A rosácea é uma doença inflamatória crônica que se manifesta com vários sinais e sintomas, incluindo eritema, telangiectasias, pápulas e pústulas, que afetam principalmente as bochechas, o queixo, o nariz e a parte central da testa. Originalmente, quatro subtipos da doença foram descritos pelo The US National Rosacea Society: eritematotelangiectásica, papulopustulosa, fimatosa e ocular. A granulomatosa foi introduzida como uma variante específica. O espectro da rosácea pode também abranger duas entidades adicionais, a saber, lupus miliaris disseminatus faciei (LMDF) e demodecidose semelhante à rosácea.
A dermatoscopia é um exame não invasivo que fornece informações morfológicas submacroscópicas e melhora o reconhecimento clínico de várias dermatoses inflamatórias.
No exame dermatoscópico, a característica predominante da rosácea é um padrão vascular característico que consiste em vasos lineares dispostos de forma reticular (vasos poligonais). Esses representam razoavelmente uma ampliação das telangiectasias, muitas vezes, macroscopicamente evidentes, que prevalecem no subtipo/fenótipo eritematotelangiectásico. No entanto, existem poucos dados sobre as características observadas em outros subtipos.
Por isso, Stefanou e colaboradores (2022) realizaram um estudo com objetivo de avaliar as características dermatoscópicas dos diferentes subtipos/fenótipos de rosácea.
Para isso, incluíram pacientes com diagnóstico clínico de rosácea, confirmado ou não por histopatologia, ou demodecidose semelhante à rosácea, diagnosticada por raspagem de pele, ou LMDF, confirmado histopatologicamente. As imagens dermatoscópicas foram capturadas em uma área-alvo usando uma câmera com uma lente acoplada com ampliação de 10 vezes.
No total, 85 pacientes com rosácea (45 eritematotelangiectásicos, 13 papulopustuloso, 8 fimatosa, 4 granulomatosa, 10 demodicose e 5 LMDF) foram incluídos na análise. Os vasos lineares reticulares estavam universalmente presentes no subtipo eritematotelangiectásico e o eritema foi observado em 80% dos casos. A distribuição mais frequente dos vasos lineares reticulares foi regular.
No subtipo papulopustuloso, vasos lineares foram observados em 53,8% e vasos lineares ramificados em 38,5% dos casos, sempre em um arranjo reticular. Os vasos estavam distribuídos em patches (54%) ou de forma regular (46%) na lesão. Além disso, plugs foliculares e pústulas foram observados em todos os casos.
A rosácea fimatosa foi caracterizada por diferentes tipos morfológicos de vasos, com vasos lineares ramificados observados em 50% das lesões e vasos lineares e pontilhados em 38,5%. Os vasos tinham um arranjo reticular (100%) e estavam distribuídos de maneira regular (50%), agrupada (25%) ou irregular (50%). Além disso, grumos foliculares amarelos foram encontrados em todos os casos (100%) e plugs foliculares em 87,5% dos pacientes.
Na rosácea granulomatosa, foram observados vasos lineares (50%) ou lineares ramificados (50%) com um arranjo reticular (100%), com distribuição regular (50%), em clusters (25%) ou em patches (50%). Além disso, áreas focais sem estrutura e de coloração laranja foram vistas em todos os casos (100%) e coloração laranja perifolicular em 75% dos pacientes.
Na dermatoscopia do LMDF, os critérios foliculares predominaram, com plugs foliculares, coloração laranja perifolicular e pústulas presentes em todos os casos. O padrão vascular foi caracterizado por tipos morfológicos variáveis (pontilhados e lineares ramificados em 40% cada, lineares em 10%). Além disso, essa foi a única categoria em que os vasos, na maioria das vezes, não apresentaram um arranjo reticular (60%).
Na demodecidose, o achado dermatoscópico predominante foi a presença de uma massa branca saindo do folículo piloso, observada em todos os casos. Plugs foliculares também foram observados 90% dos casos. O eritema foi muito frequente (80%), enquanto o padrão vascular consistiu em vasos lineares (50%) ou lineares ramificados (30%) em um arranjo reticular.
Sendo assim, o estudo sugeriu que a dermatoscopia poderia facilitar o reconhecimento dos subtipos clínicos da rosácea, aprimorando o diagnóstico clínico e auxiliando na escolha rápida das opções terapêuticas.