| Introdução |
A infertilidade afeta um em cada seis casais no mundo todo, e é definida como a incapacidade de conceber após doze meses de relações sexuais regulares sem proteção. Em torno de 30% de todos os diagnósticos são atribuídos unicamente a um fator masculino, enquanto até 50% incluem uma combinação de fatores masculinos com inexplicados ou femininos. No entanto, a contribuição masculina para a gravidez é frequentemente negligenciada, e o foco é predominantemente colocado na mulher.
Dados globais sugeriram que a qualidade do esperma se deteriorou nas últimas cinco décadas com base em resultados de revisões sistemáticas e análises de meta-regressão de tendências em parâmetros do sêmen. Nestes estudos, foi relatado um declínio global tanto na concentração de espermatozoides quanto na contagem total entre 1973 e 2019.
Além disso, o interesse do impacto da saúde mental em diagnóstico de infertilidade masculina aumentou na última década. O campo da andrologia progrediu de focar unicamente na saúde física para uma abordagem holística, considerando o bem-estar emocional, social e espiritual dos homens. No entanto, uma lacuna substancial permanece na compreensão do impacto psicossocial completo da infertilidade masculina.
A saúde reprodutiva é um componente importante da saúde e do bem-estar geral dos homens, tanto emocional quanto fisicamente, e tem o potencial de ser aproveitada para promover mudanças na saúde. A análise do sêmen é o teste mais comumente usado para o diagnóstico de infertilidade e pode ter o potencial de ser uma ferramenta poderosa para motivar mudanças saudáveis no estilo de vida dos homens.
Para discutir as complexidades da fertilidade masculina, a suscetibilidade e adaptabilidade dos parâmetros do sêmen a mudanças no estilo de vida e ambientais, e como a análise do sêmen pode ser aproveitada na mudança de hábitos, Lyons e colaboradores (2025). Também investigamos a compreensão atual do impacto na saúde mental de um diagnóstico de infertilidade masculina e quais ferramentas e recursos podem ser usados para capacitar os homens a adotar práticas de estilo de vida saudáveis.
| Análise seminal de rotina |
A análise seminal é considerada a pedra angular da avaliação da fertilidade masculina, baseada na medição de várias características físicas do sêmen, incluindo volume, pH, concentração de espermatozoides, motilidade, morfologia, níveis de aglutinação e vitalidade espermática. Esses parâmetros são reunidos para fornecer uma avaliação generalizada da qualidade do sêmen e constituem um dos primeiros passos para avaliar a fertilidade na atenção primária.
Diversas medições podem ser realizadas além dos parâmetros seminais básicos, para oferecer informações adicionais sobre a qualidade do sêmen e a saúde dos espermatozoides. Uma dessas é a fragmentação ou dano do DNA espermático (DFE), definida como uma alteração química na estrutura normal do DNA, que está sendo utilizada na clínica em até 40% dos homens. Situações que levam à medição clínica da DFE incluem uma probabilidade de alto dano ao DNA espermático devido ao estilo de vida (tabagismo e/ou abuso de álcool); falha de implantação recorrente e aborto espontâneo recorrente; e casais com experiência prévia de tecnologia de reprodução assistida (TRA) com crescimento embrionário ruim após o 3º dia de desenvolvimento. Vários métodos de avaliação da DFE estão agora comercialmente disponíveis, que variam muito tanto na técnica quanto no tipo de dano ao DNA medido, e todos têm limiares de diagnóstico individuais.
Várias medições avançadas também foram propostas para obter informações sobre a disfunção espermática fora dos parâmetros tradicionais, incluindo as medições do estresse oxidativo seminal e espécies reativas de oxigênio. Entretanto, pesquisas adicionais são necessárias para esclarecer a importância clínica dessas medidas avançadas e a precisão das metodologias para avaliar esses parâmetros antes de avançar para o uso clínico de rotina.
| Espermatogênese masculina e qualidade do sêmen |
A análise seminal não é uma medida definitiva da fertilidade masculina, mas oferece informações valiosas sobre a saúde reprodutiva de um homem. Por exemplo, homens com oligozoospermia, têm disrupções diretas na espermatogênese, resultando em uma diminuição na produção diária estimada de espermatozoides normais de ~100–275 milhões de espermatozoides e/ou na modificação da duração de um ciclo de espermatogênese, que varia entre 42 e 74 dias. Por outro lado, homens com astenozoospermia e/ou teratozoospermia tendem a ter problemas com espermiogênese, armazenamento epididimário e/ou maturação espermática. Embora alterações específicas não sejam diagnósticas de uma patologia específica, o padrão de disrupção pode sugerir uma direção para investigação contínua.
Todos os estágios da espermatogênese e espermatozoides maduros são suscetíveis ao ambiente experimentado pelo indivíduo. Mudanças a exposições ambientais e de estilo de vida em qualquer um desses estágios cruciais pode resultar em produção espermática interrompida e alterações na qualidade do sêmen. Um exemplo de exposição externa é a obesidade, que geralmente está associada a parâmetros espermáticos ruins. As concentrações relativas de estrogênio circulante são aumentadas em homens com obesidade devido ao aumento da conversão periférica de testosterona em estrogênio secundária aos altos níveis de aromatase presentes em quantidades aumentadas de tecido adiposo. Ademais, também está associada à redução na concentração sérica de testosterona, o que pode interromper o processo de espermatogênese.
Outro exemplo de estímulos externos que podem influenciar o processo dinâmico da espermatogênese consiste em substâncias químicas desreguladoras endócrinas (EDCs). Essas moléculas podem ser encontradas em muitos produtos do mundo moderno, como poluentes industriais, produtos agrícolas, utensílios de plástico para cozinhar e armazenar alimentos, produtos de beleza e outros. Os ftalatos, que são produtos químicos usados como plastificantes, têm um efeito antiandrogênico, resultando amplamente em uma diminuição na produção de testosterona pelas células de Leydig. O bisfenol A, usado na produção de plásticos e resinas epóxi possui um efeito antiandrogênico e antiestrogênico. A sua exposição A tem sido associada a parâmetros seminais ruins, com redução da motilidade espermática, concentração de espermatozoides e taxas de morfologia normal e aumento da fragmentação do DNA. O cádmio, um metal comumente usado na fabricação de baterias e pigmentos, demonstrou danificar a barreira hemato-testicular (BHT), resultando na falha em liberar espermátides maduras no lúmen do túbulo seminífero. As dioxinas, outra família química formada como subproduto de processos industriais, como fundição, branqueamento com cloro e síntese de herbicidas e pesticidas, mostraram aumentar a atividade do proto-oncogene, que se correlaciona positivamente com malignidades avançadas. Consequentemente, a exposição à dioxina é conhecida por causar cânceres reprodutivos e de desenvolvimento graves. Além disso, também demonstraram alterar a função da BHT, o que pode levar a parâmetros seminais piores, incluindo redução da concentração e motilidade espermática. Também foi demonstrado que EDCs como chumbo e dibrometo de etileno afetam a estrutura da cromatina espermática.
A fertilidade masculina, a espermatogênese e a qualidade do sêmen também podem ser afetadas por um histórico de doença oncológica, direta ou indiretamente, como um efeito adverso dos regimes de tratamento. Nas últimas três décadas, os avanços na terapia do câncer melhoraram substancialmente as taxas de sobrevivência; no entanto, muitos desses tratamentos representam um risco substancial de diminuição do potencial de fertilidade futuro devido à gonadotoxicidade. A quimioterapia e/ou a radioterapia são tratamentos comuns para o câncer, mas são conhecidas por causar uma redução na contagem de espermatozoides, muitas vezes causando azoospermia, às vezes permanentemente ou em níveis que persistem por vários anos. Normalmente, pacientes com uma doença oncológica que correm risco de infertilidade recebem um encaminhamento para congelar uma amostra de sêmen antes de iniciar a terapia para conservar a fertilidade ou encaminhamento para um urologista se as anormalidades espermáticas persistirem após o tratamento.
Fatores de estilo de vida, como o uso de drogas recreativas e exercícios de alta intensidade, têm sido associados a um aumento nas espécies reativas de oxigênio, levando à diminuição da motilidade e concentração de espermatozoides. As espécies reativas de oxigênio podem interagir com o DNA, levando a quebras de suas fitas, resultando em mutações estáveis ou apoptose. Além disso, as membranas dos espermatócitos são ricas em gorduras poliinsaturadas, que são facilmente oxidadas em radicais lipídicos, perturbando, por sua vez, a membrana lipídica dos espermatozoides. De fato, esses radicais lipídicos podem interagir com lipídios próximos, desencadeando uma redução na fluidez e integridade da membrana, desativando receptores e enzimas ligados à membrana e resultando em uma diminuição na especificidade da difusão de íons. Todas essas alterações acabam levando a uma capacidade diminuída de atingir a ligação do oócito e a uma redução na cinética da motilidade.
O tabagismo intenso resulta em um aumento de leucócitos no trato genital masculino e, subsequentemente, em altas concentrações de espécies reativas de oxigênio, o que se correlaciona negativamente com a motilidade e concentração de espermatozoides. Da mesma forma, o uso de drogas como cetamina e heroína resulta em uma diminuição na motilidade dos espermatozoides, enquanto o uso de opiáceos causa um aumento na fragmentação do DNA espermático e uma diminuição nas moléculas de eliminação de espécies reativas de oxigênio>. Além disso, o consumo excessivo de álcool, o uso de heroína e o tabagismo se correlacionam positivamente com o aumento da retenção de histonas durante a espermiogênese, o que significa uma maior oportunidade para as espécies reativas de oxigênio oxidarem e modificarem o conteúdo genético dos espermatozoides.
O efeito prejudicial das exposições ambientais e do estilo de vida na função reprodutiva masculina destaca a natureza sensível da espermatogênese. No entanto, a produção de espermatozoides em humanos é rápida. Assim, a decisão de um homem de fazer melhores escolhas de vida pode resultar em melhorias rápidas e significativas na saúde reprodutiva, com efeitos positivos de intervenções nutricionais e de estilo de vida de curto prazo nos resultados da análise seminal e parâmetros espermáticos avançados relatados em vários estudos. Por exemplo, os resultados de um estudo incluindo homens com >1 ano de subfertilidade e uma análise seminal anormal (n = 132) mostraram que uma intervenção de 3 meses com micronutrientes contendo L-carnitina (440 mg), L-arginina (250 mg), zinco (40 mg), vitamina E (120 mg), glutationa (80 mg), selênio (60 µg), coenzima Q10 (15 mg) e ácido fólico (800 µg)) resultou em um aumento nos parâmetros seminais básicos. Além disso, a taxa de gravidez nos 6 meses seguintes à intervenção foi relatada, e uma incidência maior foi relatada no grupo de intervenção (25,8%) do que no grupo sem intervenção (15%).
Curiosamente, até mesmo breves períodos de intervenção foram relatados como influenciando positivamente a qualidade do esperma. Por exemplo, em um estudo incluindo 402 homens com análise seminal anormal, um mês de intervenção no estilo de vida adaptada ao estilo de vida atual do indivíduo (incluindo redução ou cessação do tabagismo e da ingestão de álcool, uso de roupas íntimas mais folgadas, evitar o uso prolongado de banheiras, redução ou cessação de exposições à radiação, da ingestão de finasterida ou dutasterida e do uso de laptop ou computador no colo) resultou em melhorias na motilidade espermática, concentração e contagem total de espermatozoides móveis. Além disso, a proporção de participantes categorizados como portadores de oligozoospermia, astenozoospermia ou oligoastenozoospermia diminuiu significativamente após o tratamento.
Em conclusão, em conjunto, os resultados desses estudos destacaram a natureza dinâmica da produção de espermatozoides e como a modificação rápida de um fator ambiental ou de estilo de vida pode resultar em uma mudança positiva na função reprodutiva.
| Análise do sêmen como um medidor da saúde geral masculina |
A análise do sêmen pode ser vista não apenas como uma medida da fertilidade masculina, mas também como um parâmetro da saúde geral dos homens. Resultados de múltiplos estudos estabeleceram que homens com infertilidade ou medidas seminais anormais apresentam um risco aumentado de hospitalização e morte. Essa disfunção na função espermática provavelmente refletia uma condição de saúde subjacente, já que a associação entre o parâmetro espermático individual e a mortalidade foi repetidamente resolvida após o ajuste para idade e saúde geral através do Índice de Comorbidade de Charlson e do Modelo de Categorias Hierárquicas de Condições dos Centros de Serviços de Medicare e Medicaid. Independentemente disso, o fato de que homens com dois ou mais parâmetros espermáticos anormais apresentavam um risco 2,3 vezes maior de morte destaca como a qualidade do sêmen reflete a saúde geral.
Uma das doenças crônicas mais prevalentes em homens em idade reprodutiva é a obesidade. Essa condição está associada a um risco aumentado de doença cardiovascular e mortalidade. Além disso, também está associada a uma redução nos parâmetros básicos do esperma, como concentração, motilidade, morfologia e viabilidade dos espermatozoides, e a uma maior frequência de infertilidade.
Complicações da obesidade parecem ter efeitos prejudiciais aditivos na fertilidade em homens. Por exemplo, a síndrome metabólica é uma condição caracterizada por obesidade com complicações associadas (diabetes mellitus, hipertensão e dislipidemia). Em uma meta-análise, a síndrome metabólica demonstrou estar consistentemente associada ao aumento da fragmentação do DNA espermático. O diabetes mellitus isoladamente foi associado a uma redução no volume seminal e na morfologia normal do espermatozoide. Além disso, resultados de um estudo em um modelo de camundongo de hipóxia intermitente (imitando a apneia obstrutiva do sono, uma condição respiratória comum associada à obesidade) mostraram um aumento no estresse oxidativo, caracterizado por uma redução nos níveis das enzimas antioxidantes GPX1 e SOD1 e comprometimento da motilidade espermática.
Doenças agudas ou crônicas graves (como insuficiência renal, insuficiência hepática, inanição ou COVID-19) também foram associadas à interrupção nos parâmetros espermáticos, corroborando ainda mais a associação entre doença médica e infertilidade. A interrupção da espermatogênese também pode refletir condições como falência gonadal, que de outra forma poderia não ser diagnosticada. Muitos sintomas de falência ovariana precoce são vagos (fadiga, libido reduzida, ginecomastia, alterações na distribuição muscular) e as causas são muito variadas, desde doenças testiculares primárias, como síndrome de Klinefelter, orquite, quimioterapia, varicocele e trauma, até doenças pituitárias secundárias, como deficiência de GnRH, medicações e hiperprolactinemia. Notavelmente, a síndrome de Klinefelter é uma das causas mais comuns de falência gonadal, estimada em afetar 1 em cada 500–1.000 homens e é caracterizada pela aneuploidia cromossômica 47 XXY. Sintomas únicos desta doença são geralmente sutis (incluindo hipotonia, dificuldades de aprendizagem e estatura alta) e, portanto, o diagnóstico é tardio ou perdido em muitos casos. Azoospermia ou oligozoospermia estão confiavelmente presentes na maioria dos homens com esta condição, destacando como alterações marcantes nos parâmetros seminais podem ser um gatilho para uma investigação mais aprofundada da patologia não diagnosticada.
Um potencial fator importante das associações observadas entre doença crônica e parâmetros seminais pode ser as exposições ambientais e de estilo de vida experimentadas por esses indivíduos. Nos últimos 200 anos, muitos produtos químicos tóxicos, bem como revoluções industriais, dietas extremas, aumento de comportamentos sedentários e avanços tecnológicos e médicos drásticos foram introduzidos na cultura ocidental. Muitos desses fatores levaram a um aumento da prevalência de obesidade, exposição crônica a produtos químicos perigosos, um aumento da prevalência de cânceres e de doenças crônicas. Muitas escolhas de estilo de vida relacionadas à má saúde estão associadas ao comprometimento da qualidade do esperma.
A dieta prototípica atual nos países desenvolvidos é a 'dieta ocidental', caracterizada por uma alta ingestão de alimentos refinados ou processados ricos em carboidratos. Esta tem efeitos sistêmicos negativos substanciais, incluindo aumento da inflamação, metabolismo perturbado e um risco aumentado de doença cardiovascular e câncer. Além disso, está associada a um risco aumentado de infertilidade. Em contraste, vários estudos transversais demonstraram que a dieta mediterrânea foi associada a parâmetros espermáticos melhorados, como concentração e motilidade.
Sendo assim, a análise do sêmen fornece uma visão da saúde geral de um indivíduo, e a presença de resultados anormais pode justificar uma investigação mais aprofundada e o gerenciamento de condições de saúde subjacentes (como mudanças no estilo de vida ou encaminhamento para um subespecialista). Uma análise do sêmen é relativamente fácil e barata de realizar, mas explorar os possíveis efeitos psicológicos prejudiciais de um resultado anormal é importante para garantir a máxima utilidade dos seus resultados como uma ferramenta de investigação e um motivador para a mudança de estilo de vida.
| Análise do sêmen como uma ferramenta para reduzir a morbidade e melhorar a adesão a um estilo de vida saudável |
Em um estudo, participantes que se submeteram a uma análise de semên demonstraram um maior interesse em receber informações relacionadas à fertilidade. Esse nível aumentado de engajamento com a saúde reprodutiva incentiva a ideia que a geração Z considera a fertilidade como um fator importante de saúde e, portanto, pode servir como um motivador positivo para a mudança nos hábitos de saúde e estilo de vida dos homens. Além disso, eles mostraram interesse em receber informações e orientações adicionais sobre fatores comportamentais e de estilos de vida modificáveis.
O aumento do interesse demonstrado pelos homens em sua saúde reprodutiva indica que usar a fertilidade como um motivador para promover intervenções de estilo de vida saudável.
| Potencial de alavancar sentimentos de masculinidade associados à fertilidade como um motivador para mudanças na saúde |
A fertilidade em homens está frequentemente entrelaçada com o senso de masculinidade devido a normas sociais que equiparam virilidade com capacidade reprodutiva. Portanto, enfrentá-la ou aprender sobre resultados anormais de análise de sêmen pode ser percebido como um profundo fracasso da masculinidade, frequentemente acompanhado por sentimentos de culpa e vergonha, todos os quais podem ser ainda mais exacerbados pela bagagem cultural. Essa percepção pode levar a pressões psicológicas.
Homens que enfrentam problemas médicos relacionados à fertilidade frequentemente suprimem suas emoções, lidando com sentimentos de inadequação e a percepção de se sentirem "menos homens". O estigma em torno de resultados ruins de análise de sêmen intensifica esses sentimentos, levando os homens a questionar sua masculinidade e identidade. A profundidade da vergonha e da culpa frequentemente se correlaciona com a gravidade do diagnóstico, com homens que enfrentam condições graves, como azoospermia ou falência testicular completa, relatando aumento dos sentimentos de constrangimento e desafios substanciais em discutir sua situação.
Sexualidade e libido também são altamente associadas à masculinidade. Em muitas culturas, uma libido robusta é equiparada à virilidade, reforçando a ideia de que o desejo sexual de um homem reflete diretamente suas capacidades reprodutivas. Essa noção pode criar pressão para que os homens mantenham altos níveis de desempenho sexual, ligando o desejo diretamente à virilidade. Homens que enfrentam problemas de fertilidade frequentemente também apresentam disfunção sexual, com uma forte correlação positiva entre infertilidade e a incidência de disfunção erétil. Essa conexão entre sexualidade, libido e masculinidade pode criar uma paisagem emocional complexa, onde questões de autoestima e identidade se entrelaçam com fatores biológicos.
| Conclusão |
As taxas de infertilidade em todo o mundo estão aumentando constantemente, impulsionadas por vários fatores, incluindo o declínio da saúde reprodutiva masculina e da qualidade do sêmen. A espermatogênese é conhecida por ser um processo altamente complexo e dinâmico, suscetível ao efeito de fatores ambientais, de estilo de vida e de saúde. Homens que recebem a notícia de uma análise seminal anormal geralmente a percebem como um profundo fracasso da masculinidade, que é frequentemente acompanhado por sentimentos avassaladores de culpa e vergonha. Um resultado anormal de análise seminal provavelmente inspirará uma avaliação mais aprofundada da fertilidade e a apresentação de opções de tratamento por parte dos prestadores de cuidados primários, mas também pode ser uma oportunidade para uma avaliação mais abrangente da saúde geral, a fim de identificar a causa subjacente dos resultados insatisfatórios da análise. Incorporar a fertilidade masculina como parte integrante de uma avaliação ampla da saúde masculina pode mudar a narrativa sobre como a saúde reprodutiva masculina é percebida.