Noticias médicas

Publicado el 12 de agosto de 2026

São Paulo registra 18 óbitos em 19 casos confirmados entre janeiro e julho

Alta letalidade reforça importância do diagnóstico precoce e do início imediato da antibioticoterapia.

Autor/a: Flávia Albuquerque

Fuente: Agência Brasil SP registra 18 mortes por febre maculosa em 19 casos confirmados

O estado de São Paulo contabilizou 19 casos confirmados de febre maculosa e 18 óbitos entre janeiro e julho deste ano, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). Os registros ocorreram principalmente nas regiões de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo, evidenciando a gravidade da doença e sua elevada taxa de letalidade quando não tratada precocemente.
 
A febre maculosa brasileira é uma zoonose transmitida pela picada de carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii. A doença pode acometer indivíduos de qualquer faixa etária e evoluir rapidamente para formas graves, especialmente quando há atraso no reconhecimento clínico e no início do tratamento adequado.
 

Os sintomas iniciais incluem febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e mal-estar, sinais que podem ser confundidos com dengue, leptospirose e outras infecções. Em estágios mais avançados da doença, podem surgir manchas avermelhadas na pele que evoluem para lesões arroxeadas, sinalizando o agravamento do quadro clínico. Nessa fase, a infecção pode comprometer a circulação sanguínea, causando necrose em extremidades, além de provocar manifestações neurológicas graves.

De acordo com o infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Israelita Albert Einstein, a identificação precoce da doença é decisiva para reduzir o risco de complicações e óbitos. Segundo o especialista, a mortalidade pode atingir níveis elevados quando a antibioticoterapia não é instituída rapidamente. A infecção provoca vasculite sistêmica, comprometendo órgãos vitais como rins, fígado e sistema nervoso central.

Especialistas recomendaram atenção especial a pacientes com febre que tenham frequentado áreas de mata, fazendas, trilhas ou locais com vegetação densa. Nesses casos, o histórico de exposição deve ser informado ao médico para que o tratamento seja iniciado imediatamente, sem aguardar a confirmação laboratorial, que pode levar até duas semanas.

Especialistas alertaram que cães podem atuar como carreadores de carrapatos para o ambiente domiciliar. Após o contato com áreas de vegetação, os animais podem retornar para casa transportando o vetor aderido à pelagem. Além disso, carrapatos podem permanecer em roupas, camas e outros ambientes domésticos, aumentando o risco de exposição para os moradores.

A prevenção inclui o uso de roupas compridas e claras em áreas de risco, inspeção do corpo após atividades ao ar livre e controle de carrapatos em animais domésticos, especialmente cães, que podem transportar o vetor para dentro de casa.

Caso um carrapato seja encontrado aderido à pele, a orientação do Ministério da Saúde é removê-lo com uma pinça, sem esmagá-lo, e higienizar o local da picada. Quanto mais rápida a remoção, menor o risco de transmissão da doença.