunda).

   • Vasomotora: assimetria de cor e/ou temperatura. 

   • Sudomotora/edema: evidências de sudorese ou edema assimétrico. 

   • Motora/trófica: limitação de movimento e/ou disfunção motora e/ou alterações tróficas. 

4. Ausência de outro diagnóstico que explique melhor os sinais e sintomas. 

 

A infecção por herpes-zóster (HZ) apresenta-se com lesões vesiculobolhosas em distribuição dermatomal, resultantes da reativação do vírus varicela-zóster (VZV). Essa reativação nos gânglios da raiz dorsal leva ao desenvolvimento do herpes-zóster, uma erupção cutânea localizada acompanhada de dor neuropática.

Apresentação do caso

 Um paciente do sexo masculino, 20 anos, com histórico de herpes-zóster em C5 há 1 mês, apresentou dor no membro superior direito. Inicialmente avaliado como possível nevralgia pós-herpética, recebeu gabapentina, tramadol e Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), mas, após um mês, voltou com piora da dor e múltiplas vesículas brilhantes na mão direita, associadas a sudorese excessiva. Negou trauma, convulsões ou fraqueza muscular.

No exame físico, observou-se dor e queimação intensa (EVA 7/10), alodínia, alterações de temperatura e sudorese acentuada, excedendo em quase 80% o lado contralateral, com miliária cristalina na mão e antebraço direitos. O exame motor das extremidades superiores e inferiores estava preservado, assim como os exames laboratoriais, de imagem e eletroneuromiografia estavam normais.

O diagnóstico de SDRC pós-herpes-zóster no membro superior direito foi confirmado pelos critérios de Budapest em conjunto com neurologista, que iniciou carbamazepina e pregabalina 75 mg duas vezes ao dia, com melhora progressiva em um mês.

Embora a SDRC limitada à mão seja rara (≈12%), deve ser considerada em dor pós-HZ persistente e refratária, sobretudo na presença de alterações tróficas, sensoriais e autonômicas. Hipóteses patogênicas incluem sensibilização simpático-nociceptiva, inflamação viral precoce e sinapses aberrantes, evidenciadas por sinais inflamatórios já no primeiro mês.

A SDRC deve ser suspeitada em pacientes pós-herpes-zóster que não respondem ou pioram apesar do tratamento precoce, especialmente quando há dor associada a alterações tróficas, sensoriais e motoras. Esse caso foi relatado para chamar atenção à ocorrência tardia da SDRC após herpes-zóster, frequentemente subdiagnosticada como nevralgia pós-herpética.

Tabela 1. Diferenças entre SDRC e nevralgia pós-herpética (PHN). Tabela adaptada de Sinha P. e colaboradores (2024).