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Publicado el 29 de octubre de 2026

Obesidade pode comprometer a eficácia dos imunobiológicos na psoríase?

Meta-análise com 4.200 pacientes avaliou o impacto da obesidade na resposta aos imunobiológicos para psoríase e demonstrou menores taxas de resposta terapêutica em indivíduos com obesidade, especialmente entre usuários de inibidores de IL-17 e IL-12/23.

A psoríase é uma doença inflamatória crônica cuja forma moderada a grave é tratada principalmente com imunobiológicos direcionados a alvos como TNF-α, IL-17, IL-23 e IL-12/23. Embora altamente eficazes, esses medicamentos apresentam respostas variáveis entre os pacientes, sugerindo que características individuais podem influenciar os resultados terapêuticos.

A obesidade, uma comorbidade frequente na psoríase, é um dos fatores potencialmente envolvidos nesse cenário. Além de favorecer um estado inflamatório persistente, ela pode alterar propriedades farmacocinéticas dos imunobiológicos, impactando sua efetividade clínica. Apesar dessa plausibilidade biológica, as evidências disponíveis permanecem inconclusivas.

Diante disso, Zhou e colaboradores (2026) realizaram uma revisão sistemática com meta-análise para avaliar a associação entre obesidade e resposta ao tratamento biológico em pacientes com psoríase.

Foram analisados estudos identificados nas bases PubMed, Embase, Web of Science e Cochrane Library até março de 2026, que compararam os desfechos de eficácia Psoriasis Area and Severity Index (PASI) 75, 90 e 100, correspondentes a reduções de 75%, 90% e 100% da atividade da doença, respectivamente. Após a seleção dos estudos, foram incluídos 2 ensaios clínicos randomizados e 10 estudos observacionais, totalizando 4.200 pacientes com psoríase.

Na análise do desfecho PASI90, indivíduos obesos apresentaram 36% menos chance de atingir resposta terapêutica em comparação aos não obesos (RR = 0,64; IC95% 0,55-0,76). Esse efeito foi observado principalmente com os inibidores de IL-17 e IL-12/23, enquanto não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas para os inibidores de TNF-α e IL-23.

A menor resposta terapêutica associada à obesidade foi mais evidente nas avaliações precoces (até 16 semanas), manteve-se significativa entre 48 e 52 semanas e voltou a ser observada em acompanhamentos mais prolongados (≥90 semanas).

Resultados semelhantes foram observados para os demais desfechos. Pacientes obesos apresentaram menor probabilidade de atingir PASI75 (RR = 0,52; IC95% 0,34-0,80) e PASI100 (RR = 0,42; IC95% 0,31-0,58) em comparação aos não obesos. O impacto mais pronunciado sobre o PASI100 sugeriu que o excesso de peso pode comprometer principalmente a obtenção de clareamento completo das lesões, mais do que respostas terapêuticas parciais.

Em conjunto, os achados reforçaram a importância de considerar a obesidade como um fator potencialmente capaz de influenciar a resposta aos imunobiológicos em pacientes com psoríase. Entretanto, as evidências disponíveis ainda são insuficientes para orientar a escolha de uma classe específica de imunobiológico com base apenas no estado nutricional do paciente, destacando a necessidade de investigações adicionais sobre o tema.