A terapia intensiva com insulina pode retardar complicações e melhorar a expectativa de vida. No entanto, o diabetes tipo 1 de início precoce continua associado à redução da qualidade de vida, alto risco cardiovascular e vida útil encurtada. A toxicidade da imunossupressão crônica também contribui para a morbidade e mortalidade em receptores de órgãos.
No estudo “Survival of Transplanted Allogeneic Beta Cells with No Immunosuppression”, publicado no New England Journal of Medicine, os pesquisadores conduziram o primeiro ensaio clínico aberto em humanos para testar se células de ilhotas com engenharia hipoimune poderiam evitar rejeição.
Um único paciente — homem de 42 anos com 37 anos de histórico de diabetes tipo 1 — compôs a coorte.
As ilhotas foram extraídas de um pâncreas de doador falecido compatível com tipo sanguíneo O, dissociadas, editadas com CRISPR-Cas12b para eliminar os genes B2M e CIITA, transduzidas com lentivírus para superexpressar CD47, reagrupadas e injetadas em 17 trajetos no músculo braquiorradial esquerdo sob anestesia geral. Nenhum glicocorticoide, agente anti-inflamatório ou imunossupressor foi administrado.
Testes seriados ao longo de 84 dias mostraram ataques imunológicos adaptativos e inatos contra células remanescentes selvagens e com dupla deleção. As células hipoimunes não provocaram ativação de células T, produção de anticorpos ou citotoxicidade. A dosagem de peptídeo C de alta sensibilidade permaneceu próxima ou acima de 10 pmol/L e aumentou durante testes com refeições mistas; a hemoglobina glicada caiu cerca de 42%. Exames de ressonância magnética e PET com receptor GLP-1 confirmaram enxertos viáveis sem inflamação. Quatro eventos adversos leves foram registrados, nenhum relacionado ao medicamento.
A terapia diária com insulina foi mantida, já que apenas 7% da dose total de reposição de células beta foi implantada. Os autores descrevem o estudo como uma validação de prova de sobrevivência e de função.
Os pesquisadores concluíram que a edição genética hipoimune pode eventualmente levar à substituição curativa de células beta para o diabetes tipo 1 sem imunossupressão sistêmica — uma perspectiva que pode facilitar o manejo diário e reduzir complicações a longo prazo para milhões de pessoas.