| Introdução |
O parto prematuro (PP) é a principal causa de mortalidade e morbidade neonatal. Devido às complicações da prematuridade, quando o trabalho de parto prematuro (TPP) é diagnosticado antes de 34 semanas de gestação, inicia-se um tratamento tocolítico para prolongar a gravidez. Como mulheres com TPP interrompido (TPPI) apresentam maior risco de PP, torna-se essencial a busca por agentes eficazes para prolongar a gestação.
As progestinas foram sugeridas para esse papel em estudos anteriores, contudo, o efeito da progesterona micronizada vaginal (PMV) ainda não foi totalmente investigado. Nesse contexto, Nachum e colaboradores (2024) avaliaram o impacto da administração diária de 400 mg de PMV no prolongamento da gestação após TPPI, tanto em gestações únicas quanto gemelares.
| Métodos |
Os pesquisadores realizaram um ensaio clínico randomizado entre 2018 e 2023 em centros médicos de Israel. O estudo incluiu mulheres com gestações únicas e gemelares após TPPI, submetidas à tocólise entre 24 semanas e 0 dias e 34 semanas e 0 dias de gestação. As participantes foram alocadas aleatoriamente para receber PMV 200 mg duas vezes ao dia ou nenhum tratamento até 36 semanas e 6 dias de gestação. O desfecho primário foi o número médio de dias entre a inclusão no estudo e o parto.
| Resultados |
Um total de 129 participantes foram recrutadas, sendo 65 no grupo PMV e 64 no grupo sem tratamento. Não houve diferença significativa entre os grupos quanto ao prolongamento da gestação, com uma média de 40,0 dias no grupo PMV contra 37,4 dias no grupo sem tratamento (P = 0,44). A taxa de parto espontâneo pré-termo (PEPT) também não apresentou variação relevante, com 25% no grupo PMV e 30% no grupo sem tratamento (risco relativo = 0,8; IC 95%: 0,5–1,5; P = 0,52).
No entanto, em gestações gemelares, que incluíram 12 pares no grupo PMV e 15 no grupo sem tratamento, observou-se que a administração de PMV resultou em um prolongamento significativo da gestação, com uma média de 43,7 dias no grupo PMV em comparação a 26,1 dias no grupo sem tratamento (P = 0,02). Adicionalmente, houve um atraso na idade gestacional do parto, sendo de 36,5 semanas no grupo PMV contra 34,7 semanas no grupo sem tratamento (P = 0,01). Além disso, o tempo de internação na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) foi reduzido, com uma média de 4,9 dias no grupo PMV contra 13,2 dias no grupo sem tratamento (P = 0,03), assim como o tempo total de hospitalização, que foi de 8,3 dias no grupo PMV e 15,1 dias no grupo sem tratamento (P = 0,03).
| Conclusão |
O estudo de Nachum e colaboradores (2024) demonstrou que a administração de PMV na dose de 200 mg duas vezes ao dia após TPPI não foi eficaz para prolongar a gravidez ou prevenir PEPT em gestações únicas. No entanto, observou-se benefícios significativos em gestações gemelares, o que indica a necessidade de novas investigações para melhor compreender o papel da PMV nesse grupo específico de gestantes.