Artículos

/ Publicado el 30 de octubre de 2024

Farmacologia clínica

Reações adversas e interações medicamentosas

Um desafio na assistência médica moderna

Autor/a: https://www.medicinejournal.co.uk/article/S1357-3039(23)00246-3/fulltext

Fuente: Medicine Journal Adverse drug reactions and interactions

Os medicamentos podem produzir efeitos diferentes daqueles pretendidos para fins terapêuticos. Um efeito colateral refere-se a qualquer reação causada por um medicamento que não seja o efeito terapêutico desejado, podendo ser benéfico, neutro ou prejudicial. Quando são prejudiciais, são classificados como efeitos adversos dos medicamentos. Nesse contexto, uma reação adversa a medicamentos (RAM) é definida como uma resposta nociva e não intencional a um medicamento.

As RAMs podem ser difíceis de diagnosticar, pois muitas vezes se assemelham aos sintomas da própria condição que está sendo tratada ou podem ser confundidas com outras doenças naturais, o que resulta em subnotificação. Essas reações podem variar desde manifestações leves até eventos potencialmente graves. As mais severas estão frequentemente associadas à hospitalização, prolongamento do tempo de internação, aumento da morbidade, elevação dos custos de tratamento e, em alguns casos, à morte.

Classificação das reações adversas a medicamentos

As reações adversas a medicamentos (RAMs) são tradicionalmente classificadas em dois tipos principais:

·   Reações do tipo A: também conhecidas como reações aumentadas, são previsíveis com base na farmacologia do medicamento. Elas ocorrem devido a uma resposta exagerada ao efeito terapêutico esperado e geralmente estão relacionadas à dose administrada.

·   Reações do tipo B: conhecidas como reações bizarras, são imprevisíveis e não estão diretamente relacionadas à ação farmacológica do medicamento. Essas tendem a ser raras e geralmente resultam de fatores peculiares, como alergias ou predisposições genéticas.

No entanto, essa classificação básica não abrange adequadamente RAMs com apresentações clínicas distintas, como os efeitos adversos crônicos associados à exposição prolongada ao medicamento e o acúmulo no organismo. Um exemplo comum é a osteoporose decorrente do uso contínuo de corticoides em tratamentos de longo prazo.

> Relação com a dose

Todos os efeitos farmacológicos estão diretamente relacionados à dose. Algumas RAMs podem ocorrer em indivíduos suscetíveis a doses muito abaixo da faixa terapêutica na curva dose-resposta, sendo essas reações conhecidas como de hipersuscetibilidade.

Os efeitos tóxicos, por sua vez, podem se manifestar quando a dose administrada é excessiva, quando a eliminação do medicamento é comprometida ou em decorrência de interações com outros medicamentos. Além disso, condições clínicas subjacentes ou doenças intercorrentes podem também precipitar reações tóxicas, intensificando o risco de efeitos adversos graves.

> Curso do tempo

As RAMs dependem não apenas da concentração do medicamento no local de ação, mas também da duração e frequência de sua presença ali.

·  Reações independentes do tempo: podem ocorrer a qualquer momento durante o tratamento e são independentes da duração do curso.

· Reações dependentes do tempo: o tempo de administração até a ocorrência de uma reação adversa pode ser característico. 

> Suscetibilidade

O risco de uma RAM pode seguir uma distribuição normal dentro de uma população exposta ou variar significativamente conforme fatores como idade, função renal, estado fisiológico e outros que influenciam a farmacocinética e farmacodinâmica do medicamento. Em alguns casos, o risco pode estar restrito a um pequeno grupo de pacientes geneticamente predispostos a desenvolver RAMs raras, devido a variações genéticas que afetam o metabolismo do fármaco ou a resposta fisiológica.

A farmacogenética, que estuda as interações entre fármacos e genes, está ganhando relevância como uma ferramenta para prever e evitar a administração de medicamentos a indivíduos suscetíveis a RAMs. Ao identificar essas variações, é possível personalizar tratamentos, minimizando o risco de reações adversas e melhorando a segurança terapêutica.

Prevenção de reações adversas a medicamentos

Embora algumas RAMs sejam imprevisíveis, como anafilaxia, muitas podem ser prevenidas com previsão e monitoramento adequados. Implementar intervenções que diminuam a probabilidade de ocorrência dessas reações é essencial para reduzir o risco de danos ao paciente. Duas etapas básicas podem ser seguidas para mitigar esse risco:

·   Identificar subgrupos de pacientes que provavelmente serão mais suscetíveis a efeitos adversos e ajustar a escolha do tratamento conforme suas características individuais;

·   Garantir que o plano de tratamento inclua estratégias para minimizar possíveis efeitos adversos.

Compreender o mecanismo de ação do medicamento e as suscetibilidades específicas de cada paciente, como no caso de interações fármaco-gene, pode ajudar a prevenir RAMs. Além disso, os planos de tratamento devem prever possíveis efeitos adversos, adotando medidas para reduzir seus riscos e, caso ocorram, mitigá-los de forma eficaz.

Interações medicamentosas

Quando dois ou mais medicamentos são administrados simultaneamente, ou quando um medicamento é consumido junto com certos alimentos ou bebidas, interações podem ocorrer, resultando em efeitos não intencionais, toxicidade ou redução da eficácia clínica.

As interações medicamentosas podem impactar qualquer um dos quatro aspectos da farmacocinética: absorção, distribuição, metabolismo e eliminação. Além disso, os medicamentos podem apresentar ações farmacodinâmicas opostas ou complementares, sendo que essas podem ser aditivas ou sinérgicas, amplificando os efeitos terapêuticos ou adversos.

Em conclusão, para minimizar o risco de RAMs, é fundamental compartilhar informações detalhadas sobre possíveis interações, discutir sinais de alerta precoce com os pacientes e estabelecer um plano de monitoramento adequado. Essas medidas podem reduzir significativamente os riscos e mitigar possíveis danos.

Crea una cuentao iniciar sesión para continuar con la lectura