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Publicado el 24 de abril de 2025

Probióticos

Probióticos na infância: uma nova abordagem para a febre nas infecções respiratórias?

Resultados promissores de um estudo clínico com mistura probiótica na redução da duração da febre.

Autor/a: Bettocchi S, Comotti A, Elli M, et al.

Fuente: JAMA Netw Open. 2025;8(3):e250669. doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.0669 Probiotics and Fever Duration in Children With Upper Respiratory Tract Infections: A Randomized Clinical Trial.

As infecções do trato respiratório superior (ITRS) são altamente relatadas na população pediátrica. É comum uma criança ter de 5 a 8 ITRS por ano, especialmente nos primeiros 5 anos de vida. Elas são desencadeadas por diferentes agentes infecciosos, principalmente vírus respiratórios. Os sintomas incluem congestão e corrimento nasal, dor de garganta, vermelhidão ou secreção ocular, tosse, rouquidão, irritabilidade, diminuição do apetite, distúrbios do sono e febre. Atualmente, não há tratamento rotineiro baseado em evidências para ITRS. O uso de antipiréticos diminui transitoriamente a temperatura corporal, mas não tem efeito sobre a duração geral da febre. Antibióticos são eficazes apenas em um número limitado de ITRS.

Nas últimas décadas, a administração de probióticos surgiu como uma nova abordagem potencial para o tratamento de doenças infecciosas. A interação entre a microbiota intestinal, os processos inflamatórios e a resposta imunológica sugere o possível papel desses suplementos nessas condições.

Poucos dados foram relatados sobre o papel dos probióticos em crianças com infecções do trato respiratório. Por isso, Bettocchi e colaboradores (2025) avaliaram a eficácia de uma mistura probiótica contendo Bifidobacterium breve M-16V, Bifidobacterium lactis HN019 e Lactobacillus rhamnosus HN001 na redução da duração da febre em crianças com ITRS.

Para isso, eles realizaram um ensaio clínico randomizado no pronto-socorro pediátrico do Ca’ Granda Ospedale Maggiore Policlinico em Milão, Itália. Pacientes entre 28 dias e 4 anos de idade com febre (≥38,5 °C) e ITRS foram elegíveis. Os critérios de exclusão incluíram uso recente de probióticos, doenças autoimunes crônicas, tratamento imunossupressor e necessidade de hospitalização. O grupo probiótico recebeu dose única diária de 0,5 mL da mistura probiótica contendo Bifidobacterium breve M-16V, Bifidobacterium lactis HN019 e Lactobacillus rhamnosus HN001 por 14 dias. O grupo placebo recebeu dose única diária de 0,5 mL de placebo por 14 dias. O resultado primário foi a duração da febre, definida como o número de dias entre o primeiro e o último dia com febre.

Foram incluídos 128 pacientes, sendo 54% homens, com idade média de 2,5 anos. A raça e etnia foram: 4% asiáticos, 1% eurasiáticos, 10% hispânicos, 6% norte-africanos e 79% crianças brancas. Ademais, 26% das crianças inscritas estavam recebendo antibióticos no momento da inscrição. Em relação à aderência ao tratamento, 55% foram totalmente aderentes, 13% parcialmente e 32% abondaram o estudo.

Os participantes que receberam probióticos apresentaram uma duração de febre significativamente menor em aproximadamente dois dias em comparação com aqueles que receberam placebo. No geral, a mistura probiótica foi segura e foram observados poucos eventos adversos leves.

Entre os pacientes que receberam antibióticos no momento da inscrição, nenhum no grupo intervenção e três no grupo controle desenvolveram diarreia. Entre os pacientes que receberam alta sem nenhum antibiótico, 2% no grupo probiótico e 12% no placebo receberam prescrição de antibióticos durante as visitas de acompanhamento após a alta do pronto-socorro.

Em conclusão, o estudo de Bettocchi e colaboradores (2025) indicou que a administração de uma mistura probiótica contendo Bifidobacterium breve M-16V, Bifidobacterium lactis HN019 e Lactobacillus rhamnosus HN001 resultou em uma duração mais curta da febre em 2 dias em comparação com o placebo em crianças com ITRS. Não foram observados problemas de segurança e tolerabilidade.