A pressão arterial sistólica elevada é a condição coexistente mais comum entre pacientes com diabetes. Diferentes diretrizes clínicas o controle da hipertensão devido aos seus benefícios inequívocos na diminuição do risco de doença cardiovascular; no entanto, as metas eficazes e redução da pressão arterial sistólica nessa população não são claras.
Por isso, Bi e colaboradores (2024) realizaram o estudo Blood Pressure Control Target in Diabetes (BPROAD). Eles investigaram se o tratamento intensivo visando uma pressão arterial sistólica de menos de 120 mmHg seria mais eficaz do que o padrão, com valores menores de140 mmHg, na redução do risco de eventos cardiovasculares maiores entre pacientes com diabetes tipo 2.
Para isso, eles inscreveram pacientes com 50 anos ou mais com diabetes tipo 2, pressão arterial sistólica elevada e risco aumentado de doença cardiovascular em 145 centros clínicos na China. Os pacientes foram aleatoriamente designados para receber tratamento intensivo ou padrão por até 5 anos. O resultado primário foi um composto de acidente vascular cerebral não fatal, infarto do miocárdio não fatal, tratamento ou hospitalização por insuficiência cardíaca ou morte por causas cardiovasculares.
No total, 12.821 pacientes foram inscritos de fevereiro de 2019 a dezembro de 2021. Desses, 6.414 foram aleatoriamente designados para o grupo de tratamento intensivo e 6.407 para o padrão. A média de idade (±DP) foi de 63,8±7,5 anos, e 45,3% eram mulheres; 22,5% tinham histórico de doença cardiovascular clínica no início do estudo.
A pressão arterial sistólica média no início do estudo foi de 140,0±10,2 mmHg no grupo de tratamento intensivo e 140,4±10,2 mmHg no padrão. Em ambos os grupos, esses valores diminuíram rapidamente após a intervenção, e a diferença entre eles foi mantida durante todo o estudo. Após um ano de acompanhamento, a pressão arterial sistólica média foi de 121,6 mm Hg no grupo de tratamento intensivo e 133,2 mm Hg no padrão. Nesse período, aproximadamente 60% dos pacientes no grupo de tratamento intensivo atingiram a meta de pressão arterial sistólica.
Durante o acompanhamento mediano de 4,2 anos, eventos de resultado primário ocorreram em 393 pacientes no grupo de tratamento intensivo, em comparação com 492 no grupo de tratamento padrão. Em relação ao infarto do miocárdio fatal ou não fatal, tratamento ou hospitalização por insuficiência cardíaca e morte por causas cardiovasculares, os achados foram semelhantes entre os grupos. No entanto, o acidente vascular cerebral fatal ou não fatal ocorreu em 284 e 356 pacientes no grupo tratamento intensivo e padrão, respectivamente. A morte por qualquer causa ocorreu em 169 e 179 pacientes do grupo tratamento intensivo e padrão respectivamente.
Incidências semelhantes no desenvolvimento e na progressão da doença renal crônica (DRC) foram observadas nos dois grupos. A albuminúria incidente ocorreu em 554 e 684 pacientes no grupo de tratamento intensivo e no padrão, respectivamente.
No grupo de tratamento intensivo, 36,5% pacientes apresentaram eventos adversos graves, em comparação com 36,3% no padrão. Não houve diferença significativa na incidência de eventos adversos graves entre os grupos. No entanto, hipotensão sintomática ocorreu com mais frequência no grupo de tratamento intensivo. Além disso, a hipercalemia (>5,5 mmol por litro) também foi mais comum nesse grupo.
Sendo assim, entre pacientes com diabetes tipo 2 e pressão arterial sistólica elevada, a incidência de eventos cardiovasculares maiores durante um acompanhamento de até 5 anos foi significativamente menor com uma estratégia de tratamento intensivo em comparação com o tratamento padrão. Apesar dos benefícios observados, é crucial monitorar de perto os pacientes submetidos a tratamento intensivo para detectar possíveis eventos adversos, como hipotensão sintomática e hipercalemia.
Publicado el 18 de mayo de 2025
Pressão arterial
Alvo da pressão arterial sistólica no Diabetes tipo 2 menor do que 120 mmHg pode ser o novo padrão
Resultados do estudo BPROAD desafiam diretrizes anteriores e apontam para benefícios do controle intensivo da pressão arterial, com ressalvas.
Autor/a: Bi, M. et al.
Fuente: N Engl J Med V. 592, P. 1155-1167, 2025 DOI: 10.1056/NEJMoa2412006 Intensive Blood-Pressure Control in Patients with Type 2 Diabetes
A pressão arterial sistólica elevada é a condição coexistente mais comum entre pacientes com diabetes. Diferentes diretrizes clínicas o controle da hipertensão devido aos seus benefícios inequívocos na diminuição do risco de doença cardiovascular; no entanto, as metas eficazes e redução da pressão arterial sistólica nessa população não são claras.
Por isso, Bi e colaboradores (2024) realizaram o estudo Blood Pressure Control Target in Diabetes (BPROAD). Eles investigaram se o tratamento intensivo visando uma pressão arterial sistólica de menos de 120 mmHg seria mais eficaz do que o padrão, com valores menores de140 mmHg, na redução do risco de eventos cardiovasculares maiores entre pacientes com diabetes tipo 2.
Para isso, eles inscreveram pacientes com 50 anos ou mais com diabetes tipo 2, pressão arterial sistólica elevada e risco aumentado de doença cardiovascular em 145 centros clínicos na China. Os pacientes foram aleatoriamente designados para receber tratamento intensivo ou padrão por até 5 anos. O resultado primário foi um composto de acidente vascular cerebral não fatal, infarto do miocárdio não fatal, tratamento ou hospitalização por insuficiência cardíaca ou morte por causas cardiovasculares.
No total, 12.821 pacientes foram inscritos de fevereiro de 2019 a dezembro de 2021. Desses, 6.414 foram aleatoriamente designados para o grupo de tratamento intensivo e 6.407 para o padrão. A média de idade (±DP) foi de 63,8±7,5 anos, e 45,3% eram mulheres; 22,5% tinham histórico de doença cardiovascular clínica no início do estudo.
A pressão arterial sistólica média no início do estudo foi de 140,0±10,2 mmHg no grupo de tratamento intensivo e 140,4±10,2 mmHg no padrão. Em ambos os grupos, esses valores diminuíram rapidamente após a intervenção, e a diferença entre eles foi mantida durante todo o estudo. Após um ano de acompanhamento, a pressão arterial sistólica média foi de 121,6 mm Hg no grupo de tratamento intensivo e 133,2 mm Hg no padrão. Nesse período, aproximadamente 60% dos pacientes no grupo de tratamento intensivo atingiram a meta de pressão arterial sistólica.
Durante o acompanhamento mediano de 4,2 anos, eventos de resultado primário ocorreram em 393 pacientes no grupo de tratamento intensivo, em comparação com 492 no grupo de tratamento padrão. Em relação ao infarto do miocárdio fatal ou não fatal, tratamento ou hospitalização por insuficiência cardíaca e morte por causas cardiovasculares, os achados foram semelhantes entre os grupos. No entanto, o acidente vascular cerebral fatal ou não fatal ocorreu em 284 e 356 pacientes no grupo tratamento intensivo e padrão, respectivamente. A morte por qualquer causa ocorreu em 169 e 179 pacientes do grupo tratamento intensivo e padrão respectivamente.
Incidências semelhantes no desenvolvimento e na progressão da doença renal crônica (DRC) foram observadas nos dois grupos. A albuminúria incidente ocorreu em 554 e 684 pacientes no grupo de tratamento intensivo e no padrão, respectivamente.
No grupo de tratamento intensivo, 36,5% pacientes apresentaram eventos adversos graves, em comparação com 36,3% no padrão. Não houve diferença significativa na incidência de eventos adversos graves entre os grupos. No entanto, hipotensão sintomática ocorreu com mais frequência no grupo de tratamento intensivo. Além disso, a hipercalemia (>5,5 mmol por litro) também foi mais comum nesse grupo.
Sendo assim, entre pacientes com diabetes tipo 2 e pressão arterial sistólica elevada, a incidência de eventos cardiovasculares maiores durante um acompanhamento de até 5 anos foi significativamente menor com uma estratégia de tratamento intensivo em comparação com o tratamento padrão. Apesar dos benefícios observados, é crucial monitorar de perto os pacientes submetidos a tratamento intensivo para detectar possíveis eventos adversos, como hipotensão sintomática e hipercalemia.