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Publicado el 25 de febrero de 2026

Saúde

Rinovírus pode se "esconder" e se multiplicar em amígdalas e adenoides mesmo em pessoas sem sintomas

Estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP)

Uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP) revelou que o rinovírus, principal agente causador do resfriado comum, pode se alojar e se multiplicar silenciosamente nas amígdalas e adenoides, mesmo em pessoas que não apresentam qualquer sintoma.

O estudo analisou amostras de 293 crianças submetidas à retirada desses tecidos. Os cientistas descobriram que o rinovírus é capaz de infectar linfócitos B e T CD4, células do sistema imunológico que vivem por longos períodos e armazenam memória imunológica. Em vez de destruí-las, como costuma ocorrer nas infecções líticas do epitélio nasal e da garganta, o vírus permanece dentro dessas células de maneira persistente, uma estratégia semelhante à de vírus como herpes, HPV e citomegalovírus.

Segundo o pesquisador Eurico de Arruda Neto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), esse comportamento ajuda a explicar por que surtos de resfriado surgem logo após o início do ano letivo em regiões de clima temperado. Crianças assintomáticas, mas carregando o vírus na garganta, podem espalhá‑lo sem perceber, iniciando novos ciclos de transmissão entre colegas, familiares e outros contatos próximos.

Os participantes do estudo estavam momentaneamente sem sintomas no momento da cirurgia, realizada para tratar problemas como apneia do sono, ronco e inflamações recorrentes associadas ao aumento de amígdalas e adenoides. Ainda assim, o rinovírus foi encontrado em uma proporção significativa dos casos. Ao analisar esses tecidos e também secreções nasais, os pesquisadores identificaram o vírus em 46% das crianças, em pelo menos um dos locais avaliados.

Além de detectar o material genético viral, a equipe encontrou proteínas produzidas pelo vírus e sinais de que ele estava ativo e se multiplicando, indicando potencial para ser transmitido a outras pessoas.

O trabalho contou com a colaboração de cientistas da FMRP-USP e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e foi publicado no Journal of Medical Virology.