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Publicado el 30 de septiembre de 2024

Nutrição e saúde

Respostas cerebrais ao jejum intermitente e à dieta em idosos

O estudo forneceu evidências da capacidade da dieta de melhorar a saúde cerebral dos idosos

Autor/a: Kapogiannis D,

Fuente: Cell Metab. 2024 Aug 6;36(8):1668-1678.e5. doi: 10.1016/j.cmet.2024.05.017. Brain responses to intermittent fasting and the healthy living diet in older adults

Introdução

O envelhecimento está associado a múltiplas morbidades e ao declínio cognitivo, resultando em incapacidade e perda de independência. Além disso, as mudanças cerebrais associadas ao envelhecimento interagem com cascatas patogênicas subjacentes à doença de Alzheimer e demências relacionadas (DA/DAD).

Estilos de vida alimentares saudáveis promovem a saúde geral e podem beneficiar a cognição. Diversas dietas têm sido associadas à redução da mortalidade por doenças neurodegenerativas e à melhora da cognição e da integridade cerebral. Além disso, regimes que induzem um balanço energético negativo mostraram benefícios para fatores de risco cardiovascular e cognição. Esses podem ser parcialmente mediados pela otimização do peso, homeostase da glicose e lipídios, e sensibilidade à insulina. No entanto, ainda é amplamente desconhecido se as dietas podem induzir melhorias específicas na saúde cerebral além do aprimoramento geral da saúde.

Por isso, Kapogiannis e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo examinar os efeitos cerebrais de duas dietas populares, individualmente e em comparação entre si, em um ensaio clínico randomizado.

Métodos

O ensaio clínico examinou o jejum intermitente 5:2 (JI) e a dieta de vida saudável (VS), que demonstraram melhorar o metabolismo lipídico e a cognição. A primeira envolve a restrição de calorias para um quarto da ingestão diária recomendada por 2 dias consecutivos por semana. A segunda enfatiza escolhas alimentares saudáveis (frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e laticínios com baixo teor de gordura), limitando açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio.

Os participantes elegíveis foram randomizados na proporção de 1:1 para o grupo de JI ou para o de VS e seguiram a dieta designada por 8 semanas. Os participantes randomizados para o grupo VS foram instruídos a seguir a dieta VS todos os dias, enquanto os de JI deveriam seguir a dieta VS por 5 dias e consumir apenas dois shakes (fornecendo 480 Kcal/dia) durante 2 dias consecutivos a cada semana.

Para monitorar e reforçar a adesão, os participantes compareceram a visitas presenciais (incluindo medições antropométricas e coletas de sangue) nas semanas 2, 4 e 6, e foram contatados por telefone ou e-mail nas semanas 1, 3, 5 e 7. Os participantes retornaram para uma visita final na semana 8. Todos os desfechos foram avaliados nas semanas 0 e 8, exceto as medidas antropométricas e os biomarcadores das vesículas extracelulares derivadas de neurônios (VEDNs), que, devido à sua facilidade de aquisição, foram avaliados nas semanas 0, 4 e 8. As avaliações foram divididas em três painéis: (1) medidas de saúde cerebral, (2) cognição e atividade física e (3) medidas de metabolismo sistêmico e periférico.

Resultados

No total, 46 participantes foram recrutados para o estudo, no qual 22 foram para o grupo JI e 24 para VS. S. Destes, 20 de cada grupo completaram o estudo; 4 desistiram antes de iniciar a dieta designada e 2 foram perdidos durante o seguimento antes da visita final. As características iniciais eram semelhantes entre os grupos. A idade média era de 63,2 anos, 60% dos participantes eram mulheres, 62,5% eram caucasianos, e o IMC médio era de 34,4 kg/m².

Ambas as dietas melhoraram índices metabólicos periféricos, incluindo peso, IMC, circunferência da cintura, lipídios circulantes e medidas periféricas de RI. O JI produziu uma diminuição aproximadamente duas vezes maior no IMC, peso e ingestão média estimada de calorias diárias em comparação com a VS. No entanto, essa superioridade não se estendeu aos desfechos de saúde cerebral, exceto para recordação (e, a nível de tendência, função executiva). De maneira preocupante, os biomarcadores de DA/DAD e nas VEDNs não mudaram com nenhuma das dietas.

Os biomarcadores de resistência insulínica (RI) neuronal responderam às dietas apesar da duração relativamente curta do estudo. A insulina é importante para a saúde cerebral promovendo a captação de glicose em neurônios que expressam o transportador de glicose tipo 4 (GLUT4), reduzindo a acumulação e oligomerização de Aβ e inibindo a fosforilação de Tau.

Notavelmente, as dietas reduziram o ritmo de envelhecimento cerebral na região do cingulado anterior e no córtex pré-frontal (PFC), regiões importantes para a função executiva. Melhorias na cognição foram observadas em ambos os grupos. No entanto, melhorias maiores na função executiva, especialmente em funções superiores, foram mais notórias no JI. Uma possível explicação à essa diferença foi que o grupo de jejum intermitente foi menos sedentário.

Análises exploratórias para sexo, IMC, APOE ε4 (fator de risco genético para DA) e rs11173201 (polimorfismo genético importante para função cerebral) geraram alguns resultados intrigantes. A função executiva nas mulheres melhorou apenas com o JI, enquanto nos homens melhorou com ambas as dietas. O IMC foi associado a múltiplos indicadores de RI sistêmica e neuronal e modulou a resposta ao pS312-IRS-1 às dietas. Além disso, portadores do ε4 mostraram mudanças mais pronunciadas em pS312- e pY-IRS-1, aumentos do lactato e diminuições nos níveis associados ao complexo IV e V das VEDNs (potencialmente indicando uma mudança metabólica da fosforilação oxidativa para a glicólise), enquanto não portadores do ε4 mostraram diminuição na atividade física medida.

Conclusão

O estudo forneceu evidências da capacidade da dieta de melhorar a saúde cerebral em idosos. À medida que a população global envelhece, entender e modificar o vínculo entre dieta, saúde cerebral e risco de DA/DAD torna-se cada vez mais crucial.