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Publicado el 10 de agosto de 2026

Doença cardiovascular

Pacientes com doença venosa crônica apresentam maior risco cardiovascular?

Evidências de uma revisão sistemática com meta-análise apontaram a doença venosa crônica como um potencial marcador de disfunção vascular sistêmica.

Autor/a: Del Río-Solá, M. L. et al.

Fuente: Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders, 2025; 14 The cardiovascular impact of chronic venous disease: A systematic review and meta-analysis

A doença venosa crônica (DVC) é uma condição altamente prevalente que acomete o sistema venoso dos membros inferiores, com apresentações clínicas que variam de telangiectasias a úlceras venosas. Embora tradicionalmente considerada uma condição de repercussão local, estudos apontaram para uma possível associação entre a DVC e alterações sistêmicas, incluindo aumento do risco cardiovascular.

Essa relação pode ser explicada tanto pela presença de fatores de risco compartilhados, como obesidade, diabetes mellitus, dislipidemia e tabagismo, quanto por mecanismos fisiopatológicos comuns, incluindo inflamação sistêmica, disfunção endotelial e alterações hemodinâmicas. Evidências demonstram a ativação de múltiplas vias inflamatórias e elevação de diferentes citocinas em pacientes com DVC, reforçando a hipótese de que a doença represente uma manifestação de disfunção vascular sistêmica.

Diante disso, Del Río-Solá e colaboradores (2026) conduziram uma revisão sistemática com meta-análise para investigar a associação entre a doença venosa crônica (DVC) e o risco cardiovascular, incluindo a ocorrência de eventos cardiovasculares maiores e a presença de fatores de risco cardiovasculares tradicionais.

 Foram analisados artigos observacionais publicados entre 2011 e 2025, identificados nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, cujos resultados foram sintetizados por meio de um modelo de efeitos aleatórios, com avaliação da heterogeneidade entre os estudos e do risco de viés de publicação.

Entre os 20 estudos incluídos, 85% demonstraram associação significativa entre a DVC e pelo menos um desfecho cardiovascular, como doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral (AVE), doença arterial periférica, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular.

Os autores observaram uma relação dose-resposta, com maior risco cardiovascular nos estágios mais avançados da doença. Essa associação permaneceu significativa mesmo após ajuste para fatores de risco tradicionais, como idade, sexo, hipertensão, diabetes mellitus, obesidade e tabagismo.

Além disso, pacientes com DVC apresentaram maior prevalência de fatores de risco cardiovasculares clássicos, incluindo hipertensão, obesidade, diabetes, dislipidemia e tabagismo, especialmente nos casos de maior gravidade da doença. Em 10 coortes que relataram índice de massa corporal (IMC), indivíduos com DVC apresentaram IMC médio superior e maior prevalência de obesidade em comparação aos controles.

Estudos que avaliaram possíveis mecanismos fisiopatológicos identificaram níveis elevados de marcadores inflamatórios sistêmicos, como proteína C reativa (PCR) e interleucina-6 (IL-6), além de sinais de disfunção endotelial e aumento da rigidez arterial, reforçando a hipótese de uma base fisiopatológica comum entre doenças venosas e arteriais.

Na meta-análise, que incluiu seis estudos com 393.875 pacientes e 55.356 eventos cardiovasculares, a DVC foi significativamente ao aumento do risco cardiovascular. Após ajuste para potenciais fatores de confusão, indivíduos com a doença apresentaram um risco aproximadamente 2,5 vezes maior de eventos cardiovasculares. Apesar da elevada heterogeneidade entre os estudos, a ausência de viés de publicação e análises complementares reforçaram a robustez dos achados, independentemente da modalidade de tratamento empregada.

Em resumo, o estudo de Del Río-Solá e colaboradores (2026) demonstrou uma associação consistente entre DVC e aumento do risco cardiovascular, independente dos fatores de risco tradicionais. Os achados sugeriram que a condição pode representar um marcador de disfunção vascular sistêmica e reforçaram a necessidade de estudos futuros para esclarecer o impacto do tratamento da doença sobre a redução do risco cardiovascular.