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Publicado el 10 de mayo de 2026

Otorrinolaringologia

Sazonalidade na otorrinolaringologia: Do VSR à Rinite Alérgica

Explore a dinâmica sazonal das doenças otorrinolaringológicas pediátricas. Entenda a correlação entre vírus de inverno e otite média aguda, o impacto dos pólens na rinite alérgica e as mudanças nos padrões epidemiológicos após a COVID-19.

Autor/a: Egamberdieva Gulnarakhon Nematovna

Fuente: Journal of Clinical and Biomedical Research, V. 2, N. 1,

A variação sazonal constitui uma característica fundamental na epidemiologia das principais doenças otorrinolaringológicas pediátricas, com destaque para as infecções virais das vias aéreas superiores (IVAS), a otite média aguda (OMA) e a rinite alérgica. Dados coletados em regiões temperadas revelaram que vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório (VSR) e a influenza, apresentam picos de incidência bem definidos durante o inverno, enquanto outros, como o adenovírus e o rinovírus, podem exibir máximas durante a primavera ou o outono.  Simultaneamente, a rinite alérgica representa um desafio clínico significativo, afetando entre 10% e 20% (ou mais) da população pediátrica em diversos grupos populacionais, sendo que uma proporção substancial desses pacientes apresenta sintomas intermitentes estritamente vinculados à exposição sazonal ao pólen.

Após a COVID-19, estudos indicaram que as medidas de saúde pública e as alterações no comportamento social interromperam os padrões sazonais clássicos, resultando em surtos de VSR e influenza fora de época após o relaxamento das restrições. Por isso, Nematovna (2026) comparou as etiologias infecciosas e alérgicas, enfatizando divergências em termos de cronologia, perfil clínico e medidas preventivas, visando qualificar a prática otorrinolaringológica moderna.

Para isso, foi realizada uma revisão narrativa, com foco específico em patologias otorrinolaringológicas pediátricas comuns que apresentam assinaturas sazonais bem definidas. A análise concentrou-se primordialmente nas IVAS, incluindo manifestações de bronquiolite e laringotraqueíte relevantes para a especialidade, na OMA e na rinite alérgica. Para a composição do corpus de dados, foram selecionados estudos clínicos e epidemiológicos recentes conduzidos em regiões de clima temperado, abrangendo sistemas de vigilância virológica de longo prazo, revisões sistemáticas sobre rinite alérgica e análises estatísticas da sazonalidade da OMA.

A seleção dos artigos priorizou estudos que descrevessem populações pediátricas, padrões de distribuição sazonal e implicações diretas para o cuidado clínico ou estratégias preventivas. Além disso, a metodologia contemplou uma análise crítica sobre como as intervenções não farmacológicas implementadas durante a pandemia da COVID-19 alteraram os padrões epidemiológicos tradicionais dessas doenças.

Os padrões sazonais das doenças otorrinolaringológicas pediátricas revelaram uma dinâmica complexa e distinta entre as etiologias infecciosas e alérgicas. As IVAS demonstraram uma predominância acentuada no inverno, com o VSR sendo identificado como o principal patógeno em lactentes e crianças de baixa idade, apresentando picos no final do outono e inverno. Enquanto a influenza A e B também predominaram nos meses frios, sendo frequentemente disseminada por crianças em idade escolar, o rinovírus apresentou um padrão de circulação anual, com aumentos de detecção na primavera e no outono. Outros agentes, como o Mycoplasma pneumoniae, apresentaram surtos relativos no verão, o que torna o quadro clínico de doenças respiratórias não invernais mais heterogêneo.

A incidência da OMA espelhou fielmente a sazonalidade das IVAS, confirmando sua ligação fisiopatológica como uma complicação secundária frequente. Análises de séries temporais indicaram que períodos de alta atividade de VSR, metapneumovírus humano e influenza foram diretamente associados ao aumento de consultas por OMA, sendo que o primeiro carregou um risco particularmente elevado de envolvimento da orelha média. Esse aumento na incidência da OMA impactou diretamente na carga horária ambulatorial, no volume de prescrições de antibióticos e no planejamento cirúrgico para a inserção de tubos de ventilação na prática otorrinolaringológica pediátrica.

A rinite alérgica na população pediátrica manifesta-se através de um padrão dual, compreendendo tanto formas perenes quanto sazonais, sendo que estas últimas são impulsionadas principalmente por pólens de árvores, gramíneas e ervas daninhas. Os picos de incidência ocorreram predominantemente na primavera e no outono, vinculados, muitas vezes, em períodos nos quais a pressão por vírus respiratórios de inverno foi reduzida.

Diferente das infecções virais, a rinite alérgica sazonal afeta com maior frequência crianças em idade escolar e adolescentes, apresentando um quadro clínico caracterizado por espirros paroxísticos, rinorreia hialina, prurido nasal e congestão, frequentemente acompanhados de sintomas oculares. O impacto da doença vai além do desconforto físico, prejudicando significativamente o sono, o humor e o desempenho acadêmico, especialmente por coincidir com períodos escolares críticos.

Para o clínico, é fundamental realizar o diagnóstico diferencial em relação às infecções das vias aéreas superiores, utilizando a ausência de febre e a presença de prurido e secreção clara como indicadores de etiologia alérgica. A diferenciação precisa evita o uso inadequado de antibióticos e fundamenta um manejo terapêutico eficaz, que combina a evitação de alérgenos, farmacoterapia e, quando indicado, imunoterapia, estratégias que podem reduzir comorbidades a longo prazo, como a asma

Por fim, a pandemia da COVID-19 demonstrou como as intervenções não farmacológicas, como o uso de máscaras e o distanciamento, podem remodelar a sazonalidade respiratória. A quase eliminação dos picos de inverno de VSR e influenza durante as restrições foi seguida por surtos fora de época assim que as medidas foram relaxadas, com o VSR ressurgindo no verão ou outono de 2021 em algumas regiões. Essas mudanças demonstraram que os padrões de contato humano, além do clima, são determinantes essenciais da sazonalidade viral, desafiando as suposições tradicionais sobre os meses de maior ou menor movimento nos serviços de otorrinolaringologia.

Em suma, as infecções virais e a otite média aguda dominaram o cenário clínico durante o inverno, enquanto a rinite alérgica apresentou picos vinculados aos calendários polínicos de primavera e outono. A forte associação temporal entre a circulação de vírus respiratórios e o surgimento da OMA ressaltou os benefícios indiretos da prevenção viral primária, particularmente por meio da vacinação contra o VSR e a influenza, que têm o potencial de reduzir significativamente a morbidade e a carga de trabalho cirúrgica relacionada a patologias da orelha média.

Além disso, a era pós-COVID-19 revelou que a sazonalidade respiratória pediátrica é altamente sensível a mudanças no comportamento social e intervenções de saúde pública, demonstrando que esses padrões não são fixos, mas emergem da interação entre clima, imunidade e redes de contato humano. Para os profissionais da área, essa compreensão fundamenta uma abordagem antecipatória, permitindo que riscos sazonais previsíveis sejam transformados em oportunidades para a implementação de medidas preventivas direcionadas, otimização da alocação de recursos hospitalares e um aconselhamento familiar mais eficaz e assertivo.