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Publicado el 10 de mayo de 2026

Vitiligo

Consenso sobre gravidade e definições de recidiva no vitiligo

Um consenso internacional estabeleceu que a área de superfície corporal, isoladamente, é insuficiente para capturar a gravidade do vitiligo e recomendou uma abordagem em duas etapas que integra critérios clínicos e psicossociais.

Autor/a: Eleftheriadou V, Desai S, Bae JM, et al.

Fuente: JAMA Dermatol. Published online March 25, 2026. Definition of Severity and Relapse for Vitiligo An International Consensus Statement

O vitiligo é o distúrbio de despigmentação mais comum no mundo, porém não há uma definição consensual sobre o que caracteriza uma recidiva da doença. A avaliação da gravidade do vitiligo também depende fortemente da perspectiva do médico assistente. A falta de terminologia consistente nesses aspectos vem se tornando um problema para os clínicos que manejam condições dermatológicas crônicas.

Para suprir essa lacuna, o INTERCEPT Study Group and the Global Vitiligo Atlas conduziu um estudo de consenso global com métodos mistos, utilizando uma abordagem em múltiplas etapas que incluiu uma revisão abrangente da literatura, um estudo qualitativo com 30 participantes (11 em grupos focais e 19 em entrevistas individuais), duas rodadas de pesquisas eletrônicas pelo método Delphi e uma reunião final de consenso.

Ao todo, 91 indivíduos (dermatologistas, pesquisadores e pacientes com vitiligo de diversas origens étnicas e fototipos de pele), provenientes de 21 países distribuídos em cinco continentes, foram incluídos no estudo. Destes, 85 participaram da primeira rodada do Delphi eletrônico e 81 da segunda rodada, alcançando uma taxa de resposta de 95% em ambas.

Concluiu-se que o uso exclusivo da área de superfície corporal (body surface area – BSA) afetada pela perda de pigmentação como medida da carga da doença é insuficiente. Em vez disso, o grupo propôs um novo modelo de avaliação:

·       Vitiligo leve: condição afetando menos de 3% da superfície corporal do paciente.

·       Vitiligo moderado: entre 3% e 10% da superfície corporal.

·       Vitiligo grave: ≥10% da superfície corporal ou doença com progressão/expansão rápida, independentemente do percentual de superfície corporal acometida.

Casos moderados podem ser reclassificados como graves se um ou mais critérios primários e psicossociais principais estiverem presentes, ou se dois ou mais critérios secundários estiverem presentes:

Figura 1: Critérios primários e secundários do vitiligo. Imagem adaptada de the INTERCEPT Study Group and the Global Vitiligo Atlas (2026).

Há considerações práticas importantes ao aplicar critérios de gravidade, especialmente no contexto de variações significativas nas políticas de saúde, no acesso aos tratamentos e em fatores culturais. Sendo assim, a gravidade não é uma medida estática. Ela requer revisão frequente e adaptação em resposta a circunstâncias em mudança.

Aspectos da gravidade associados a impactos na vida cultural, social e psicológica, como estigma, perspectivas de casamento e emprego, devem ser considerados durante as consultas clínicas e devidamente registrados nos prontuários. Embora diversos instrumentos validados tenham sido discutidos, a classificação da gravidade não deve se basear exclusivamente em pontuações de questionários. Em vez disso, deve combinar o julgamento clínico com a tomada de decisão compartilhada, de modo a refletir a experiência vivida de cada paciente.

No caso do vitiligo de rápida progressão, chegou-se ao consenso de que, independentemente da porcentagem de superfície corporal envolvida, o paciente deve ser automaticamente classificado na categoria grave.

O consenso recomendou que a terapia sistêmica seja considerada apropriada para pacientes com vitiligo moderado a grave, bem como para aqueles com vitiligo de rápida progressão. No entanto, o grupo destacou que essa terapia só deve ser utilizada se, pelo menos, 12 semanas de tratamento tópico não tiverem produzido resposta.

A recidiva do vitiligo foi definida como “a perda de pigmentação em lesões previamente repigmentadas, independentemente de a repigmentação ter ocorrido espontaneamente ou com tratamento. O consenso não especificou uma porcentagem de superfície corporal envolvida necessária para caracterizar a recidiva, apenas que o evento deve ocorrer pelo menos três meses após a interrupção do tratamento.

A recidiva deve ser avaliada em múltiplos domínios, incluindo a localização de novas manchas ou daquelas em expansão, a extensão das lesões, o acometimento de pelos faciais e/ou do couro cabeludo e o sofrimento psicológico associado. Essa avaliação multidimensional reflete tanto a progressão clínica quanto os efeitos da atividade da doença percebidos pelo paciente.

O grupo não conseguiu chegar a um consenso quanto ao isolamento social ou cultural e à evitação de intimidade física ou emocional. No entanto, esses fatores se enquadram no conceito geral de carga da doença e, portanto, são considerados critérios primários de avaliação.