A American Diabetes Association (ADA) lançou recentemente o Standards of Care in Diabetes 2025, trazendo importantes atualizações, como o uso de monitores contínuos de glicose (CGM) no diabetes tipo 2, a aplicação de medicamentos baseados em GLP-1 para saúde renal e cardiovascular, entre outros.
Anualmente, a ADA publica recomendações baseadas nas mais recentes pesquisas científicas e ensaios clínicos. Essas diretrizes fornecem estratégias abrangentes para profissionais de saúde, indo além do controle glicêmico e incluindo triagem e prevenção. Confira alguns destaques:
| Monitores contínuos de glicose (CGM) |
Pela primeira vez, o uso de CGM é recomendado para pessoas com diabetes tipo 2, incluindo aquelas que não utilizam insulina. Pesquisas mostram que o aparelho pode reduzir o risco de complicações graves, como cetoacidose diabética (CAD), episódios de hipoglicemia grave, coma relacionado ao diabetes e hospitalizações por hipo ou hiperglicemia.
Para adultos maiores que utilizam CGM, a ADA estabeleceu:
· 50% do tempo (12 horas diárias) no intervalo alvo de 70–180 mg/dL.
· O tempo em hipoglicemia (valores < 70 mg/dL) não deve exceder 1% do dia (15 minutos).
| Agonistas do receptor de GLP-1 |
As novas diretrizes enfatizam os benefícios de medicamentos incretínicos, como tirzepatida (Mounjaro) e semaglutida (Ozempic), para a saúde do coração e dos rins em pacientes com diabetes tipo 2. Contudo, não há recomendação para o uso desses medicamentos no diabetes tipo 1.
O uso de um agonista dual dos receptores do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP) e do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) com potenciais benefícios na esteato-hepatite metabólica associada, como terapia adjunta às intervenções de estilo de vida para perda de peso em adultos com diabetes tipo 2, doença hepática gordurosa associada ao metabolismo e sobrepeso ou obesidade.
Para pacientes com risco de fibrose hepática, a pioglitazona ou agonistas de GLP-1/GIP são preferíveis. A combinação de ambos os fármacos pode ser considerada.
| Uso recreativo de cannabis |
As diretrizes alertaram contra o uso de cannabis por pessoas com diabetes tipo 1, devido ao maior risco de CAD. Esse está associado à síndrome da hiperêmese por cannabis, que causa náuseas intensas, dor abdominal e vômitos.
| Triagem para diabetes tipo 1 |
Recomendou-se a triagem baseada em anticorpos para indivíduos com histórico familiar ou risco genético conhecido de diabetes tipo 1.
| Sistemas automatizados de administração de insulina de código aberto |
As diretrizes incluíram suporte aos sistemas de circuito fechado de código aberto. A ADA orientou os profissionais de saúde a auxiliar os pacientes na otimização dos ajustes desses sistemas para garantir segurança e eficácia.
| Adoçantes artificiais |
As novas recomendações priorizaram o consumo de água em vez de adoçantes não nutritivos, exceto em casos de uso temporário para redução da ingestão calórica. A curto prazo, os adoçantes não nutritivos podem ser usados como substitutos de produtos adoçados com açúcar, com o objetivo de reduzir a ingestão total de calorias e carboidratos.
| Treinamento resistido |
Para indivíduos que buscam perda de peso, o treinamento resistido (como levantamento de peso) duas a três vezes por semana é recomendado. Esse tipo de exercício evita a perda de massa muscular, melhora a sensibilidade à insulina e mantém um metabolismo saudável.
| Controle de peso |
As diretrizes defenderam a continuidade do uso de farmacoterapia mesmo após alcançar os objetivos de perda de peso, com ênfase nos benefícios dos agonistas do receptor GLP-1 para a saúde cardíaca e renal.
| Saúde Mental |
Recomendou-se a triagem rotineira para ansiedade relacionada à hipoglicemia e estresse associado ao manejo do diabetes, tanto para pacientes quanto para seus familiares e cuidadores. São sugeridas intervenções como tecnologia (ex.: CGM) e aconselhamento psicológico para ajudar a lidar com essas condições.
Essas atualizações refletem o compromisso da ADA em oferecer um cuidado mais holístico e baseado em evidências para as pessoas com diabetes.
| Crianças e adolescentes |
Bombas de insulina devem ser oferecidas a todas as crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 que possam usá-las com segurança.
| Diabetes em pacientes hospitalizados e críticos |
Objetivos glicêmicos para hospitalizados:
· 140–180 mg/dL para pacientes críticos.
· 100–180 mg/dL para pacientes não críticos.
Recomenda-se o uso de infusão intravenosa de insulina para alcançar os objetivos glicêmicos e evitar hipoglicemia em pacientes críticos.
As bombas de insulina ou sistemas automatizados podem ser mantidos durante a hospitalização, se clinicamente adequados.
Acesse todas as informações sobre as diretrizes de cuidado em diabetes de 2025 [aqui].