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Publicado el 17 de agosto de 2026

Saúde da mulher

Pesquisa sugere novas estratégias para combater alterações metabólicas da pós-menopausa

Ativação seletiva do receptor de estrogênio beta demonstrou benefícios sobre o metabolismo hepático, da glicose e dos lipídios, surgindo como potencial alternativa terapêutica para mulheres na pós-menopausa.

Autor/a: Rocha, D. S. et al.

Fuente: Comprehensive Physiology 16, no. 4: e70228. Estrogen Receptor Beta Activation Coordinates Liver Lipid Remodeling and Metabolic Fluxes, Preventing Lipotoxicity

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificou uma possível alternativa para o tratamento das alterações metabólicas associadas à pós-menopausa. Os resultados indicaram que a ativação seletiva do receptor de estrogênio beta (ERβ) pode melhorar o metabolismo da glicose e dos lipídios, promovendo uma reorganização metabólica no fígado sem estimular vias associadas ao crescimento de tumores hormônio-dependentes.

A queda dos níveis de estrogênio após a menopausa está relacionada ao aumento da gordura visceral, piora do perfil lipídico e maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras condições metabólicas. Embora a terapia de reposição hormonal seja eficaz para muitas mulheres, seu uso é contraindicado em determinados grupos, como pacientes com histórico ou risco aumentado de câncer de mama e outros tumores hormônio-dependentes.

Diante disso, o estudo de Rocha et al. (2026) avaliou o papel do receptor de estrogênio beta, uma via ainda pouco explorada em relação ao metabolismo energético. Diferentemente do receptor alfa, tradicionalmente associado aos efeitos metabólicos benéficos do estrogênio, mas também aos seus efeitos proliferativos, o receptor beta tem demonstrado potencial para promover benefícios metabólicos sem os mesmos riscos teóricos relacionados à estimulação tumoral.

Para investigar esses efeitos, os pesquisadores utilizaram um modelo experimental de deficiência de estrogênio, por meio da remoção cirúrgica dos ovários em ratas. Os animais receberam diarylpropionitrile (DPN), uma molécula capaz de ativar seletivamente o receptor beta. Paralelamente, células hepáticas foram submetidas à sobrecarga de nutrientes para avaliar os mecanismos celulares envolvidos.

Nos animais tratados, a ativação do receptor beta restaurou os níveis de glicose de jejum, reduziu depósitos de gordura visceral e melhorou parâmetros relacionados ao metabolismo lipídico. Também foi observada normalização das concentrações de ácidos graxos livres e corpos cetônicos, além de uma importante remodelação do lipidoma hepático.

Segundo os pesquisadores, o tratamento não reduziu a quantidade total de gordura armazenada no fígado, mas alterou sua composição, favorecendo um perfil lipídico potencialmente menos tóxico. Esse remodelamento pode representar um mecanismo relevante para a proteção metabólica observada durante o estudo.

Experimentos adicionais em células hepáticas mostraram que a ativação do receptor beta favoreceu a oxidação mais eficiente dos ácidos graxos pelas mitocôndrias. Esse efeito pode explicar, ao menos em parte, a melhora do perfil metabólico observada nos animais tratados.

Os achados reforçaram o potencial terapêutico da ativação seletiva do receptor de estrogênio beta como alternativa para mulheres que não podem utilizar terapia de reposição hormonal, especialmente aquelas com histórico de câncer hormônio-dependente ou em faixas etárias nas quais a reposição hormonal não é recomendada.

Como próximos passos, os pesquisadores pretendem estudar modelos experimentais que reproduzam de forma mais fiel a transição menopausal, caracterizada pela redução gradual da função ovariana. O objetivo é identificar novos alvos terapêuticos e compreender melhor as alterações metabólicas que ocorrem durante e após a menopausa.