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Publicado el 11 de octubre de 2024

Comunicação médico-paciente

O uso do Whatsapp na prática médica

Impacto do uso de mensagens instantâneas na comunicação médico-paciente no brasil

É amplamente reconhecido que o acesso irrestrito a relatórios de exames pode causar danos ao bem-estar emocional de pacientes. Esse problema é exacerbado pelo uso crescente de mensagens instantâneas (MI) na comunicação entre médicos e pacientes. Embora essa prática esteja em expansão globalmente, no Brasil, o uso de MI atingiu proporções únicas, com muitos médicos relatando que mais de 90% de suas interações com pacientes agora ocorrem por meio de aplicativos de mensagens.

A pressão para substituir as tradicionais páginas e telefones por dispositivos de mensagens de texto começou a aumentar em 2013-2014, impulsionada pelo crescimento do WhatsApp®. A partir de 2014, houve uma queda significativa nas chamadas de voz, substituídas por um aumento expressivo nas mensagens de texto. No entanto, com o tempo, o conteúdo dessas interações deixou de ser exclusivamente médico, incluindo agora solicitações de relatórios não urgentes, consultas e até questões administrativas, antes resolvidas por secretarias, criando o fenômeno do "whatsmedicine".

Outro desafio significativo é o volume de mensagens recebidas fora do horário de trabalho, muitas vezes acompanhadas por relatórios de exames e áudios. Essas interrupções afetam o descanso mental necessário para os médicos, gerando um impacto negativo em sua saúde e profissão.

Além disso, há uma sinergia emergente entre o uso do WhatsApp® e as prescrições eletrônicas de medicamentos. Agora, pedidos de renovações ou novas receitas chegam a qualquer momento, aumentando a carga sobre os médicos. Algumas seguradoras de saúde também exigem que pedidos de exames sejam feitos exclusivamente por prescrições eletrônicas, o que agrava o problema.

As orientações das autoridades de saúde brasileiras sobre o uso de mídias sociais, incluindo o WhatsApp®, são ambíguas. Embora recomendem que resultados confidenciais não sejam compartilhados por essas plataformas, os pacientes frequentemente enviam relatórios de exames, incluindo informações genéticas sensíveis, sem perceber os riscos envolvidos.

Em conclusão, o uso de plataformas como o WhatsApp® na comunicação médico-paciente continua a se expandir, assumindo um papel central. A única solução viável para proteger o bem-estar dos médicos e pacientes, além de evitar violações de confidencialidade, seria uma proibição total desse tipo de comunicação por parte das sociedades médicas e autoridades de saúde. Isso ajudaria a evitar dependência de respostas rápidas e possivelmente equivocadas sobre a condição de saúde dos pacientes.