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/ Publicado el 1 de mayo de 2025

Atividade física e saúde mental

Prescreva movimento: passos diários como uma ferramenta para a depressão

Metanálise com mais de 96 mil adultos revela: 7.000 passos diários reduzem significativamente o risco de depressão. Entenda como usar essa informação na sua prática clínica.

Autor/a: Bizzozero-Peroni B, Díaz-Goñi V, Jiménez-López E, et al.

Fuente: JAMA Netw Open. 2024;7(12):e2451208. Daily Step Count and Depression in Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis.

Introdução

Os transtornos depressivos estão entre as principais causas de incapacidade relacionadas a doenças mentais, afetando mais de 330 milhões de pessoas em todo o mundo. Além disso, mesmo quando os sintomas depressivos estão abaixo do limiar clínico, eles têm uma associação significativa com a qualidade de vida e uma probabilidade considerável de progressão para depressão clínica. A etiologia da depressão envolve uma interação complexa de fatores, desde biológicos até relacionados ao estilo de vida, o que representa um desafio para as estratégias de prevenção primária.

Firth e colaboradores (2020) resumiram o papel crítico dos comportamentos de saúde modificáveis, como a atividade física (AF), em estratégias de saúde pública focadas na prevenção da depressão. Os resultados indicaram que níveis mais altos de AF forneceram proteção contra o surgimento da depressão. Atividades de baixa intensidade, como caminhar, podem constituir uma forma adequada de AF para reduzir o risco.

O número de passos diários é uma medida objetiva simples e intuitiva de AF. Atualmente, o seu monitoramento é cada vez mais viável à medida que os dispositivos vestíveis se tornaram mais populares. Meta-análises recentes forneceram evidências de que contagens de passos mais altas estão associadas à redução do risco de doenças cardiovasculares e mortalidade por todas as causas. Portanto, Bizzozero-Peroni e colaboradores (2024) sintetizaram as evidências disponíveis de estudos observacionais sobre as associações entre os passos diários medidos objetivamente e a depressão na população adulta em geral.

Métodos

Para a revisão sistemática e metanálise, os autores utilizaram as bases de dados PubMed, PsycINFO, Scopus, SPORTDiscus e Web of Science desde o início dessas até 18 de maio de 2024 para identificar estudos observacionais usando termos de busca relacionados à atividade física, medidas de passos diários e depressão, entre outros. Os estudos incluídos tinham medidas objetivas de contagem de passos diários e dados de depressão.

Resultados

No total, 33 estudos foram incluídos, com 96.173 adultos (544,5% mulheres e 45,5% homens) em 13 países diferentes. A idade média (DP) variou de 18,6 a 91,2 anos. O número médio de passos diários variou de 2.931 a 10.378. Essa contagem foi estimada usando acelerômetro ou dispositivos de pedômetro. O período de medição utilizado foi de 7 dias na maioria dos estudos. A depressão foi relatada como um diagnóstico ou com sintomas autorrelatados.

Uma correlação inversa significativa entre o número de passos diários e os sintomas depressivos foi identificada, independentemente da faixa etária e gênero.

As estimativas agrupadas indicaram que os participantes com 7.000 ou mais passos/dia tiveram risco reduzido de depressão em comparação com seus pares com menos de 7.000 passos/dia. Um aumento de 1.000 passos/dia foi associado a um menor risco de depressão.

Conclusão

Firth e colaboradores (2020) sintetizaram, pela primeira vez, as associações entre passos diários medidos objetivamente e depressão na população adulta em geral. Os resultados mostraram associações significativas entre um maior número de passos diários e menos sintomas depressivos, bem como menor prevalência e risco de depressão na população adulta em geral. Essa medição objetiva pode representar uma abordagem inclusiva e abrangente para a saúde pública que tem o potencial de prevenir a doença. Entretanto são necessários mais estudos esclarecer o potencial papel protetor dos passos diários na mitigação do risco de depressão durante a idade adulta.