Entrevistas

/ Publicado el 2 de julio de 2023

Entrevista com Dr. Armando Camino

"Os Psiquiatras são formados em um caminho, muitas vezes ingrato"

Em diálogo com IntraMed, o Dr. Armando Camino falou sobre o impacto do COVID-19 na saúde mental e da situação epidemiológica no Equador.

O Dr. Armando Camino é Psiquiatra formado pela Universidade Central do Equador, Operador Terapêutico em Reabilitação de Toxicodependentes formado na Argentina e Mestre em Emergências Psiquiátricas formado na Espanha. Dentro de sua carreira em Saúde Mental, prestou seus serviços profissionais em instituições públicas e privadas no Equador. Atualmente trabalha como Psiquiatra do Hospital de Solca Núcleo Quito, Psiquiatra e coordenador da área de Saúde Mental do Hospital Club de Leones Quito Central e Diretor da Equipe Psique Camino et al., dedicada à pesquisa e consultoria em Psiquiatria.

Qual é a atual situação epidemiológica no Equador, e quais são as patologias mais prevalentes?

Atualmente temos observado uma alta prevalência de quadros depressivos e de ansiedade, patologias como a ansiedade generalizada e o consumo múltiplo de drogas também estão em ascensão. É preocupante o aumento das tentativas de suicídio nos últimos meses. .

De que modo as condições e os estilos de vida influenciam nas doenças que você atende?

Ter um estilo de vida pouco saudável, o consumo de álcool, tabaco, drogas; mudanças desfavoráveis ​​na alimentação, pouca prática de atividade física, bem como uma resposta inadequada ao estresse são fatores que geram um impacto negativo no indivíduo e o tornam propenso ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos.

Qual é a enfermidade que recebe mais consultas: prevenção ou tratamento?

Lamentavelmente, recebo mais casos para tratamento de transtornos mentais. No entanto, estamos trabalhando em diferentes instâncias para preveni-los.

O que sugeria para um jovem médico que deseja se especializar em Psiquiatria?

É necessário ressaltar a importância da nossa especialidade aos futuros médicos. Os psiquiatras desempenham um papel fundamental na prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação do paciente com transtorno mental. Somos formados em um caminho árduo, muitas vezes ingrato, por isso devemos amar nossa profissão e ter certeza ao escolhê-la.

Convidamos a deixar uma mensagem para os seus colegas através da IntraMed, o que gostaria de deixar como mensagem final?

É preciso fortalecer as atividades de formação médica continuada, contribuir em pequenos ou grandes espaços onde tornemos visível o trabalho do psiquiatra como pedra angular da saúde mental.

O que podemos encontrar no seu trabalho apresentado no APA? E por que selecionou este tema?

A pandemia afetou de maneira significativa os aspectos fundamentais no bem-estar das pessoas, como renda, tipo de emprego e estado emocional.

Particularmente na fase de quarentena, começamos a ter inúmeros casos em que indivíduos que continuaram a exercer atividades laborais apresentavam transtornos mentais como ansiedade, estresse e distúrbios do sono, razão pela qual nossa equipe decidiu realizar esta investigação.

No trabalho desenvolvido pela Equipe Psique encontraremos um estudo observacional, transversal, descritivo e analítico onde identificamos padrões de sintomas presentes relacionados ao desconforto psicológico no ambiente laboral durante a pandemia em trabalhadores de uma empresa na cidade de Quito. Dentro dos resultados, constatamos que a ansiedade fóbica e as somatizações foram os sintomas com maior percentual na população estudada. Em investigações semelhantes, foram encontradas diferenças significativas no índice de gravidade global e total de sintomas positivos entre homens e mulheres. O trabalho encontra-se disponível no link a seguir: https://psiquecaminoycols.wordpress.com/121-2/

O que aprendeu como médico em sua experiência assistencial nos casos de COVID-19?

A COVID-19 é uma patologia que afeta em inúmeros aspectos a saúde no geral, e ainda mais na saúde mental do paciente. Os indivíduos tornam-se suscetíveis a desenvolver patologias mentais pós-infeção, por este motivo é fundamental praticar hábitos saudáveis e reconhecer os sintomas a tempo de prevenir o desenvolvimento destas patologias.

Para os médicos que não puderam comparecer no APA, quais tópicos foram interessantes e novos? 

O Congresso Americano de Psiquiatria é o espaço perfeito para consolidar os conhecimentos relacionados a nossa prática clínica, assim como é a porta de entrada para novos tratamentos em nossa especialidade e investigação científica. Esteve em pauta, apresentações sobre as novas estratégias terapêuticas no trauma e na psicose, bem como a importância da prevenção do Burnout nos profissionais de saúde mental, foram muito interessantes.