Atualmente, as luzes artificiais iluminam ambientes internos e externos, mas o seu excesso durante a noite, conhecido como poluição luminosa, traz sérias implicações ecológicas, comportamentais, biológicas e para a saúde humana. A exposição prolongada à luz artificial noturna está associada a diversos efeitos nocivos, como distúrbios do sono, obesidade, depressão, ansiedade, problemas de memória, aterosclerose e até câncer.
A doença de Alzheimer (DA), uma das mais comuns condições neurodegenerativas, responde por 60-80% dos casos de demência. A sua incidência tem aumentado significativamente nas últimas décadas, em paralelo ao crescimento da poluição luminosa. Poucos estudos investigaram a influência da luz noturna sobre a neurodegeneração, neuroinflamação, comprometimento cognitivo, demência ou DA. Por isso, Voigt e colaboradores (2024) exploraram a relação entre a prevalência de DA e a intensidade média da poluição luminosa nos Estados Unidos.
O estudo utilizou dados do Medicare de 2012 a 2018 para avaliar a relação entre a exposição à luz noturna e a prevalência da doença de Alzheimer (DA), incluindo ambos os sexos. Os dados foram obtidos dos Centers for Medicare and Medicaid Services (CMS), focando em beneficiários com mais de 65 anos, pessoas com certas deficiências e aqueles com doença renal terminal.
Além disso, dados sobre obesidade foram obtidos do Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS) dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que rastreia obesidade auto-relatada em adultos. Já os dados de exposição à luz noturna foram adquiridos do Visible Infrared Imaging Radiometer Suite (VIIRS) da National Aeronautics and Space Administration (NASA), utilizando os compostos NPP Lunar BRDF-Ajustados. Os níveis de radiância foram calculados e medidos para cada estado e condado ao longo do período de estudo.
As análises estatísticas incluíram Análise de Variância (ANOVA) e análise de correlação para avaliar a relação entre a exposição à luz noturna e a prevalência da DA. Um modelo linear misto foi aplicado para ajustar as medidas repetidas nos níveis estadual e municipal. Covariáveis como raça, idade, sexo e fatores biológicos, como fibrilação atrial, diabetes e obesidade, também foram incluídas no modelo.
A maior exposição à luz noturna externa foi associada a uma maior prevalência de DA. Esse efeito foi observado em indivíduos com mais de 65 anos, menos de 65 anos, homens e mulheres.
Ao observar todos os indivíduos, a intensidade média da luz noturna permaneceu associada à prevalência da DA mesmo após considerar alguns fatores de risco para DA, como abuso de álcool, doença renal crônica, depressão, insuficiência cardíaca e obesidade. Isso sugeriu que a exposição à luz noturna tem uma influência mais forte sobre a doença de Alzheimer do que essas condições. No entanto, quando comparados com outras covariáveis, como fibrilação atrial, diabetes, hiperlipidemia, hipertensão e acidente vascular ceberal, essas tiveram associação mais forte com AD do que a luz noturna.
Entretanto, para os indivíduos com menos de 65 anos, a intensidade da luz noturna foi associada à prevalência de DA mesmo ao considerar todas as covariáveis, sugerindo que essa faixa etária pode ser particularmente sensível aos efeitos da exposição à luz noturna.
Com base nos resultados, os pesquisadores sugeriram que a exposição à luz noturna pode desempenhar um papel na progressão da DA. Além disso, os dados indicaram que a redução de fatores de risco tradicionais, como hipertensão e diabetes, pode amplificar a influência de fatores ambientais. Embora os achados atuais sugiram essa ligação, são necessários mais estudos para confirmar essa associação.
Publicado el 27 de octubre de 2024
Exposição à luz noturna
Poluição luminosa associada à doença de Alzheimer
A exposição à luz artificial à noite é um fator ambiental que pode influenciar a DA
Autor/a: Voigt, R. et al. (2024)
Fuente: Frontiers Outdoor nighttime light exposure (light pollution) is associated with Alzheimer’s disease
Atualmente, as luzes artificiais iluminam ambientes internos e externos, mas o seu excesso durante a noite, conhecido como poluição luminosa, traz sérias implicações ecológicas, comportamentais, biológicas e para a saúde humana. A exposição prolongada à luz artificial noturna está associada a diversos efeitos nocivos, como distúrbios do sono, obesidade, depressão, ansiedade, problemas de memória, aterosclerose e até câncer.
A doença de Alzheimer (DA), uma das mais comuns condições neurodegenerativas, responde por 60-80% dos casos de demência. A sua incidência tem aumentado significativamente nas últimas décadas, em paralelo ao crescimento da poluição luminosa. Poucos estudos investigaram a influência da luz noturna sobre a neurodegeneração, neuroinflamação, comprometimento cognitivo, demência ou DA. Por isso, Voigt e colaboradores (2024) exploraram a relação entre a prevalência de DA e a intensidade média da poluição luminosa nos Estados Unidos.
O estudo utilizou dados do Medicare de 2012 a 2018 para avaliar a relação entre a exposição à luz noturna e a prevalência da doença de Alzheimer (DA), incluindo ambos os sexos. Os dados foram obtidos dos Centers for Medicare and Medicaid Services (CMS), focando em beneficiários com mais de 65 anos, pessoas com certas deficiências e aqueles com doença renal terminal.
Além disso, dados sobre obesidade foram obtidos do Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS) dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que rastreia obesidade auto-relatada em adultos. Já os dados de exposição à luz noturna foram adquiridos do Visible Infrared Imaging Radiometer Suite (VIIRS) da National Aeronautics and Space Administration (NASA), utilizando os compostos NPP Lunar BRDF-Ajustados. Os níveis de radiância foram calculados e medidos para cada estado e condado ao longo do período de estudo.
As análises estatísticas incluíram Análise de Variância (ANOVA) e análise de correlação para avaliar a relação entre a exposição à luz noturna e a prevalência da DA. Um modelo linear misto foi aplicado para ajustar as medidas repetidas nos níveis estadual e municipal. Covariáveis como raça, idade, sexo e fatores biológicos, como fibrilação atrial, diabetes e obesidade, também foram incluídas no modelo.
A maior exposição à luz noturna externa foi associada a uma maior prevalência de DA. Esse efeito foi observado em indivíduos com mais de 65 anos, menos de 65 anos, homens e mulheres.
Ao observar todos os indivíduos, a intensidade média da luz noturna permaneceu associada à prevalência da DA mesmo após considerar alguns fatores de risco para DA, como abuso de álcool, doença renal crônica, depressão, insuficiência cardíaca e obesidade. Isso sugeriu que a exposição à luz noturna tem uma influência mais forte sobre a doença de Alzheimer do que essas condições. No entanto, quando comparados com outras covariáveis, como fibrilação atrial, diabetes, hiperlipidemia, hipertensão e acidente vascular ceberal, essas tiveram associação mais forte com AD do que a luz noturna.
Entretanto, para os indivíduos com menos de 65 anos, a intensidade da luz noturna foi associada à prevalência de DA mesmo ao considerar todas as covariáveis, sugerindo que essa faixa etária pode ser particularmente sensível aos efeitos da exposição à luz noturna.
Com base nos resultados, os pesquisadores sugeriram que a exposição à luz noturna pode desempenhar um papel na progressão da DA. Além disso, os dados indicaram que a redução de fatores de risco tradicionais, como hipertensão e diabetes, pode amplificar a influência de fatores ambientais. Embora os achados atuais sugiram essa ligação, são necessários mais estudos para confirmar essa associação.