Os níveis de proteína C-reativa de alta sensibilidade (PCR-as), colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL) e lipoproteína (a) são reconhecidos como importantes preditores de risco cardiovascular, representando caminhos distintos para intervenções farmacológicas. No entanto, há uma lacuna na compreensão sobre a utilidade desses biomarcadores para prever riscos cardiovasculares em períodos mais longos, especialmente em mulheres. Essa informação é crucial, visto que intervenções precoces são estratégias fundamentais para reduzir o risco cardiovascular a longo prazo.
Neste contexto, Ridker e colaboradores (2024) conduziram um estudo prospectivo para avaliar os níveis de PCR-as, colesterol LDL e lipoproteína (a) na linha de base de 27.939 mulheres americanas inicialmente saudáveis, acompanhadas por 30 anos. O desfecho primário foi definido como o primeiro evento cardiovascular adverso importante, composto por infarto do miocárdio, revascularização coronária, acidente vascular cerebral ou morte por causas cardiovasculares. Os pesquisadores calcularam as taxas de risco ajustadas e os intervalos de confiança de 95% entre os quintis de cada biomarcador, além de gerarem curvas de incidência cumulativa ajustadas para idade e riscos.
Durante o acompanhamento de 30 anos, foram registrados 3.662 primeiros eventos cardiovasculares adversos importantes. A análise revelou que níveis basais crescentes de PCR-as, colesterol LDL e lipoproteína (a) estavam associados ao aumento do risco cardiovascular ao longo do período. Comparando o quintil superior ao inferior, as taxas de risco ajustadas por covariáveis para o desfecho primário foram 1,70 (IC 95%: 1,52–1,90) para PCR-as, 1,36 (IC 95%: 1,23–1,52) para colesterol LDL e 1,33 (IC 95%: 1,21–1,47) para lipoproteína (a). Cada biomarcador apresentou contribuições independentes para o risco global, com a maior discriminação de risco observada em modelos que combinaram os três biomarcadores.
Em conclusão, a medida combinada de PCR-as, colesterol LDL e lipoproteína (a) foi preditiva de eventos cardiovasculares incidentes ao longo de 30 anos em mulheres inicialmente saudáveis. Esses achados reforçaram a importância de estratégias preventivas primárias mais abrangentes, estendendo o foco para além das tradicionais estimativas de risco de 10 anos, e destacaram o valor de intervenções baseadas em múltiplos biomarcadores.