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/ Publicado el 23 de enero de 2025

Novas indicações

Semaglutida e Liraglutida para o transtorno por uso de álcool

Estudo sueco revela que semaglutida e liraglutida diminuem significativamente o risco de hospitalização por transtorno por uso de álcool, com efeito superior ao de tratamentos tradicionais.

Autor/a: Lähteenvuo M, Tiihonen J, Solismaa A, Tanskanen A, Mittendorfer-Rutz E, Taipale H.

Fuente: JAMA Psychiatry. Published online November 13, 2024. doi:10.1001/jamapsychiatry.2024.3599 epurposing Semaglutide and Liraglutide for Alcohol Use Disorder. JAMA Psychiatry.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o consumo nocivo de álcool é responsável por 5,1% da carga global de doenças. Os tratamentos psicossociais são o alicerce no manejo do transtorno por uso de álcool (TUA), mas os tratamentos farmacológicos também são eficazes, embora pouco utilizados.

Os agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) são aprovados para uso clínico no tratamento de diabetes e obesidade. Estudos pré-clínicos em roedores e macacos, assim como relatos de casos em humanos, demonstraram que os agonistas de GLP-1 podem reduzir o consumo de álcool. Em humanos, variações genéticas no gene do receptor GLP-1 (GLP-1R) foram associadas ao aumento do risco de TUA. Um estudo recente realizado na Dinamarca também mostrou que o uso de agonistas de GLP-1 foi associado a uma redução transitória (de 3 meses) no risco de eventos relacionados ao álcool.

Por isso, Lähteenvuo e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo de investigar o potencial dos agonistas de GLP-1 como tratamento para reduzir os danos relacionados ao álcool por meio da análise de dados reais obtidos de registros suecos.

Realizaram um estudo de coorte observacional na Suécia, utilizando dados de janeiro de 2006 a dezembro de 2023. A coorte populacional foi identificada a partir de registros de internações hospitalares, atendimentos ambulatoriais especializados, afastamentos por doença e aposentadoria por invalidez. Os participantes incluíram todos os residentes de 16 a 64 anos que tinham um diagnóstico de transtorno por uso de álcool (TUA).

A exposição primária foi o uso de agonistas individuais de GLP-1 (comparado ao não uso desses medicamentos). A exposição secundária foi o uso de medicamentos indicados para o tratamento de TUA.

A coorte incluiu 227.866 indivíduos com TUA; 63,5% eram do sexo masculino, com uma idade média de 40,0 anos. O tempo médio de acompanhamento foi de 8,8 anos. Um total de 133.210 indivíduos (58,5%) foram hospitalizados devido ao TUA. Tanto o uso da semaglutida (4.321 usuários) quanto o da liraglutida (2.509 usuários) foram associados tanto a um menor risco de hospitalização tanto por TUA quando por transtorno de uso de substâncias (TUS). O uso de qualquer medicamento para TUA foi associado a um risco moderadamente reduzido e liraglutida também foi associado a uma redução do risco de hospitalizações somáticas, mas não foi associado a tentativas de suicídio.

Em conclusão, entre pacientes com TUA e comorbidades de obesidade/diabetes tipo 2, o uso de semaglutida e liraglutida foi associado a uma redução substancial do risco de hospitalização por TUA. Esse risco foi inferior ao de medicamentos oficialmente aprovados para a condição. Semaglutida e liraglutida podem ser eficazes no tratamento do transtorno, e ensaios clínicos são urgentemente necessários para confirmar esses achados.