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Publicado el 28 de abril de 2025

Novos insights

Padrão de compostos no sangue pode indicar gravidade de quadros de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia

Conclusão é de estudo que envolveu 173 gestantes; achados ampliam o entendimento da doença e podem dar pistas de como ocorre o dano a órgãos como rins, fígado, pulmões e cérebro.

A pré-eclâmpsia é a principal causa de mortalidade materno-fetal no Brasil e a segunda no mundo. Um estudo brasileiro publicado na revista PLOS ONE demonstrou que o padrão de substâncias presentes no sangue das gestantes acometidas varia de acordo com a gravidade do quadro. Os achados ampliam o entendimento da doença e podem dar pistas de como ocorrem as lesões nos rins, pulmões, no fígado e até no cérebro – abrindo caminho para, no futuro, preveni-las.

A pesquisa envolveu 173 gestantes, divididas em quatro categorias: saudáveis, com hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.

Foram coletadas amostras de sangue das voluntárias com o intuito de avaliar os metabólitos presentes. Assim, ao investigar o que acontece no metabolismo dessas mulheres os autores conseguiram não só demonstrar que ele está alterado, mas também que é possível correlacionar os padrões de alteração com variáveis clínicas. Isso é importante, pois abre possibilidades para um maior entendimento da pré-eclâmpsia, sobretudo em relação ao dano causado nos órgãos.

As amostras foram coletadas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e as análises metabolômicas (do conjunto de metabólitos no sangue) no campus da Unesp em São José do Rio Preto e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo foi o primeiro a utilizar a técnica denominada espectroscopia por ressonância magnética nuclear de hidrogênio para identificar metabólitos em amostras de pacientes com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e hipertensão gestacional. A técnica apresenta uma visão geral de todos os compostos presentes no metabolismo de um indivíduo, sem destruir ou alterar a amostra.

Foram identificados 19 metabólitos, sendo 11 deles destacados por apresentar diferença entre os grupos. As análises mostraram, por exemplo, um aumento nos níveis de acetato, N,N-dimetilglicina, glutamina, alanina, valina e creatina no grupo de mulheres com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade em comparação ao grupo com hipertensão gestacional e de mulheres saudáveis.

Ao comparar o grupo com pré-eclâmpsia e pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, constatou-se que, quanto maior a gravidade, mais elevadas eram as concentrações desses compostos. Além disso, níveis elevados de metabólitos específicos, incluindo N,N-dimetilglicina, alanina e valina, foram associados ao aumento da pressão arterial, piores resultados obstétricos e pior função de órgãos como rins e fígado.

A análise metabolômica de mulheres com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade indicou ainda distúrbios aumentados no metabolismo do nitrogênio, metionina e ciclos de ureia.

O distúrbio metabólico exacerbado pode ter revelado comprometimento renal e disfunção hepática, evidenciados por níveis elevados de creatina e alanina. Essas descobertas não apenas contribuem com novos insights como também fornecem uma compreensão mais abrangente dos mecanismos fisiopatológicos em casos de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade,

A partir dos resultados desse estudo, o grupo pretende focar em duas linhas de pesquisa. A primeira será verificar, em cultura celular, quais são as vias metabólicas alteradas em cada característica clínica e identificar possíveis fármacos capazes de reverter o quadro. Já a segunda investigará biomarcadores para predizer o risco de pré-eclâmpsia.