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/ Publicado el 10 de noviembre de 2025

Envelhecimento populacional

Quais são as projeções globais da doença de Parkinson até 2050?

Estudo global revelou aumento expressivo e desigual da doença de Parkinson nas próximas décadas.

Introdução

A doença de Parkinson (DP) é a segunda condição neurodegenerativa mais comum no mundo, com o crescimento acelerado em termos de prevalência e incapacidade. Estima-se que, até 2040, as doenças de Parkinson e de Alzheimer ultrapassem o câncer como segunda principal causa de morte global.

Apesar de estudos anteriores terem projetado o número de casos em alguns países, ainda faltam previsões abrangentes da prevalência global, especialmente considerando fatores como idade, sexo e nível socioeconômico. O envelhecimento populacional é o principal fator de risco, mas mudanças ambientais, estilo de vida e avanços socioeconômicos também influenciam a trajetória da doença.

A maioria dos estudos anteriores utilizou um único modelo para projetar a prevalência futura de doenças; no entanto, os resultados variaram devido à incerteza na seleção do modelo. Diante disso, o estudo de Su e colaboradores (2025) buscou fornecer projeções da prevalência global, regional e nacional da doença de Parkinson por idade, sexo, ano e índice sociodemográfico até 2050. Além disso, os autores analisaram os fatores determinantes que influenciam os padrões temporais e espaciais do número previsto de casos de DP.

Metodologia

O estudo utilizou dados do Global Burden of Disease (GBD) 2021 para projetar a prevalência da doença entre 2022 e 2050 em 195 países. A definição de caso considerou sintomas clínicos, critérios diagnósticos reconhecidos, codificações do International Classification of Diseases (ICD) e uso de medicamentos específicos. As projeções foram feitas por meio de seis modelos de regressão de Poisson, combinados em uma abordagem de média bayesiana, com validação por dados históricos, e índice sociodemográfico como principal preditor. Fatores modificáveis como tabagismo e atividade física foram analisados por meio de frações atribuíveis populacionais e de impacto potencial.

Resultados

O estudo projetou que o número global de pessoas com doença de Parkinson aumentará de 11,9 milhões em 2021 para 25,2 milhões em 2050 (112%), com prevalência estimada de 267 casos por 100.000 habitantes — mais elevada entre homens. Especialmente em regiões com índice sociodemográfico intermediário, a prevalência padronizada por idade também aumentará, chegando a 216 por 100.000.

Todas as 21 regiões do GBD apresentarão aumento de casos, com destaque para Ásia Oriental e Sul da Ásia. As maiores taxas de crescimento ocorrerão na África Subsaariana Ocidental e Oriental, enquanto o menor será observado na Europa Central e Oriental. Em 2050, dois terços dos casos estarão concentrados em países como China, Índia e EUA, com Indonésia e México entrando nesse grupo pela primeira vez.

A prevalência da doença de Parkinson aumentará com a idade, atingindo o pico entre 85 e 89 anos. Em 2050, pessoas acima de 60 anos terão prevalência de 1.055 por 100.000 habitantes, com maior concentração de casos entre 60 e 79 anos. Embora indivíduos de 20 a 40 anos apresentem os menores números absolutos, essa faixa etária terá o maior crescimento proporcional, especialmente em países de baixo desenvolvimento. Já pessoas acima de 80 anos terão a maior prevalência (2087 por 100.000) e o maior aumento no número de casos. A idade média dos pacientes também crescerá globalmente, com destaque para regiões de índice sociodemográfico intermediário.

Em relação ao sexo, 46% dos casos serão em mulheres, mas a prevalência padronizada por idade continuará maior entre homens. A razão homem-mulher aumentará de 1,46 para 1,64 até 2050, com crescimento mais acentuado em países de renda média-alta. Apesar disso, a idade média dos pacientes será maior entre mulheres.

Na análise de decomposição, o envelhecimento populacional foi o principal fator para o aumento de casos (89%), seguido pelo crescimento populacional (20%) e mudanças na prevalência (3%). Em países menos desenvolvidos, o crescimento populacional teve maior impacto, enquanto em regiões mais desenvolvidas, a mudança na prevalência foi mais relevante. Em algumas áreas, como Oceania e América do Norte de alta renda, esses dois fatores contribuíram negativamente para o número de casos. A Indonésia se destacou como o país com maior aumento projetado, impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional.

Quanto aos fatores modificáveis, o estudo estimou que a atividade física poderia reduzir os casos em 4,9% até 2050. Um aumento de 20% na atividade física resultaria em uma redução de 2,6%, equivalente a 650 mil casos. Por outro lado, a cessação total do tabagismo levaria a um aumento de 10,6% nos casos, e uma redução de 20% no hábito de fumar resultaria em um acréscimo de 2,1%, equivalente a 530 mil casos.

Os autores ressaltaram que, apesar de o tabagismo estar associado a um menor risco de DP, seus danos à saúde superam qualquer possível benefício, e reduzir o consumo de tabaco continua sendo essencial.

Conclusão

As projeções de Su e colaboradores (2025) indicaram que a doença de Parkinson crescerá globalmente até 2050, impulsionada principalmente pelo envelhecimento populacional. Os dados indicaram um crescimento expressivo e desigual da doença, com variações por faixa etária, sexo e localização geográfica, o que reforçou a necessidade de estratégias de prevenção adaptadas às realidades locais. A ampliação da diferença entre homens e mulheres, o impacto dos fatores modificáveis e a concentração de casos em países de renda média destacaram a importância de políticas públicas voltadas à promoção da atividade física e ao controle do tabagismo. Dada a natureza crônica e incapacitante da doença, há urgência em investir em pesquisas que desenvolvam terapias capazes de modificar seu curso e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.