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/ Publicado el 7 de abril de 2025

Atualização da prática clínica

Prevenção do acidente vascular encefálico primário

Um resumo da Diretriz de 2024 da American Heart Association/American Stroke Association

Hábitos de vida saudáveis, como boa nutrição, cessação do tabagismo e atividade física regular, juntamente com exames de saúde rotineiros e o manejo de fatores de risco para doenças cardiovasculares e acidente vascular encefálico (AVE) com medicamentos, podem ajudar a prevenir que indivíduos sofram um AVE primário. A triagem para o risco da doença e a educação sobre como reduzir as suas chances devem começar com o profissional de atenção primária à saúde, de acordo com uma nova diretriz clínica da American Stroke Association.

A “2024 Guideline for the Primary Prevention of Stroke: A Guideline From the American Heart Association/American Stroke Association” substitui a versão de 2014 e é um recurso para os clínicos na implementação de uma variedade de estratégias de prevenção para indivíduos sem histórico prévio de AVE. As principais atualizações da diretriz estão resumidas abaixo:

Comportamentos de estilo de vida saudável

Os comportamentos de estilo de vida mais comuns e tratáveis que podem ajudar a reduzir o risco de AVE são: nutrição saudável, atividade física regular, evitar o tabaco, sono e peso saudáveis, controlar o colesterol, a pressão arterial e o açúcar no sangue.

A dieta mediterrânea é um padrão alimentar que demonstrou reduzir o risco de AVE, especialmente quando suplementada com nozes e azeite. No entanto, dietas com baixo teor de gordura tiveram pouco impacto na redução do risco. Por isso, recomendou-se que adultos sem doença cardiovascular prévia e aqueles com risco alto ou intermediário adotem essa dieta.

A atividade física é essencial para a saúde cardiovascular e a redução do risco de acidente vascular encefálico. Diversos estudos demonstraram que o comportamento sedentário prolongado durante as horas de vigília foi associado a um maior risco de AVe. Por isso, a diretriz instou que os profissionais de saúde rastreiem rotineiramente os pacientes quanto ao comportamento sedentário e os aconselhem a se engajarem em atividade física regular. A Associação reforçou a recomendação da Organização Mundial da Saúde de que os adultos façam pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade aeróbica vigorosa, ou uma combinação de ambas, de preferência distribuídas ao longo da semana.

Medicamentos

Agonistas do receptor do peptídeo similar ao glucagon-1 (GLP-1) demonstraram ser eficazes não apenas para melhorar o manejo do diabetes tipo 2, mas também para a perda de peso e a redução do risco de doenças cardiovasculares e AVe. Com base nesses dados, a diretriz recomendou o uso desses medicamentos em pacientes com diabetes e alto risco cardiovascular ou doença cardiovascular estabelecida.

Adicionalmente, inibidores da proproteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9) foram reconhecidos por sua eficácia no manejo da hiperlipidemia em adultos, potencialmente diminuindo o risco de AVE. Esses avanços na medicação oferecem opções de tratamento novas e promissoras para pacientes com essas condições.

O controle da pressão arterial é crítico para a prevenção de acidente vascular encefálico. Ensaios clínicos randomizados demonstraram que o tratamento com um medicamento anti-hipertensivo foi eficaz para atingir a meta de pressão arterial em apenas ≈30% dos participantes e que a maioria atingiu a meta com 2 ou 3 fármacos. Portanto, ≥2 medicamentos anti-hipertensivos foram recomendados para a prevenção primária de acidente vascular encefálico na maioria dos pacientes que necessitem de tratamento farmacológico da hipertensão.

A terapia antiplaquetária foi recomendada para pacientes com síndrome antifosfolípide (SAF) ou lúpus eritematoso sistêmico sem histórico de acidente vascular encefálico ou tromboembolismo venoso não provocado para prevenir AVE. Pacientes com síndrome antifosfolípide que tiveram uma trombose venosa não provocada prévia provavelmente se beneficiam da terapia com antagonistas da vitamina K.

Novas recomendações específicas para sexo e gênero

A prevenção do AVE relacionado à gravidez pode ser alcançada principalmente por meio do controle da hipertensão. Recomendou-se o tratamento da pressão arterial sistólica verificada ≥160 mmHg ou da pressão arterial diastólica ≥110 mmHg durante a gravidez e até 6 semanas após o parto para reduzir o risco de hemorragia intracerebral materna fatal. Além disso, resultados adversos da gravidez são comuns e estão associados à hipertensão crônica e a um risco elevado de acidente vascular encefálico mais tarde na vida. Portanto, recomendou-se a triagem desses resultados para avaliar e controlar os fatores de risco vascular.

Endometriose, insuficiência ovariana precoce (antes dos 40 anos de idade) e menopausa precoce (antes dos 45 anos de idade) foram associadas a um maior risco de AVE. Portanto, a triagem para essas três condições é uma etapa razoável na avaliação e no manejo dos fatores de risco vascular nesses indivíduos para reduzir o risco de acidente vascular encefálico.

Compreender a saúde de pessoas transgênero é essencial para uma prática clínica verdadeiramente inclusiva. Mulheres transgênero que tomam estrógenos foram identificadas como tendo um risco aumentado de AVE. Portanto, a avaliação e a modificação dos fatores de risco podem ser benéficas para a redução do risco da doença nessa população.

Equidade em saúde e risco de AVE

Por fim, a diretriz trouxe ênfase nos determinantes sociais da saúde e o impacto que eles têm no risco de AVE. Esses foram definidos como fatores não médicos, incluindo educação, estabilidade econômica, acesso a cuidados, discriminação, racismo estrutural e fatores de vizinhança (como a falta de acessibilidade a pé, menor disponibilidade de alimentos saudáveis e menos recursos de saúde), que contribuem para as desigualdades nos cuidados e influenciam a saúde geral. Os profissionais de saúde devem garantir que a educação do paciente esteja disponível para vários níveis educacionais e linguísticos e defender seus pacientes, escolhendo tratamentos e medicamentos eficazes e acessíveis.

Os profissionais de saúde também foram incentivados a conectar os pacientes a recursos que os ajudem a atender às necessidades sociais relacionadas à saúde, como insegurança alimentar e habitacional, e direcioná-los a programas de apoio que podem ajudar a reduzir os custos de assistência médica, incluindo despesas com medicamentos.