Apesar dos avanços no conhecimento e nos tratamentos atualmente disponíveis, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a terceira principal causa de morte no mundo, com alta prevalência, incidência crescente, impacto social e custos econômicos, especialmente associados a internações prolongadas e cuidados intensivos. O Sistema Nacional de Saúde da Espanha desenvolveu uma estratégia para o manejo da DPOC há 15 anos, mas desafios como subdiagnóstico, subtratamento e baixa adesão às diretrizes clínicas limitam os benefícios esperados na implementação de melhorias no cuidado.
Nesse contexto, a iniciativa CARABELA, inicialmente descrita em detalhes em de Miguel-Diez e colaboradores (2025), buscou identificar barreiras no sistema de saúde espanhol e propor recomendações nacionais baseadas na experiência de múltiplos hospitais. Por conseguinte, o estudo de Díez-Manglano e colaboradores (2025) apresentou uma análise prática das áreas prioritárias de intervenção identificadas no projeto, destacando mudanças necessárias para melhorar a qualidade da assistência e os resultados dos pacientes.
A iniciativa CARABELA-DPOC consistiu em um processo em quatro fases, envolvendo análise de recursos, protocolos e organização em sete hospitais representativos, o que permitiu identificar sete áreas de melhoria, entre elas: diagnóstico, recursos e exames, integração de equipes multidisciplinares, papel da enfermagem especializada e continuidade do cuidado entre diferentes níveis de atenção.
Essas áreas foram avaliadas em um encontro nacional e posteriormente refinadas em reuniões regionais, considerando diferenças entre regiões e definindo planos de ação prioritários com a participação de mais de 120 profissionais de diversas especialidades.
Ø Estratégia diagnóstica
1) Promoção de estratégias para identificar pacientes com DPOC, com uso de critérios clínicos consensuais e capacitação de profissionais, incluindo espirometria em indivíduos expostos a fatores de risco e consideração de causas além do tabagismo.
2) Implementação de planos de treinamento com criação de circuitos assistenciais prioritários, visando agilizar testes respiratórios e garantir diagnóstico mais rápido e preciso.
Ø Disponibilidade de recursos e exames diagnósticos
3) Reativação de testes na atenção primária (espirometria e alfa-1 antitripsina), com capacitação profissional, integração entre níveis de atenção e compartilhamento de recursos para melhorar o acesso, acompanhamento e continuidade do cuidado.
4) Desenvolvimento de estratégias com unidades de reabilitação pulmonar, com ampliação desses serviços para melhorar a função respiratória, a qualidade de vida e a capacidade funcional dos pacientes.
Ø Protocolos multidisciplinares e vias assistenciais coordenadas
5) Desenvolvimento ou atualização de protocolos de encaminhamento para garantir exames prévios, otimizando o diagnóstico e reduzindo atrasos, filas e reinternações.
6) Criação de vias rápidas entre emergência, hospital e atenção primária, agilizando o atendimento de casos urgentes e reduzindo tempo de espera, internações e mortalidade.
Ø Papel da enfermagem especializada e do gestor de caso
7) Especialização da enfermagem em DPOC, promovendo cuidado mais proativo, redução de reinternações e educação do paciente, especialmente no uso correto de inaladores.
8) Implementação do enfermeiro gestor de caso, responsável por coordenar o cuidado, integrar serviços, monitorar o estão do paciente e prevenir agravamentos.
Ø Continuidade do cuidado entre níveis de atenção
9) Implementação de prontuário único compartilhado, permitindo acesso a informações atualizadas por todos os profissionais envolvidos.
10) Protocolos de encaminhamento para consulta de enfermagem, melhorando a adesão ao tratamento e os resultados clínicos.
11) Criação de canais eficazes de comunicação entre profissionais, melhorando a coordenação do cuidado e, consequentemente, fortalecendo a integração e a tomada de decisões.
Apesar dos avanços, ainda há espaço para melhorias na detecção precoce e no manejo da DPOC. A abordagem CARABELA-DPOC permite que cada centro avalie sua realidade e implemente melhorias, estabelecendo metas para qualificar e padronizar o cuidado. O programa atua como catalisador de mudanças, promovendo um modelo integrado que melhora diagnóstico, manejo e desfechos por meio da coordenação entre níveis de atenção, oferecendo um roteiro prático para uma assistência mais eficiente e centrada no paciente.
Publicado el 23 de junio de 2026
Doença pulmonar obstrutiva crônica
Recomendações práticas para otimização do manejo da DPOC
Estratégias baseadas na iniciativa CARABELA para aprimorar diagnóstico, tratamento e continuidade do cuidado da doença.
Autor/a: Díez-Manglano, J. et al.
Fuente: Open Respiratory Archives 7 (2025) 100484 Solutions to Improve COPD Patients’ Clinical Outcomes and Quality of Care: Recommendations From the CARABELA Initiative
Apesar dos avanços no conhecimento e nos tratamentos atualmente disponíveis, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a terceira principal causa de morte no mundo, com alta prevalência, incidência crescente, impacto social e custos econômicos, especialmente associados a internações prolongadas e cuidados intensivos. O Sistema Nacional de Saúde da Espanha desenvolveu uma estratégia para o manejo da DPOC há 15 anos, mas desafios como subdiagnóstico, subtratamento e baixa adesão às diretrizes clínicas limitam os benefícios esperados na implementação de melhorias no cuidado.
Nesse contexto, a iniciativa CARABELA, inicialmente descrita em detalhes em de Miguel-Diez e colaboradores (2025), buscou identificar barreiras no sistema de saúde espanhol e propor recomendações nacionais baseadas na experiência de múltiplos hospitais. Por conseguinte, o estudo de Díez-Manglano e colaboradores (2025) apresentou uma análise prática das áreas prioritárias de intervenção identificadas no projeto, destacando mudanças necessárias para melhorar a qualidade da assistência e os resultados dos pacientes.
A iniciativa CARABELA-DPOC consistiu em um processo em quatro fases, envolvendo análise de recursos, protocolos e organização em sete hospitais representativos, o que permitiu identificar sete áreas de melhoria, entre elas: diagnóstico, recursos e exames, integração de equipes multidisciplinares, papel da enfermagem especializada e continuidade do cuidado entre diferentes níveis de atenção.
Essas áreas foram avaliadas em um encontro nacional e posteriormente refinadas em reuniões regionais, considerando diferenças entre regiões e definindo planos de ação prioritários com a participação de mais de 120 profissionais de diversas especialidades.
Ø Estratégia diagnóstica
1) Promoção de estratégias para identificar pacientes com DPOC, com uso de critérios clínicos consensuais e capacitação de profissionais, incluindo espirometria em indivíduos expostos a fatores de risco e consideração de causas além do tabagismo.
2) Implementação de planos de treinamento com criação de circuitos assistenciais prioritários, visando agilizar testes respiratórios e garantir diagnóstico mais rápido e preciso.
Ø Disponibilidade de recursos e exames diagnósticos
3) Reativação de testes na atenção primária (espirometria e alfa-1 antitripsina), com capacitação profissional, integração entre níveis de atenção e compartilhamento de recursos para melhorar o acesso, acompanhamento e continuidade do cuidado.
4) Desenvolvimento de estratégias com unidades de reabilitação pulmonar, com ampliação desses serviços para melhorar a função respiratória, a qualidade de vida e a capacidade funcional dos pacientes.
Ø Protocolos multidisciplinares e vias assistenciais coordenadas
5) Desenvolvimento ou atualização de protocolos de encaminhamento para garantir exames prévios, otimizando o diagnóstico e reduzindo atrasos, filas e reinternações.
6) Criação de vias rápidas entre emergência, hospital e atenção primária, agilizando o atendimento de casos urgentes e reduzindo tempo de espera, internações e mortalidade.
Ø Papel da enfermagem especializada e do gestor de caso
7) Especialização da enfermagem em DPOC, promovendo cuidado mais proativo, redução de reinternações e educação do paciente, especialmente no uso correto de inaladores.
8) Implementação do enfermeiro gestor de caso, responsável por coordenar o cuidado, integrar serviços, monitorar o estão do paciente e prevenir agravamentos.
Ø Continuidade do cuidado entre níveis de atenção
9) Implementação de prontuário único compartilhado, permitindo acesso a informações atualizadas por todos os profissionais envolvidos.
10) Protocolos de encaminhamento para consulta de enfermagem, melhorando a adesão ao tratamento e os resultados clínicos.
11) Criação de canais eficazes de comunicação entre profissionais, melhorando a coordenação do cuidado e, consequentemente, fortalecendo a integração e a tomada de decisões.
Apesar dos avanços, ainda há espaço para melhorias na detecção precoce e no manejo da DPOC. A abordagem CARABELA-DPOC permite que cada centro avalie sua realidade e implemente melhorias, estabelecendo metas para qualificar e padronizar o cuidado. O programa atua como catalisador de mudanças, promovendo um modelo integrado que melhora diagnóstico, manejo e desfechos por meio da coordenação entre níveis de atenção, oferecendo um roteiro prático para uma assistência mais eficiente e centrada no paciente.