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Publicado el 23 de junio de 2026

Doença pulmonar obstrutiva crônica

Recomendações práticas para otimização do manejo da DPOC

Estratégias baseadas na iniciativa CARABELA para aprimorar diagnóstico, tratamento e continuidade do cuidado da doença.

Autor/a: Díez-Manglano, J. et al.

Fuente: Open Respiratory Archives 7 (2025) 100484 Solutions to Improve COPD Patients’ Clinical Outcomes and Quality of Care: Recommendations From the CARABELA Initiative

Introdução

Apesar dos avanços no conhecimento e nos tratamentos atualmente disponíveis, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a terceira principal causa de morte no mundo, com alta prevalência, incidência crescente, impacto social e custos econômicos, especialmente associados a internações prolongadas e cuidados intensivos. O Sistema Nacional de Saúde da Espanha desenvolveu uma estratégia para o manejo da DPOC há 15 anos, mas desafios como subdiagnóstico, subtratamento e baixa adesão às diretrizes clínicas limitam os benefícios esperados na implementação de melhorias no cuidado.

Nesse contexto, a iniciativa CARABELA, inicialmente descrita em detalhes em de Miguel-Diez e colaboradores (2025), buscou identificar barreiras no sistema de saúde espanhol e propor recomendações nacionais baseadas na experiência de múltiplos hospitais. Por conseguinte, o estudo de Díez-Manglano e colaboradores (2025) apresentou uma análise prática das áreas prioritárias de intervenção identificadas no projeto, destacando mudanças necessárias para melhorar a qualidade da assistência e os resultados dos pacientes.

Métodos

A iniciativa CARABELA-DPOC consistiu em um processo em quatro fases, envolvendo análise de recursos, protocolos e organização em sete hospitais representativos, o que permitiu identificar sete áreas de melhoria, entre elas: diagnóstico, recursos e exames, integração de equipes multidisciplinares, papel da enfermagem especializada e continuidade do cuidado entre diferentes níveis de atenção.

Essas áreas foram avaliadas em um encontro nacional e posteriormente refinadas em reuniões regionais, considerando diferenças entre regiões e definindo planos de ação prioritários com a participação de mais de 120 profissionais de diversas especialidades.

Recomendações

 

Ø  Estratégia diagnóstica

 

1)      Promoção de estratégias para identificar pacientes com DPOC, com uso de critérios clínicos consensuais e capacitação de profissionais, incluindo espirometria em indivíduos expostos a fatores de risco e consideração de causas além do tabagismo.

 

2)      Implementação de planos de treinamento com criação de circuitos assistenciais prioritários, visando agilizar testes respiratórios e garantir diagnóstico mais rápido e preciso.

 

Ø  Disponibilidade de recursos e exames diagnósticos

 

3)      Reativação de testes na atenção primária (espirometria e alfa-1 antitripsina), com capacitação profissional, integração entre níveis de atenção e compartilhamento de recursos para melhorar o acesso, acompanhamento e continuidade do cuidado.

 

4)      Desenvolvimento de estratégias com unidades de reabilitação pulmonar, com ampliação desses serviços para melhorar a função respiratória, a qualidade de vida e a capacidade funcional dos pacientes.

 

Ø  Protocolos multidisciplinares e vias assistenciais coordenadas

 

5)      Desenvolvimento ou atualização de protocolos de encaminhamento para garantir exames prévios, otimizando o diagnóstico e reduzindo atrasos, filas e reinternações.

 

6)      Criação de vias rápidas entre emergência, hospital e atenção primária, agilizando o atendimento de casos urgentes e reduzindo tempo de espera, internações e mortalidade.

 

Ø  Papel da enfermagem especializada e do gestor de caso

 

7)      Especialização da enfermagem em DPOC, promovendo cuidado mais proativo, redução de reinternações e educação do paciente, especialmente no uso correto de inaladores.

 

8)      Implementação do enfermeiro gestor de caso, responsável por coordenar o cuidado, integrar serviços, monitorar o estão do paciente e prevenir agravamentos.

 

Ø  Continuidade do cuidado entre níveis de atenção

 

9)      Implementação de prontuário único compartilhado, permitindo acesso a informações atualizadas por todos os profissionais envolvidos.

 

10)  Protocolos de encaminhamento para consulta de enfermagem, melhorando a adesão ao tratamento e os resultados clínicos.

11)  Criação de canais eficazes de comunicação entre profissionais, melhorando a coordenação do cuidado e, consequentemente, fortalecendo a integração e a tomada de decisões.

Conclusão

Apesar dos avanços, ainda há espaço para melhorias na detecção precoce e no manejo da DPOC. A abordagem CARABELA-DPOC permite que cada centro avalie sua realidade e implemente melhorias, estabelecendo metas para qualificar e padronizar o cuidado. O programa atua como catalisador de mudanças, promovendo um modelo integrado que melhora diagnóstico, manejo e desfechos por meio da coordenação entre níveis de atenção, oferecendo um roteiro prático para uma assistência mais eficiente e centrada no paciente.