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Publicado el 16 de diciembre de 2024

Avaliação de efeitos

Semaglutida em pacientes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção preservada ou levemente reduzida

Uma análise conjunta de ensaios randomizados

Introdução

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida ou preservada (HFpEF) representa a forma mais prevalente de insuficiência cardíaca, associada a um elevado risco de hospitalização e mortalidade, principalmente em pacientes com sobrepeso, obesidade ou diabetes tipo 2. Nos estudos STEP-HFpEF e STEP-HFpEF DM, observou-se que a semaglutida proporcionou melhorias nos sintomas de insuficiência cardíaca e nas limitações físicas dos participantes com HFpEF. No entanto, ainda não está claro se a semaglutida também reduz eventos clínicos relacionados à insuficiência cardíaca nesse grupo.

Visando investigar essa questão, Kosiborod e colaboradores (2024) realizaram uma análise post-hoc combinada de quatro ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo (SELECT, FLOW, STEP-HFpEF e STEP-HFpEF DM) para avaliar os efeitos do uso semanal de semaglutida subcutânea sobre eventos de insuficiência cardíaca.

Métodos

Os ensaios STEP-HFpEF e STEP-HFpEF DM recrutaram participantes com HFpEF associada à obesidade; o estudo SELECT incluiu participantes com doença cardiovascular aterosclerótica e sobrepeso ou obesidade; e o ensaio FLOW inscreveu indivíduos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. Nesta análise, os principais desfechos avaliados foram: (1) o tempo até a ocorrência do desfecho composto de morte cardiovascular ou primeiro evento de piora da insuficiência cardíaca (definido como hospitalização ou visita de urgência por insuficiência cardíaca); (2) o tempo até o primeiro evento de piora da insuficiência cardíaca; e (3) o tempo até a ocorrência de morte cardiovascular. Os desfechos de eficácia e segurança foram analisados utilizando o conjunto de análise completo, ou seja, todos os participantes randomizados para tratamento, de acordo com o princípio da intenção de tratar.

Resultados

Nos quatro ensaios, dos 22.282 participantes, 3.743 (16,8%) apresentavam histórico de HFpEF, sendo 1.914 designados para o grupo semaglutida e 1.829 para o grupo placebo. Entre os participantes com HFpEF, o tratamento com semaglutida reduziu o risco do desfecho composto de morte cardiovascular ou eventos de piora da insuficiência cardíaca (103 [5,4%] dos 1.914 participantes no grupo semaglutida vs. 138 [7,5%] dos 1.829 no grupo placebo; razão de risco [HR] 0,69 [IC 95% 0,53–0,89]; p=0,0045). A semaglutida também reduziu o risco de eventos de piora da insuficiência cardíaca (54 [2,8%] vs. 86 [4,7%]; HR 0,59 [IC 95% 0,41–0,82]; p=0,0019). Contudo, não foi observado efeito significativo sobre a morte cardiovascular isoladamente (59 [3,1%] vs. 67 [3,7%]; HR 0,82 [IC 95% 0,57–1,16]; p=0,25). Além disso, uma proporção menor de pacientes no grupo semaglutida apresentou eventos adversos graves em comparação ao grupo placebo (572 [29,9%] vs. 708 [38,7%]).

Conclusão

A análise revelou que, em pacientes com HFpEF, a semaglutida reduziu o risco do desfecho combinado de morte cardiovascular ou piora dos eventos de insuficiência cardíaca, bem como o risco de piora desses eventos de forma isolada, embora seu impacto sobre a morte cardiovascular isoladamente não tenha sido significativo. Esses achados sustentaram a semaglutida como uma opção terapêutica eficaz para reduzir o risco de eventos clínicos de insuficiência cardíaca em pacientes com HFpEF, um grupo para o qual há atualmente poucas alternativas de tratamento disponíveis.