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/ Publicado el 24 de octubre de 2024

Novo estudo

Disfunção sexual em mulheres afetadas por enxaqueca

Avaliação da prevalência e rastreamento de preditores da disfunção sexual feminina em mulheres que sofrem enxaqueca

Introdução

A disfunção sexual feminina (DSF) é uma condição prevalente que pode afetar significativamente a saúde mental das mulheres, com repercussões no bem-estar familiar e social. Apesar de sua alta prevalência, variando entre 30% e 78%, o transtorno é frequentemente subestimado. Pode ser classificado em quatro principais distúrbios: desejo, excitação, orgasmo e dor sexual.

Paralelamente, a enxaqueca, definida como uma cefaleia primária recorrente e unilateral, manifesta-se por sintomas como dor latejante, sensibilidade à luz (fotofobia), tontura, náusea e vômito, sem associação a outras condições médicas. Estudos indicaram que a sua prevalência é consideravelmente maior entre mulheres (18,2%) em comparação com homens (6,5%). Além disso, pesquisas sugeriram uma possível relação entre hormônios sexuais e a fisiopatologia da enxaqueca.

Embora as causas exatas da DSF em mulheres com enxaqueca ainda não sejam completamente compreendidas, acredita-se que a dor crônica e o desconforto associados à dor de cabeça primária possam contribuir para o surgimento da disfunção. Além disso, o uso de medicamentos para o tratamento da enxaqueca, como betabloqueadores e antidepressivos, pode agravar os sintomas de DSF, como a baixa libido e a secura vaginal. Para investigar essa relação, Kamel e colaboradores (2024) avaliaram a prevalência e identificaram preditores de DSF em mulheres com enxaqueca, comparando-as com as saudáveis.

Métodos

Eles realizaram um estudo prospectivo, transversal e controlado que incluiu 400 mulheres sauditas com queixas de enxaqueca (interveção) e outras 400 saudáveis (controle), ao longo de três meses. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários previamente estruturados, incluindo o Female Sexual Function Index (FSFI), Female Sexual Distress Scale (FSDS) e Migraine Screen Questionnaire (MS-Q). Além disso, a gravidade da dor foi avaliada utilizando a Escala Visual Analógica (VAS), enquanto o impacto da enxaqueca nas atividades diárias foi medido através do Headache Impact Test (HIT-6) e do Migraine Disability Assessment (MIDAS).

Resultados

Um total de 800 mulheres sauditas foram incluídas no estudo. Entre as participantes com enxaqueca, 375 (93,75%) apresentaram pontuações anormalmente baixas no FSFI, enquanto no grupo sem enxaqueca, apenas 85 (21,25%) registraram essas baixas pontuações. Os domínios com os escores mais baixos foram desejo (2,75 ± 1,05) e excitação (3,0 ± 1,12), seguidos por satisfação sexual (3,25 ± 1,30) e função orgástica (3,5 ± 1,15). A enxaqueca foi identificada como o principal fator preditivo das baixas pontuações do FSFI e da disfunção sexual feminina (P < 0,00001). Outros preditores de significância estatística incluíram baixo nível educacional (P < 0,01), residência em áreas urbanas (P < 0,02), alta paridade (P < 0,02), presença de doenças crônicas como diabetes (P < 0,01) e hábitos prejudiciais como o tabagismo (P < 0,03).

Conclusão

O estudo evidenciou uma correlação significativa entre enxaqueca e disfunção sexual feminina. Os domínios mais impactados foram o desejo e a excitação, seguidos pela satisfação sexual e função orgástica. Apesar dos resultados relevantes, destaca-se a necessidade de pesquisas futuras para aprofundar a compreensão dessa relação e explorar outros possíveis fatores envolvidos.