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/ Publicado el 5 de septiembre de 2024

Tecnologia

Seis biotipos de depressão e ansiedade

A ressonância magnética funcional combinada com inteligência artificial pode prever a resposta ao tratamento com base no 'biotipo' da depressão de uma pessoa

Autor/a: Tozzi L, et al.

Fuente: Nat Med. 2024 Jul;30(7):2076-2087. doi: 10.1038/s41591-024-03057-9 Personalized brain circuit scores identify clinically distinct biotypes in depression and anxiety

Cerca de 30% dos pacientes com depressão têm uma resistência ao tratamento, o que significa que vários tipos de medicamentos ou terapias falharam em melhorar seus sintomas. E para até dois terços desses pacientes, o tratamento não consegue reverter completamente os sintomas para níveis basais.

Isso ocorre em parte porque não há uma maneira eficaz de saber qual antidepressivo ou tipo de terapia pode ajudar um paciente específico. Os medicamentos são prescritos através de um método de tentativa e erro, o que pode levar meses ou anos para encontrar um medicamento que funcione. E gastar tanto tempo experimentando tratamento após tratamento, sem obter alívio, pode piorar os sintomas da depressão. Por isso, Tozzi e colaboradores (2024) realizaram um estudo com objetivo de descobrir como acertar na primeira tentativa.

Para entender melhor a biologia subjacente à depressão e à ansiedade, os pesquisadores incluíram 801 participantes do estudo, previamente diagnosticados com depressão ou ansiedade, utilizando a ressonância magnética funcional, ou fMRI, para medir a atividade cerebral. Eles escanearam os cérebros dos voluntários em repouso e enquanto realizavam diferentes tarefas projetadas para testar seu funcionamento cognitivo e emocional.

Os cientistas focaram em regiões do cérebro, e nas conexões entre elas, que já eram conhecidas por desempenhar um papel na depressão. No total, seis circuitos cerebrais foram investigados durante a aquisição dos dados de fMRI, incluindo os de saliência, atenção, afeto negativo, afeto positivo e controle cognitivo, além do circuito de modo padrão. Plataformas meta-analíticas foram usadas para extrair regiões de interesse das imagens desses seis circuitos.

Vários questionários de autorrelato foram utilizados para obter informações sobre sintomas como ruminação depressiva, preocupação ruminativa, desregulação de ameaça, viés negativo, excitação ansiosa, falta de controle cognitivo, tensão, insônia e tendências suicidas.

Utilizando uma abordagem de aprendizado de máquina conhecida como análise de clusters para agrupar as imagens cerebrais dos pacientes, eles identificaram seis padrões distintos de atividade nas regiões do cérebro estudadas.

Os cientistas também atribuíram aleatoriamente 250 dos participantes do estudo para receber um dos três antidepressivos comumente usados ou terapia comportamental por meio de entrevista. Pacientes com um subtipo, caracterizado por hiperatividade nas regiões cognitivas do cérebro, experimentaram a melhor resposta ao antidepressivo venlafaxina em comparação com aqueles com outros biotipos. Aqueles com outro subtipo, cujos cérebros em repouso apresentavam níveis mais altos de atividade entre três regiões associadas à depressão e à resolução de problemas, tiveram melhor alívio dos sintomas com a terapia comportamental. E aqueles com um terceiro subtipo, que tinham níveis mais baixos de atividade em repouso no circuito cerebral que controla a atenção, eram menos propensos a ver melhora dos sintomas com a terapia comportamental em comparação com outros biotipos.

O estudo também permitiu que demonstrassem como pacientes pertencentes a diferentes biotipos apresentavam perfis de sintomas variados e desempenhos distintos em testes cognitivos computadorizados comportamentais, tanto gerais quanto emocionais. Aqueles com regiões cognitivas hiperativas no cérebro, por exemplo, apresentaram níveis mais altos de anedonia; além do pior desempenho em tarefas de função executiva. Aqueles com o subtipo que respondeu melhor à terapia comportamental também cometeram erros em tarefas de função executiva, mas se saíram bem em tarefas cognitivas.

Conclusão

No geral, os achados mostraram que os seis biotipos de ansiedade e depressão definidos foram suportados por diferenças nos sintomas, desempenho em testes cognitivos e resposta aos tratamentos. Esses resultados sugeriram que este novo método de biotipagem pode tornar os diagnósticos clínicos mais precisos e potencialmente ajudar a melhorar os resultados do tratamento, personalizando as terapias de acordo com os biotipos.