Detectar precocemente distúrbios neurodegenerativos continua sendo um desafio, já que a patologia cerebral frequentemente precede os sintomas por anos. A proteína SLIT2, conhecida por seu papel na orientação neural e no desenvolvimento, surgiu recentemente como uma candidata para sinalizar o declínio neurocognitivo. O estudo da Universidade de Boston é o primeiro a comparar as concentrações de SLIT2 tanto no fluido ocular quanto no sangue, fornecendo dados essenciais para futuras estratégias diagnósticas.
Os pesquisadores recrutaram 79 pacientes, com idade média de 56 anos, que estavam agendados para cirurgia ocular. Durante os procedimentos, foram coletadas amostras de humor vítreo e plasma sanguíneo, analisadas por meio de um imunoensaio SLIT2 altamente sensível e desenvolvido sob medida. Cada participante passou por uma bateria de testes cognitivos, incluindo triagem geral com o Montreal Cognitive Assessment e testes de memória verbal.
Os resultados mostraram que o humor vítreo continha até sete vezes mais SLIT2 do que o sangue, mas as duas medidas não estavam correlacionadas. Aqueles com menores níveis de SLIT2 no fluido ocular tiveram pior desempenho nos testes cognitivos; paradoxalmente, níveis mais altos de SLIT2 no plasma também estavam associados a escores cognitivos reduzidos. Essas associações se mantiveram mesmo após o controle de variáveis como idade, sexo, raça, diabetes, doenças da retina, glaucoma e genótipo APOE.
O papel duplo da SLIT2 como biomarcador no olho e no sangue indicou que o fluido ocular pode se tornar uma fonte prática e minimamente invasiva para triagem precoce de demência na prática clínica. A identificação precoce por meio de biomarcadores oculares pode permitir intervenções mais rápidas e melhores resultados, à medida que novas terapias para demência surgem.